Redinha: falta de energia, inundações e críticas às condições para eleições presidênciais

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A freguesia da Redinha foi duramente atingida pela passagem da depressão Kristín e, mais recentemente, pela tempestade Leonardo, deixando um rasto de destruição, falhas prolongadas de energia e novas preocupações relacionadas com a subida das águas do rio Anços.

Em declarações ao Pombal Jornal, o presidente da Junta de Freguesia, Eduardo Cacho, traça um balanço marcado por dificuldades acumuladas. “A Redinha não foi imune. Foi tal e qual como as outras freguesias”, começou por referir, explicando que o executivo avançou rapidamente para a contratação de meios com o objectivo prioritário de desobstruir vias, trabalho que ficou concluído na sexta-feira seguinte à tempestade.

O problema mais grave, sublinha, foi a prolongada falta de energia eléctrica, que só começou a ser resolvida cerca de uma semana depois. Segundo o autarca, a Redinha e a freguesia das Meirinhas foram identificadas como das mais afectadas no concelho de Pombal, devido à destruição de postes de média e alta tensão. “Só ontem (4) e anteontem é que a E-Redes se dignou a dar a cara e a prestar alguma informação”, lamentou, acrescentando que a ausência de comunicação clara agravou o transtorno junto da população.

Apesar de a electricidade já estar a regressar à maior parte da freguesia, continuam a existir locais sem fornecimento, nomeadamente zonas mais altas e isoladas. A situação foi particularmente crítica para moradores dependentes de equipamentos médicos eléctricos, como máscaras de oxigénio.

A par da energia, a água também foi uma preocupação, sobretudo na zona de Alvito, onde o abastecimento esteve interrompido por depender de geradores que só chegaram vários dias depois. “Só ontem é que tivemos novamente água em Alvito”, explicou.

Entretanto, novas apreensões surgem com a evolução do caudal do rio Anços. A forte pluviosidade e as descargas provenientes da serra provocaram transbordos e danos significativos em infra-estruturas. O presidente da Junta confirmou a destruição da Ponte da Arrancada, junto à nascente do rio, e recordou que, na semana anterior, também a Ponte da Figueirinha ficou deitada abaixo. Embora a água continue a galgar margens, o autarca refere que, até ao momento, não se registam situações de maior gravidade, estando a Junta a proceder ao levantamento exaustivo dos prejuízos.

É neste contexto que Eduardo Castro levanta uma preocupação política e cívica séria: a realização de eleições presidenciais no próximo domingo, 8 de Fevereiro. “Não devia haver eleições no distrito de Leiria. Não há condições. As pessoas estão exaustas e não estão bem para votar”, afirmou, considerando a situação “lamentável”. Segundo explicou, foi necessário alterar locais de voto, transferindo-os para o Centro Escolar da Redinha, que, mesmo assim, “tem poucas condições de segurança”.

O presidente da Junta defende que a prioridade deve ser a estabilidade das populações e a reposição plena das condições básicas, alertando que a normalidade ainda está longe de estar reposta na freguesia.

Ana Laura Duarte