CARTA ABERTA | E se amanhã fosse a farmácia da sua freguesia?

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Em breve, a Câmara Municipal de Pombal voltará a decidir sobre a deslocalização de uma das duas farmácias de Albergaria dos Doze para a cidade de Pombal.

À primeira vista, poderá parecer apenas uma mudança de localização. Mas não é.

Uma farmácia não é apenas um estabelecimento comercial. É um serviço de saúde de proximidade. É muitas vezes o primeiro local onde um idoso procura ajuda, onde um doente esclarece uma dúvida ou onde uma família encontra aconselhamento sem precisar de recorrer ao centro de saúde ou às urgências.

Por isso pergunto: faz sentido retirar um serviço essencial de uma freguesia para o concentrar ainda mais na cidade?

Vivemos numa época em que tanto se fala de combater a desertificação, apoiar as freguesias e aproximar os cuidados de saúde das populações. Esta decisão parece seguir exatamente o caminho contrário.

Há ainda uma questão que merece reflexão.

Em 2019, perante um processo semelhante, a Câmara Municipal de Pombal considerou que a deslocalização de uma farmácia para a cidade não servia o interesse público.

O que mudou desde então?

Mudou a realidade das populações? Ou mudou apenas a forma de olhar para o interesse público?

Escrevo estas palavras como farmacêutica, nutricionista e pombalense. Mas escrevo, acima de tudo, inspirada pelos valores que o meu pai, António Rocha Quaresma, farmacêutico durante toda a vida, sempre me transmitiu: uma farmácia deve estar onde as pessoas precisam dela.

Foi por esse princípio que lutou até aos últimos dias da sua vida.

Hoje sinto que tenho o dever de continuar essa luta.

Esta não é uma causa de uma família nem de uma freguesia.

É uma causa de todos os que acreditam que os serviços de saúde devem aproximar-se das pessoas e não afastar-se delas.

Por isso, deixo um apelo a todos os Pombalenses.

Informem-se. Partilhem esta mensagem. Falem com os vossos representantes. Façam ouvir a vossa voz antes da próxima reunião da Câmara Municipal.

Porque hoje é Albergaria dos Doze.

Amanhã poderá ser a sua freguesia.

Em memória de António Rocha Quaresma, que acreditou até ao último dia que a saúde deve estar sempre perto das pessoas.

 

Alexandra Quaresma