Na 2ª volta das eleições presidenciais decorrida hoje, foi eleito um novo presidente para o nosso Portugal, com a espectável vitória de António José Seguro, um cidadão oriundo da área socialista, ex-líder do PS, moderado, humanista e aparentemente capaz de dar estabilidade governativa ao País, sem deixar de indicar caminhos para que se realizem as reformas necessárias. Espero que nos próximos anos consigamos fazer as mudanças estruturais que se impõem em áreas tão importantes como a saúde, a justiça, o ordenamento do território ou a proteção civil.
Faço votos que o novo PR consiga ser um farol que guie o nosso caminho no sentido de nos tornarmos uma sociedade mais inclusiva, com menores desigualdades entre cidadãos e menos assimetrias regionais.
O candidato derrotado nestas eleições, André Ventura, é visto por muitos dos seus apoiantes como um verdadeiro “Salvador”, alguém impoluto e que com as suas excecionais qualidades será capaz de salvar o País do abismo para o qual caminha.
No meu ponto de vista é desejável que um político eleito, por maioria de razões um Presidente da República, seja o líder do seu Povo, capaz de o comandar numa determinada direção, mais ou menos consensual, que lhe traga felicidade, prosperidade e segurança; no entanto não é positivo que esse líder se torne de alguma forma um ser divino, salvador da Pátria, único ser vivo capaz de salvar um Povo em risco.
Na Eucaristia deste fim-de-semana uma das escrituras diz “vós sois o sal da Terra vós sois a luz do Mundo”. Nesta metáfora Jesus Cristo tenta explicar aos seus seguidores, ao seu Povo, que são eles que podem transformar as suas vidas, aliás é sua obrigação ter esse papel transformador na sociedade que vivem.
No nosso concelho alguns dos cidadãos estão sem luz nas suas casas há quase duas semanas. Naturalmente que a sua desilusão com o Estado e com a sociedade é grande. Em abstrato é inadmissível que esta situação ocorra num País desenvolvido, parte integrante da UE e no qual a maioria da população está habituada a um nível de conforto significativo se considerarmos o panorama global.
Com todo o respeito pela situação dessas pessoas, a qual espero que se resolva rapidamente, considero que muitas vezes a luz que nos falta não é aquela que obtemos quando ligamos o interruptor. A luz que mais nos falta é a incapacidade de cada um em participar na melhoria da sociedade em que vive ficando sempre a aguardar que seja o nosso líder a resolver todos os nossos problemas. De nada nos servirá ter um bom líder, seja ele quem for, se a forma de agir de cada um de nós na sua vida quotidiana não melhorar significativamente, com mais respeito, solidariedade, empatia, altruísmo, gratidão, produtividade, espírito empreendedor e empenho. A principal mudança que Portugal necessita é no comportamento do seu Povo. Que a luz volte depressa!
Telmo Lopes – Presidente da concelhia de Pombal do CDS-PP
[Crónica publicada na edição 319 de 10 de Fevereiro de 2026]







































