Bombeiros de Pombal juntam empresas à prevenção e segurança

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A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pombal (AHBVP) deu o primeiro passo de um movimento que pretende envolver as empresas do concelho na construção de uma comunidade mais preparada para responder a situações de emergência. Os primeiros protocolos do programa “Sócio-Empresa” foram assinados, a 13 de Julho, com a Maxiplás, Nemoto, Sabril e Corbário.

A iniciativa procura criar uma relação de proximidade entre a corporação e o tecido empresarial, colocando o conhecimento e a experiência dos bombeiros ao serviço da prevenção, da segurança e da capacitação dos trabalhadores.

“É muito importante a parte da prevenção, da sustentabilidade e de chegarmos à nossa comunidade, nomeadamente às empresas”, afirmou Ana Cabral, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pombal, durante a apresentação do programa.

Ao abrigo dos protocolos, os profissionais e formadores da AHBVP irão disponibilizar formação em áreas como a segurança, primeira intervenção e socorro. O objectivo é permitir que os colaboradores das empresas reconheçam riscos, saibam como actuar nos primeiros momentos de uma ocorrência e adoptem comportamentos capazes de proteger pessoas e bens.

“A prevenção é o mais importante nestas áreas”, sublinhou Ana Cabral, considerando que as empresas ficam “mais capacitadas” ao proporcionarem formação especializada aos seus trabalhadores. Os conhecimentos adquiridos podem também ser transportados para fora do contexto profissional, contribuindo para uma maior sensibilização das famílias e da comunidade.

O projecto começou a ser trabalhado há cerca de um ano e nasceu de um desafio lançado no interior da própria associação. A dirigente reconheceu que o processo “não foi fácil”, mas mostrou-se satisfeita por ter sido possível reunir quatro empresas no arranque.

“Ainda bem que conseguimos juntar estas quatro empresas neste início do programa, neste movimento que gostaríamos que fosse alargado a mais empresas do nosso concelho”, declarou.

Sustentabilidade
para garantir resposta

Além da vertente formativa, o programa procura contribuir para a sustentabilidade financeira da associação, num período marcado pelo aumento dos custos dos equipamentos, das viaturas e da respectiva manutenção.

Ana Cabral alertou, em particular, para as dificuldades relacionadas com a frota e com a necessidade de garantir meios adequados para responder a incêndios urbanos e industriais. Uma das viaturas destinadas ao combate a incêndios urbanos encontra-se inoperacional e enfrenta problemas de reparação devido à inexistência de peças de substituição.

“É uma situação que nos preocupa bastante”, admitiu, lembrando que a operacionalidade dos veículos pode fazer a diferença quando ocorre um incêndio numa habitação ou numa empresa do concelho.

A presidente salientou que as associações humanitárias prestam um serviço público essencial, mas nem sempre encontram, por parte do Estado, as respostas necessárias para acompanhar as exigências colocadas às corporações.

“Temos claramente um desafio acrescido, porque, em termos estatais, nem sempre as coisas correm como gostaríamos. Estamos aqui, em primeira instância, para ajudar as pessoas, pensar nas pessoas e fazer prevenção e apoio”, afirmou.

Através do programa, as empresas passam a encarar o apoio aos bombeiros não apenas como um contributo financeiro, mas como um investimento na segurança dos seus próprios trabalhadores e instalações. Por seu lado, a associação reforça os recursos necessários para manter equipamentos, formar operacionais e assegurar uma resposta eficaz às ocorrências.

“É uma relação em que todos ganham: ganham as empresas, que investem na qualificação dos seus colaboradores; ganha a associação, que reforça a sua sustentabilidade; e ganha toda a comunidade, que beneficia de uma instituição mais forte e de cidadãos mais preparados”, defendeu Ana Cabral.

A dirigente espera agora que os quatro protocolos sejam apenas o início de uma rede mais ampla de parceiros. “Quando o tecido empresarial e uma instituição com 114 anos de história trabalham lado a lado, estamos a construir um concelho mais seguro, mais solidário e mais preparado para os desafios do futuro”, concluiu.

Ana Laura Duarte