Ereirias recupera ponto de encontro e quer dar nova vida à aldeia

Ao domingo à tarde, a porta volta a abrir. Há quem entre para beber um café, uma água ou simplesmente para conversar. Pode parecer pouco, mas na aldeia das Ereirias, freguesia da Redinha, é precisamente essa uma das funções que a associação local voltou a assumir: ser um ponto de encontro numa pequena comunidade onde, durante vários anos, o espaço esteve praticamente sem actividade.

A Associação Cultural e Recreativa de Ereiras completou recentemente 25 anos, mas a sua história não foi feita de duas décadas e meia de actividade contínua. “Isto tem 25 anos, mas esteve muito tempo fechado”, reconhece Tânia Ferreira, actual presidente da direcção.

A mudança começou de forma quase informal, depois do regresso de Tânia Ferreira de França. “Pensámos: porque é que não abrimos um pouco ao domingo à tarde?”, recorda. A ideia avançou, inicialmente com pouca adesão, mas permitiu voltar a abrir uma porta que se tinha fechado na aldeia.

Em 2023 foram constituídos novos corpos sociais e começou uma nova fase. “A partir daí começámos as primeiras actividades. Começámos assim, devagarinho”, conta.

Uma caminhada de cada vez

O crescimento tem sido feito precisamente dessa forma. Sem grandes meios e com iniciativas relativamente simples, a associação começou a conseguir levar às Ereirias pessoas de outras localidades.

As caminhadas são o exemplo mais evidente. Na primeira participaram cerca de 40 pessoas. Depois foram aproximadamente 60 e, este ano, o número aproximou-se das 80. “É a organização destas actividades que nos vai dando algum dinheiro”, explica Tânia Ferreira.

A adesão externa contrasta, contudo, com alguma dificuldade em mobilizar a própria população. A presidente reconhece que introduzir novas iniciativas numa pequena comunidade nem sempre é imediato.

Actualmente, a associação abre sobretudo ao fim-de-semana, durante a tarde, funcionando como local de convívio. Tem 11 elementos nos corpos sociais e conta ainda com outros associados, que pagam uma quota anual de dez euros. É um valor reduzido, mas que ajuda a suportar despesas correntes. “Já dá para a água, para a luz e já é uma ajuda”, salienta.

Uma sede que precisa de obras

Cada actividade tem, porém, outra finalidade: ajudar a associação a juntar dinheiro para melhorar a sede.

Nos últimos anos já foram realizados pequenos arranjos no piso inferior, mas as maiores necessidades estão no andar de cima. A direcção pretende criar ali um bar, melhorar a cozinha, construir instalações sanitárias e concluir paredes, chão, electricidade e canalização.

Actualmente, a cozinha dispõe apenas do equipamento mais básico, enquanto parte do espaço permanece praticamente em bruto.

Só alguns dos trabalhos inicialmente orçamentados, nomeadamente electricidade, canalização e revestimento das paredes, poderão representar vários milhares de euros. “Para deixar o piso superior em condições de utilização, a estimativa apontada aproxima-se já dos 15 a 20.000 euros”: um valor incomportável para uma associação desta dimensão.

“Sozinhos” não conseguem fazer a obra, reconhecem os responsáveis, que têm procurado angariar fundos através das quotas, caminhadas, rifas, festas e restantes actividades. Existe também colaboração com a organização das festas religiosas, com utilização partilhada do espaço e das receitas de algumas iniciativas.

A relação é encarada numa lógica de entreajuda: “a Capela precisa do espaço da associação e a associação beneficia das actividades realizadas durante os festejos religiosos para conseguir alguma receita”.

Recuperar o andar superior permitiria fazer mais do que aumentar o número de actividades. A direcção gostaria, por exemplo, de organizar uma passagem de ano na sede. A ideia tem também uma dimensão social.

“Há muitas pessoas mais isoladas, mais velhas e sozinhas”, explica Tânia Ferreira. Mesmo que fossem apenas quatro ou cinco pessoas a participar, acrescenta, “pelo menos sabíamos que aquele dia ia ser diferente”.

Para já, não há condições para concretizar o projecto. Primeiro é preciso recuperar o espaço e encontrar financiamento.

É uma ambição grande para uma associação pequena, mas a estratégia seguida nos últimos três anos tem sido precisamente a contrária às grandes promessas: começar pelo possível. “Tem que ser assim, aos bocadinhos”, resume a responsável.

 

Plantas, sementes e produtos da terra

A próxima experiência está marcada para Setembro e nasceu de uma sugestão de uma pessoa com ligações familiares às Ereirias: criar um pequeno mercado dedicado às plantas e sementes. A direcção gostou da ideia e decidiu avançar.

O Mercadinho de Plantas e Sementes está previsto para 20 de Setembro e pretende juntar pessoas que tenham plantas, sementes ou outros produtos relacionados e queiram vender ou trocar aquilo que têm. A participação será feita mediante inscrição e a Junta de Freguesia da Redinha disponibiliza pequenas bancas para os participantes.

“Achei uma ideia engraçada”, conta Tânia Ferreira, que vê na iniciativa mais uma oportunidade para trazer visitantes à localidade. Mesmo quem não queira comprar pode simplesmente “vir visitar”.

O programa deverá incluir também comes e bebes, com pão caseiro feito no forno a lenha, pão com chouriço e alguns bolos tradicionais, além de um workshop relacionado com plantas e produtos naturais, cujos moldes ainda estão a ser definidos.

Mais do que criar um evento isolado, o objectivo volta a ser o mesmo: “Queremos dinamizar mais a aldeia, dar a conhecer”, resume a presidente.

Ana Laura Duarte
[Notícia publicada na edição número 332, do POMBAL JORNAL]

Deixe um comentário

Pombal Jornal

Apoie o jornalismo regional

Edição Online

15€/Ano

ou

Edição Papel

25€/Ano