Oito dias depois da Kristin metade do concelho de Pombal continua às escuras

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Cerca de metade da população do concelho de Pombal continua sem fornecimento de electricidade uma semana após a passagem da depressão Kristin, revelou esta quarta-feira (4) a vice-presidente da Câmara Municipal, Isabel Marto.

A informação foi avançada durante a reunião do executivo camarário, onde a autarca admitiu que “uma parte significativa do território ainda não conseguiu recuperar infra-estruturas básicas”. De acordo com os dados mais recentes, apenas 51% dos clientes da E-Redes se encontram com ligação restabelecida, o que significa que “metade da população permanece sem energia, com todos os constrangimentos que isso acarreta”.

Face ao prolongamento da situação, está agendada para hoje uma nova reunião com o secretário de Estado da Energia e responsáveis da E-Redes, com o objectivo de encontrar soluções alternativas para acelerar a reposição do serviço.

Também o abastecimento de água continua condicionado em várias zonas do concelho, sobretudo devido à paragem de equipamentos provocada pela falta de energia. Segundo Isabel Marto, as áreas de São Simão, Albergaria e Santiago de Litém são, neste momento, as mais afectadas. Apesar da distribuição através de camiões-cisterna, a vice-presidente reconhece que “é insuficiente para responder a todas as necessidades”.

A autarquia tem igualmente solicitado apoio militar para garantir a vigilância manual dos reservatórios de água, uma vez que o sistema de monitorização remota está inoperacional devido à falha das telecomunicações. “Temos vigilância humana em dez reservatórios, mas seriam necessários cerca de 30”, explicou.

Embora tenha havido um reforço recente de efectivos, após contactos com o primeiro-ministro durante a sua visita ao concelho, o número de militares no terreno continua aquém do necessário. “Precisávamos de 90 homens e, até agora, chegaram cerca de 35”, lamentou a responsável.

Persistem ainda múltiplas ruturas na rede de abastecimento de água. Só na terça-feira foram detectadas cerca de 20 novas ocorrências, entretanto quase todas resolvidas, num trabalho assegurado por duas empresas a operar em permanência. Ainda assim, a vice-presidente alertou que “continuará a haver falhas enquanto não forem reparadas todas as ruturas e reforçada a monitorização no terreno”.

No sector da educação, o município está a trabalhar para garantir o regresso às aulas na próxima segunda-feira, mesmo nas escolas mais afectadas, assegurando fornecimento energético, nem que seja através de geradores, bem como a reparação de telhados e a limpeza dos espaços exteriores.

Os estragos provocados pela depressão Kristin atingiram ainda vários equipamentos municipais, com destaque para o Expocentro, bem como infra-estruturas de colectividades culturais e desportivas e património religioso, como o Salão Paroquial da Ilha, o Grupo Desportivo da Ilha, o Convento do Louriçal e várias igrejas do concelho. “Há património que não é municipal, mas que nos preocupa seriamente”, sublinhou Isabel Marto, defendendo a atribuição de apoios governamentais para a sua recuperação