Percurso da IMAPAL merece reconhecimento público

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No dia 27 de Outubro, a Junta de Freguesia de Vermoil homenageou publicamente a empresa IMAPAL, na cerimónia de inauguração do Bodo das Castanhas. Um sinal de reconhecimento pela longevidade e contributo para o desenvolvimento da freguesia. Pretexto para ficarmos a conhecer o percurso que é, também, boa parte da história de vida de “Zé Mouco”, o empresário que lhe está ao leme.

 

José das Neves António (Zé Mouco) com as filhas Manuela e Cidália, que trabalham com ele na IMAPAL

Nos primórdios da década de 70, Portugal era um país ainda profundamente rural, espelhado nas estatísticas que nos dizem que 34% da população trabalhava na agricultura.
Foi também nesses anos idos, mas já no período pós-revolução de Abril, que José das Neves António, ou “Zé Mouco”, como é conhecido por todos, criou a S.M.A.P., nos Matos da Ranha, juntamente com um sócio. O negócio da venda de tractores era também uma resposta a um sector que, à época, atravessava dias mais auspiciosos. Mas, curiosamente, não foi nos tractores que Zé Mouco começou a desenvolver a capacidade inata para o negócio. “Comecei com uma oficina de bicicletas e a arranjar motores de rega”, conta, sentado à secretária do escritório, à beira do IC2. Aos 25 anos e a tropa acabada de fazer, aproveitou o balcão que antes servira a taberna do pai para ali instalar a actividade, a que acrescentou, depois, a venda de motorizadas.
Mudou-se, mais tarde, para novas instalações, aproveitando a casa que os pais construíram ali próxima (ao lado da Jomotos). A melhoria de condições físicas proporciona novos voos a Zé Mouco, que se aventura também na venda de motas, como agente da marca Honda.
Em conversa com o amigo Silvério, também ele proprietário de uma oficina de bicicletas, na aldeia de Outeiro Galegas, decidem avançar, em sociedade, para o negócio da venda de máquinas agrícolas. Corria o ano de 1978. Num telheiro improvisado, coberto com canas, deram ‘abrigo’ à actividade, junto à oficina de Zé Mouco. Começaram com moto-cultivadoras, mas pouco tempo volvido já tinham tractores à venda da marca ISEKI. “Fomos os primeiros agentes do distrito de Leiria”, com a particularidade de o primeiro a ser vendido no país ter carimbo dos Matos da Ranha, recorda com natural orgulho. É neste contexto que nasce a S.M.A.P. – Sociedade de Máquinas Agrícolas de Pombal.
A necessidade de melhores instalações surge a par e passo com o crescimento do comércio de máquinas e tractores agrícolas, o que leva Zé Mouco a pedir autorização ao pai para instalar a oficina no terreno que tinha mesmo em frente, do outro lado da estrada, o que veio a acontecer. Manteve, no entanto, a oficina de motas no mesmo local.
Em 1984, “o melhor ano do negócio”, porque “nem havia tractores para entrega”, Zé Mouco deslocou-se ao Japão (haveria de ir lá três vezes), onde a marca ISEKI tem sede, para receber a primeira de várias distinções atribuídas à empresa pelas vendas realizadas. As molduras expostas na parede junto à secretária de Zé Mouco dão nota desses reconhecimentos.
1986 marca uma nova fase. É criada também a IMAPAL, para dar resposta à importação de máquinas agrícolas, mas mantém-se a S.M.A.P., que passa a partilhar as instalações com a nova empresa. Em 1990, escreve-se um novo capítulo. O empresário adquire a quota do sócio e a sociedade de 12 anos chega ao fim.

A criação da Jomotos
Em paralelo com o negócio das máquinas e tractores agrícolas, Zé Mouco criou também, no início da década de 90, a Jomotos, para dar continuidade ao comércio e reparação de motas. José, um dos filhos (com o mesmo nome do pai e conhecido pela mesma alcunha de família), optou por não estudar e cedo lhe tomou as rédeas. “Tinha muito jeito para o negócio”, conta o pai, que lhe vendeu a empresa quando ele casou.
Para além de José, o empresário tem mais quatro filhos: Manuela (a mais velha), Cidália, Emanuel (empresário do mesmo ramo, nas Meirinhas) e Ana, a única que não seguiu as pisadas do pai e se dedica à enfermagem. Aos 82 anos, José das Neves António mostra-se orgulhoso do percurso trilhado e do reconhecimento que, ao longo destes anos, obteve dos clientes, que vêm de várias partes da região. O negócio já viveu melhores dias, mas, ainda assim, a excelência do serviço prestado continua a fazer a diferença.