Armazenamento de gás do Carriço volta ao centro das decisões energéticas

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O armazenamento subterrâneo de gás natural do Carriço voltou a ganhar relevância no debate energético nacional, poucos meses depois de o regulador ter defendido prudência nos investimentos previstos para a rede de gás.

Em Outubro de 2025, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) recomendou uma redução do plano de investimentos apresentado pela Redes Energéticas Nacionais (REN) para o período 2026-2035. O plano previa 427 milhões de euros de investimento na rede de gás, incluindo intervenções na rede de transporte e nas infra-estruturas de armazenamento.

O regulador defendeu que apenas deveriam avançar projectos considerados prioritários, de forma a evitar impactos nas tarifas pagas por consumidores e empresas.

Entre as reservas apontadas estavam também os projectos relacionados com a adaptação das infra-estruturas ao hidrogénio. O regulador condicionou a concretização dos projectos de adaptação da rede de transporte e do armazenamento subterrâneo do Carriço a misturas de hidrogénio até 10%, exigindo “garantia da sua viabilidade em termos de interoperabilidade com os consumidores e os operadores de redes adjacentes”.

Meses depois, porém, o contexto internacional voltou a colocar a segurança energética no centro das atenções. Dados divulgados ontem (10) pela REN em declarações à Lusa, indicam que Portugal dispõe actualmente de reservas de gás natural suficientes para cerca de 93 dias de consumo, sustentadas em grande parte pela capacidade de armazenamento subterrâneo existente no Carriço.

Os níveis de armazenamento no país encontram-se actualmente acima dos 76%, significativamente superiores à média europeia. Ainda assim, Portugal continua a apresentar uma capacidade absoluta de armazenamento relativamente reduzida quando comparado com outros países da União Europeia.

Localizado na freguesia do Carriço, o complexo constitui a principal infra-estrutura de armazenamento subterrâneo de gás em Portugal, funcionando como reserva estratégica do sistema nacional e permitindo equilibrar a oferta e a procura em momentos de maior necessidade.

Entre os projectos em análise encontra-se o reforço da capacidade de armazenamento, através da construção de novas cavernas subterrâneas, um investimento estimado em cerca de 90 milhões de euros, cuja concretização depende da decisão final do Estado e do enquadramento regulatório definido para o sector.

Ana Laura Duarte