O Exército Português colocou 16 militares no concelho de Pombal para apoio às operações no terreno, na sequência dos estragos provocados pela passagem da depressão Kristin, uma decisão que contrasta com os meios significativamente mais robustos mobilizados para outros territórios igualmente afectados.
Em declarações ao Pombal Jornal, a vice-presidente da Câmara Municipal de Pombal, Isabel Marto, explica que os militares estão afectos a uma missão muito específica e crítica: a monitorização manual dos níveis de água em depósitos municipais, depois de a falha generalizada de comunicações ter inviabilizado o controlo remoto normalmente assegurado por telemetria.
“Habitualmente esta monitorização é feita à distância, mas como ficámos sem comunicações não era possível fazê-la. Pedimos apoio ao Exército para garantir este controlo manual”, refere a autarca.
Segundo Isabel Marto, o número de efectivos disponibilizados ficou muito aquém das necessidades identificadas pelo município. “Mandaram um número muito reduzido para as necessidades. Nós pedimos cerca de 90 militares para garantir o funcionamento adequado da rede de abastecimento de água, que é um serviço básico e essencial, e só chegaram 16.”
A vice-presidente admite não compreender os critérios subjacentes à distribuição dos meios militares, sobretudo quando comparados com os atribuídos a outros concelhos do país. “Não nos explicam e não o percebo. Há uma diferença tão grande que é difícil de entender. Tentámos ser contidos porque sabemos que os recursos têm de ser repartidos, mas quando vemos números tão díspares ficamos, no mínimo, tristes.”
Perante a resposta limitada das Forças Armadas, o município avançou com soluções alternativas para reforçar a capacidade de resposta no terreno. “Não ficámos de braços cruzados. Recorremos a voluntários de associações de ex-militares do concelho, nomeadamente comandos, paraquedistas e Liga dos Antigos Combatentes, que, dentro das suas possibilidades, nos estão a ajudar muito”.
Os 16 militares destacados operam sob coordenação da Protecção Civil, em articulação directa com os serviços municipais de águas, assegurando pontos de contacto permanentes nos depósitos onde se perdeu a telemetria. “Foi essa a missão que solicitámos: garantir, bem ou mal, que a rede de água continue a funcionar da melhor forma possível”, sublinha Isabel Marto.
Seis dias após a passagem da depressão Kristin, o concelho de Pombal continua a enfrentar consequências profundas e persistentes. Mantêm-se localidades sem fornecimento de energia eléctrica, falhas no abastecimento de água e interrupções graves nas comunicações, condicionando o quotidiano de populações inteiras e dificultando a resposta operacional no terreno.
Ana Laura Duarte







































