Bacia de retenção e redimensionamento dos túneis “só resolvem parte do problema”

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Os pombalenses tiveram até dia 2 de Novembro para analisarem e pronunciarem-se sobre o projecto de “defesa contra cheias de Pombal”, que já foi aprovado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA). As intervenções propostas passam pela construção de uma bacia de retenção na zona dos Caseirinhos, bem como a regularização de três ribeiras para “minimizar o risco de cheias”. Contudo, os ambientalistas do Grupo Protecção Sicó (GPS) entendem que “estas obras só resolvem parte do problema”.

 

Investimento de 11 milhões de euros pretende “minimizar o risco de cheias”, como aquela que em 2006 inundou habitações e estabelecimentos comerciais

O Estudo de Impacte Ambiental (EIA) considera “necessário e urgente tomar medidas de forma a minimizar os efeitos das cheias” na cidade de Pombal, como aquela que aconteceu em 2006 que inundou habitações e estabelecimentos comerciais.
Para isso, o projecto que está em consulta pública propõe a “construção de uma bacia de amortecimento e regularização de três ribeiras no concelho de Pombal”, designadamente a “Ribeira do Vale, Outeiro das Galegas e do Castelo”.
A opção “mais económica, com (muito) maior volume de encaixe, com melhores acessos e acessibilidades” permite “a criação de um Parque Urbano de qualidade, que teria funções não só hidráulicas de minimização de caudais a jusante como, igualmente, estéticas e de fruição e lazer para a população local”, refere o EIA.
Contudo, “estas obras só resolvem parte do problema”, entende Sérgio Medeiros, membro do GPS, alegando que “a bacia de retenção [nos Caseirinhos] apenas vai reter a água que vem da Serra [de Sicó]”.
“As outras ribeiras que confluem dentro de Pombal não vão ter nenhuma bacia, [logo] o problema vai manter-se junto ao [Rio] Arunca”, adverte Sérgio Medeiros, salientando que “a água que possa vir dos túneis do lado do Castelo e do Outeiro das Galegas vai chegar ao Arunca”, levando à “subida das águas na foz da Ribeira do Vale, junto à Biblioteca [Municipal]”.
Portanto, a autarquia “está a tentar resolver a questão das cheias em Pombal com a construção da tal bacia de retenção, mas a montante não se vê absolutamente nada no EIA, relativo à impermeabilização da linha de água da Ribeira do Vale por sedimentos que vêm da pedreira da Sicóbrita”.
O ambientalista do GPS também não percebe a opção de “fazer uma alteração tão grande dentro de Pombal com alargamento de túneis, construção de novos e eliminação de alguns troços velhos”, numa intervenção que “termina na Ponte da Pedrinha, ou seja, na ponte enterrada em frente aos Correios”.
De salientar que o novo troço coberto vai atravessar a Rua Fortunato Rocha Quaresma, fazendo um ângulo de 90º para a Rua 1.º de Maio, seguindo até à Rua de Ansião, onde o túnel fará mais um ângulo de 90º. Na Avenida Heróis do Ultramar, está previsto o alargamento do túnel, no troço entre o cruzamento da Rua 1.º de Maio e o Largo 25 de Abril (em frente aos CTT), onde termina a obra.
Isto significa que “não há nenhuma obra na foz da Ribeira do Vale, junto à Biblioteca”, pelo que “se chover tanto e tão localizado como foi naquele dia [de 2006], a água que vem da aldeia do Vale vai ficar retida na bacia”, mas “as outras duas ribeiras terão capacidade para encher Pombal outra vez”, logo “vamos ter uma cheia igual”.
Neste sentido, Sérgio Medeiros defende que “a foz da Ribeira do Vale também devia ser alterada” e, “apesar de não ser engenheiro de hidráulica”, considera “difícil” que “um túnel de escoamento de água com uma curva de 90º” seja eficaz.
Além disso, o membro do GPS acredita que, para a Câmara Municipal, o principal objectivo deste projecto “não é tanto por causa das cheias, mas para conseguir, de uma vez por todas, fazer caves em Pombal, que neste momento são proibidas”.
De referir que os trabalhos de construção da bacia de amortecimento têm uma duração prevista de nove meses e as obras de regularização nas ribeiras um prazo de execução de 18 meses.
O projecto de “defesa contra cheias de Pombal” está disponível para consulta na plataforma Participa, através da qual todos os interessados poderão submeter as suas participações.
Tal como o Pombal Jornal noticiou na primeira edição de Junho, a construção da bacia de retenção e redimensionamento dos canais subterrâneos representa um investimento total de 11 milhões de euros, que serão executados em duas fases. A primeira consiste na construção de uma bacia de retenção na zona dos Caseirinhos, ficando a requalificação das linhas de água para uma segunda fase.

Carina Gonçalves | Jornalista

*Notícia publicada na edição impressa de 26 de Outubro