Mercurium: quatro jovens de 17 anos levam rock e metal aos palcos da região

Têm 17 anos, começaram a ensaiar juntos em Dezembro de 2024 e deram o primeiro concerto completo menos de um ano depois. Os Mercurium são Tomás Gameiro, Lucas Antunes, Salvador Silva e Tiago Santos, quatro jovens do concelho de Pombal que, nos últimos meses, têm vindo a somar actuações dentro e fora do concelho, com um repertório onde entram Metallica, Guns N’ Roses, Iron Maiden e Xutos e Pontapés.

A banda nasceu entre colegas de escola. Salvador, Lucas e Tomás frequentaram a mesma turma, entre o 5.º e o 9.º ano, no Externato de Albergaria dos Doze, e chegaram a tocar juntos numa apresentação de final de ano. Foram apenas três músicas, numa experiência sem grandes pretensões, mas que acabaria por ter continuidade algum tempo depois.

A ideia era prepararem-se para actuar no arraial da escola. Faltava, no entanto, um baterista. Já no 10.º ano, Lucas ficou na mesma turma de Tiago e descobriu que este tocava bateria desde os seis anos. Estava encontrada a formação e, em Dezembro de 2024, fizeram o primeiro ensaio.

A actuação no arraial acabaria por não acontecer. “Percebemos que ainda não tínhamos aquele nível para fazer uma boa prestação”, recorda Salvador Silva. Em vez de anteciparem a estreia, decidiram continuar a preparar-se e os ensaios tornaram-se regulares, na garagem de casa de Lucas.

“Apesar de não termos concertos, ensaiávamos todas as semanas”, conta Salvador. O tempo acabou por ser importante para a evolução de todos. “No início eu não sabia tocar quase nada de guitarra e o Antunes ajudou-me muito a desenvolver.” Tomás foi também ganhando experiência no baixo e, ensaio após ensaio, o grupo foi adquirindo maior autonomia e confiança.

Três músicas deram os primeiros convites

Antes de enfrentarem um público maior, fizeram uma pequena apresentação para pais e familiares. A primeira actuação pública aconteceu nas Tasquinhas de Alitém, em 2025, onde tocaram apenas três músicas.

Foi também a partir daí que começaram a surgir os primeiros convites. “Começaram a convidar-nos para irmos actuar em vários sítios”, recorda Salvador. A 15 de Novembro de 2025 deram o primeiro concerto completo.

Desde então, as actuações têm-se sucedido. Este Verão, os Mercurium começaram também a sair do concelho de Pombal, passando por localidades dos concelhos de Ansião e Ourém. Uma evolução que os próprios não antecipavam. “Ninguém estava à espera”, admite Salvador.

O guitarrista encontra duas explicações para o crescimento dos últimos meses: o trabalho feito nos ensaios e o género musical que escolheram.

“Nós fazemos um estilo diferente, mais metal e, se calhar, hard rock. Acho que foi isto também que nos permitiu sair e crescer, por sermos diferentes”, considera.

Metallica, Guns N’ Roses, Iron Maiden e Xutos e Pontapés estão entre as bandas que interpretam, embora os gostos musicais dos quatro sejam mais abrangentes. Salvador ouve sobretudo metal e rock, mas também procura outros géneros, incluindo pop. Lucas, por exemplo, é apreciador de John Mayer.

A escolha de um repertório que recupera bandas e músicas muitas vezes anteriores ao nascimento dos quatro também tem alguma relação com o ambiente familiar em que cresceram. “Em casa de cada um houve sempre uma forte ligação” à música, explica Salvador. O pai de Lucas é fã de muitas das músicas que tocam. Já o pai de Salvador, apesar de ter outros gostos, sempre esteve ligado à música, e também passou por várias bandas.

Para Salvador, há ainda uma componente geracional curiosa naquilo que os Mercurium estão a fazer: recuperar um género que durante anos teve uma presença forte em bares e outros espaços e apresentá-lo agora a públicos diferentes. “Acho que o facto de termos inovado e de sermos diferentes, voltando se calhar um bocado ao passado para o colocar no presente, permitiu-nos sair dessa bolha”.

Instrumentos foram chegando aos poucos

A própria formação da banda obrigou a algumas adaptações. Quando começaram, nem todos tinham o instrumento que hoje tocam.

Tiago já possuía uma bateria, embora o equipamento tenha sido reforçado entretanto. Tomás não tinha baixo e a solução passou por comprar um instrumento acessível para poder começar. Os restantes elementos contribuíram para a aquisição.

Lucas já tinha uma guitarra, que adaptou por ser esquerdino, invertendo as cordas, e mais tarde comprou outro instrumento. Salvador começou por tocar teclado e só depois passou para a guitarra, que recebeu como presente dos pais.

As famílias têm, de resto, um papel importante na actividade da banda. Os quatro são ainda menores, vivem em diferentes localidades e os ensaios e concertos implicam deslocações e transporte de instrumentos e equipamento.

“Os pais são realmente cruciais para nós podermos fazer os nossos concertos e até para irmos para casa do Antunes ensaiar”, reconhece Salvador. E, quando se fala do investimento nos instrumentos, faz questão de acrescentar: “Pais e avós”.

Salvador é de Albergaria dos Doze, Lucas de Santiago de Litém, Tiago vive actualmente em Pombal e é natural de São Simão de Litém, enquanto Tomás é da zona de Vermoil.

Também o nome Mercurium nasceu de forma simples. Depois de várias hipóteses, discutidas entre os quatro e até com os pais, foi Salvador quem se lembrou da designação. “Perguntei ao meu pai e ele disse que podia ser. Então pronto, ficou assim.”

“Começou por uma brincadeira”

Se o nome não resultou de um plano muito elaborado, o mesmo pode dizer-se do percurso da banda. Quando começaram a ensaiar, o objectivo era essencialmente conseguir actuar no arraial da escola. A sucessão de concertos que se seguiu não estava nas previsões.

“Nada, nada, nada”, responde Salvador quando questionado sobre se imaginavam chegar, em tão pouco tempo, ao ponto em que estão. “Começou por uma brincadeira, por assim dizer, e agora já se está a tornar sério”.

Os concertos trouxeram também outras perspectivas sobre o futuro. Nenhum dos quatro decidiu fazer da música uma profissão, mas Salvador admite que a possibilidade começou a ganhar espaço.

“À medida que vemos as coisas acontecer, cada vez o sonho aparece mais e está mais presente na nossa cabeça”, afirma. A intenção, contudo, é continuar sem criar expectativas demasiado elevadas. “Deixar acontecer. E se não for, não é. Mas vamos sempre continuar a esforçar-nos, a dar o nosso melhor e a fazer para que aconteça”, diz, garantindo que querem manter “os pés assentes na terra”.

A criação de temas originais também já faz parte das conversas entre os quatro, embora não esteja, para já, nos planos imediatos. Salvador considera que o pouco tempo de experiência e a necessidade de definirem melhor as ideias musicais aconselham a esperar. “Futuramente temos realmente essa ideia”.

Há ainda outra realidade para conciliar com os concertos. Com o novo ano lectivo, os quatro entram no 12.º ano e, no ano seguinte, deverão seguir para o ensino superior. Salvador pensa estudar Economia e, neste momento, continua a encarar a música como um hobby.

Isso não significa abrandar os Mercurium. A banda continua a ensaiar e a responder aos convites que têm surgido, tendo já nova actuação marcada para 5 de Setembro, nas festas de Santiago de Litém.

O caminho que começou num ensaio em Dezembro de 2024 continua, assim, sem grandes planos traçados. Por enquanto, os quatro querem continuar a tocar, melhorar e aproveitar as oportunidades que forem surgindo. Como resume Salvador, a ideia é “deixar acontecer”, mas continuar a trabalhar para que aconteça.

Ana Laura Duarte
[Notícia publicada na edição número 333, do POMBAL JORNAL]

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