Deslizamento ativo mantém zona interditada e deixa família sem casa

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A paisagem mudou de um dia para o outro e tornou-se irreconhecível em Covas da Cumieira, na freguesia de Pombal, onde um deslizamento de terras provocou um deslocamento estimado de cerca de 13 metros e abriu fissuras profundas no solo, deixando duas habitações em risco e levando à evacuação dos moradores. No local, a instabilidade mantém-se, com sinais de água a surgir do chão e a encosta a apresentar degraus e cortes que antes não existiam.

“Isto não era assim. Está irreconhecível”, descreve Maria de Lurdes, ainda a tentar assimilar o que vê onde antes havia estrada, vinha e terreno plano. A família conta que os primeiros sinais surgiram com fissuras e alterações súbitas no terreno, que se foram agravando ao longo dos dias até se tornar impossível permanecer em segurança. “Nasci aqui, vivi aqui, nunca pensei ter de abandonar isto”, desabafa Jorge Carvalho Mota, sublinhando que a saída foi um choque para quem tem uma vida inteira ligada ao lugar.

Segundo os proprietários, as mudanças no terreno foram rápidas e sucessivas, visíveis na forma como a estrada “partiu”, deixando troços em níveis diferentes, e na deslocação de árvores e estruturas que “viajaram” com a terra. “A vinha era direitinha… agora está toda em socalcos”, relatam, apontando que vários elementos naturais mudaram totalmente de sítio. Para a família, a incerteza é total. “Não sei o que fazer”, admite Maria de Lurdes, acrescentando que a prioridade é encontrar uma solução de alojamento estável. “Era uma casa… ou uma casinha pequenina. Não me importava nada.”

A situação agrava-se pelo facto de os moradores referirem não ter seguro, aumentando a angústia quanto ao futuro. “A casa arranja-se… mas há coisas que não”, diz Jorge Carvalho Mota, referindo-se à vida construída ali ao longo de décadas. A família encontra-se temporariamente em casa de familiares, enquanto aguarda orientações e possíveis apoios. “A nossa vida ficou em suspenso”, resumem, com o olhar preso a uma encosta que já não reconhecem como sua: “nunca pensei que uma coisa destas nos pudesse acontecer”, relata.

O fenómeno está a ser descrito no terreno como “inédito em Portugal”, pela dimensão e rapidez do deslizamento que alterou por completo a paisagem e deixou habitações inabitáveis. Vários técnicos já visitaram o local e admitem que o caso terá de ser alvo de estudos detalhados para perceber o que está a acontecer no subsolo e avaliar a evolução da instabilidade. Entre as hipóteses apontadas, “um engenheiro que aqui esteve diz que as causas podem estar relacionadas com movimentação de placas tectónicas”.

Notícia em desenvolvimento na próxima edição do Pombal Jornal
Ana Laura Duarte