DA ILUSTRE TERRA DO MARQUÊS | Viajando para o Japão

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São operações de rotina os procedimentos normais quando se viaja de avião: chek-in, passaportes, bagagens, controlos. Depois a espera normal, a entrada através da manga, muito mais cómoda e rápida do que a viagem de autocarro. Ocupar o lugar, de preferência junto à janela, arrumar as bagagens de mão, apertar o cinto e levantar voo. Ocasião excelente para contemplar Lisboa, a malha urbana, os estádios, as avenidas, as praças e o Tejo, com as duas pontes cuja beleza arquitetónica não conseguimos deixar de apreciar.
Passado o rio e a margem sul, subimos para norte e, pouco depois, sobrevoamos Portalegre. Aproximamo-nos de Madrid, quase sem dar conta e seguimos acompanhando a viagem, quer no écran, quer olhando a paisagem pela janela, sobrevoando as nuvens, mas vendo, nos seus intervalos, lá em baixo, as cidades, as aldeias, os montes, os rios, o mar…
Entretanto é servida a refeição, completa e com qualidade, com excelente serviço, incluindo bebidas escolhidas de modo a agradar aos passageiros. É a opção pela qualidade, o melhor argumento em termos concorrenciais. A companhia aérea – Emirates – provavelmente das melhores do mundo, preocupa-se em servir bem, agradar aos clientes, fidelizá-los. A hospedeira de bordo é portuguesa, licenciada em arquitetura, duma simpatia extrema, procurando servir bem, satisfazer os gostos e os desejos dos passageiros. Confidenciou que está na empresa há seis anos, tal como o marido. A sede é no Dubai, onde trabalham cerca de dois mil portugueses.
Acompanhando a viagem no écran e pela janela, vemos o mar, as montanhas e as cidades, sobrevoamos as nuvens e ficamos com uma ideia global fantástica das paisagens, uma delícia para a vista. Sobrevoamos Barcelona, logo a seguir o Mediterrânio, com Marselha bem em cima, a Sardenha em baixo, Nápoles em frente e Atenas logo a seguir. A realidade acompanha as imagens no écran. A Terra é redonda e a rota de Lisboa ao Dubai aparece bem desenhada, permitindo ver onde estamos na escala da viagem.
Entretanto, o pôr-do-sol inicia a sua marcha diária e a barra cor de laranja, delimitando a fronteira entre o céu e o mar, dá uma beleza muito especial à paisagem. E, começam a aparecer lá em baixo zonas urbanas iluminadas, ruas, avenidas, cidades, geometricamente desenhadas, bem iluminadas, transmitindo um colorido, uma beleza e um conjunto que é um prazer para a vista de quem as contempla.
E, enquanto que, cá em cima, a 33.000 pés de altitude, esperamos calmamente que o tempo passe, lá em baixo, nessas zonas urbanas a vida decorre normalmente – 4ª feira é um dia normal de trabalho – não se notando sequer a passagem do avião lá no alto. Mas, esta vista aérea da Terra, é duma beleza que nos encanta e nos transmite a ideia da pequenez do ser humano, face a um Mundo enorme, a uma natureza tremendamente bela e a um desenvolvimento tecnológico que nos permite viajar a mais de 600 milhas/hora.
No mapa, que aparece no écran em frente do assento, aparecem os nomes das cidades que sobrevoamos ou lateralizamos: Madrid, Barcelona, Nápoles, Atenas, Belgrado, Istambul, Ancara, Alexandria, Mossul, Baghdad, Basra, Bahrain, Kawait… E sobrevoamos os mares: Mediterrânio, Vermelho e da China, nos Oceanos Índico e Pacífico.
Conhecemos alguns aspetos da história desses países e vem-nos à memória a sua realidade atual. Passada Ankara, descemos na direção do Dubai, destino da primeira parte da viagem, onde fizemos escala. Sobrevoámos Mossul e Bagdad, cidades do Iraque, onde a instabilidade política, a insegurança e o terrorismo são realidades diárias com que os iraquianos se habituaram a viver, numa democracia imposta, especialmente pelos americanos, depois do derrube de Saddam Hussein.
Chegamos ao Dubai, país onde a vida decorre com normalidade, pacificamente e com um bom nível de vida. O regime político pode ser questionado do ponto de vista democrático. Mas, o que interessará mais aos cidadãos naquela zona do globo: viver em democracia, com insegurança, sentindo os efeitos do terrorismo no seu dia-a-dia ou em teocracia, com paz, tranquilidade e um desenvolvimento económico que proporciona um bom nível de vida?
Retomamos a viagem a bordo dum Airbus A380-800, o maior avião de passageiros do mundo, com capacidade para 516 passageiros em dois decks, com comodidades incríveis, numa viagem de mais de sete horas. Sobrevoamos Delhi, capital da Índia, a maior democracia do mundo e, logo a seguir, a China, o país mais populoso do mundo, sobrevoando Wuhan, a cidade onde “apareceria”, um mês depois, o novo coronavírus e, logo a seguir, Shanghai, cidade, que, mais tarde, haveríamos de visitar. Ultrapassado o Mar da China, sobrevoamos o Japão, em direção a Nagasaqui e eis-nos em Tóquio, a fantástica capital do Japão, onde os Portugueses chegaram, pela primeira vez, em 1542, numa viagem seguramente mais demorada, muito menos cómoda e muito mais arriscada.

Manuel Duarte Domingues

 

 

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Natural de Viuveiro, Vila Cã, Pombal (1948), residente em Pombal. Licenciado em Controlo de Gestão pelo Instituto Superior de Contab. e Administ. de Coimbra. Contabilista e Consultor de Empresas desde 1977. Revisor Oficial de Contas desde 1993 (de Empresas públicas e privadas, cooperativas, autarquias, etc.). Fiscal Único no âmbito do Ministério da Saúde de diversos Hospitais EPE, desde 2002. Presidente do Conselho Fiscal da Vista Alegre Atlantis, SGPS, SA. Ex-Professor do Ensino Secundário (EICPombal) e do Ensino Superior (ISCAC e ISLA). Serviço público prestado: Oficial Miliciano de Administração Militar, Membro da Assembleia Municipal de Pombal e Presidente da Assembleia de Freguesia de Vila Cã. Cargos exercidos em associações: Vice-Presidente da Direção da A H B V Pombal; Presidente do Conselho Fiscal de: AICP–Assoc.Indust.Conc.Pombal; da Santa Casa da Misericórdia de Pombal; e do Sporting Clube de Pombal. Presidente e Membro da Comissão Revisora de Contas da Fundação Rotária Portuguesa. Cargo atual: Presidente do Conselho Fiscal da A. H. dos Bombeiros Voluntários de Pombal, desde 2005. Livros publicados: “DA ILUSTRE TERRA DO MARQUÊS…” – 1º Volume (2011, 2ª edição 2013); 2º Volume (2016), reunindo crónicas publicadas em jornais e revistas e outros escritos, destinando-se o produto da venda, integralmente, a Instituições de Solidariedade Social.