Entre duas tempestades: 13 anos de memória e jornalismo local

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O Pombal Jornal celebra esta edição 13 anos de existência. A primeira edição saiu a 6 de Fevereiro de 2013 e, de forma quase simbólica, também então o território vivia os efeitos de uma forte intempérie que deixou marcas profundas no concelho.

Na edição inaugural, o jornal dava destaque aos impactos do temporal de 19 de Janeiro de 2013, que deixou aldeias isoladas, estradas cortadas e populações vários dias sem serviços essenciais. Um testemunho publicado na altura relatava “sete dias e sete noites sem luz eléctrica nem água canalizada”, numa aldeia do Louriçal, descrevendo uma realidade de isolamento, estradas bloqueadas por árvores e o regresso forçado a lanternas, velas e candeeiros a petróleo.

A mesma edição dava conta de críticas políticas à resposta das entidades responsáveis, apontando “ausência de coordenação nacional e distrital na reposição das infra-estruturas e redes eléctricas e de comunicações” e defendendo a criação de medidas de apoio para cidadãos, empresas e agricultores afectados.

Treze anos depois, o paralelismo é inevitável. A 28 de Janeiro deste ano, o concelho volta a enfrentar uma das mais severas tempestades de que há memória recente, com impactos extensos nas habitações, empresas, infra-estruturas e serviços básicos. Tal como em 2013, repetem-se relatos de dias sem electricidade, dificuldades nas comunicações e comunidades a mobilizarem-se para responder a uma situação inesperada e exigente.

O número 13 é frequentemente associado ao azar. Ainda assim, o simbolismo desta coincidência temporal sublinha sobretudo a importância do jornalismo de proximidade: registar, contextualizar e preservar a memória colectiva dos momentos que marcam o território.

Se em 2013 o Pombal Jornal nasceu a contar uma intempérie, em 2026 continua a cumprir a mesma missão, dar voz às pessoas, acompanhar a recuperação e documentar a história local enquanto ela acontece.

Treze anos depois, permanece o mesmo compromisso: informar com rigor, proximidade e responsabilidade.

[Nota: Também a 15 de Fevereiro de 1941, um grande ciclone derrubou no Pinhal do Rei cerca de 165 000 árvores, como se pode ler no editorial de Rodrigues Marques. Edição já nas bancas.]