Associação Recreativa das Meirinhas prepara “um novo alto”

A nova direcção da Associação Recreativa das Meirinhas (ARM) entrou em funções com uma ideia clara: mais do que procurar resultados imediatos, quer criar bases para que o clube volte a crescer de forma sustentada. Formação, aproximação à população, captação de jovens da freguesia, dinamização do complexo desportivo e uma gestão mais organizada estão entre as prioridades de uma equipa directiva que inicia agora um novo ciclo.

Sofia António, presidente, e Bernardo Santos, vice-presidente da associação, falam de um trabalho que terá necessariamente de ser feito por etapas. A direcção é nova e assume que há muito para organizar antes de pensar em objectivos mais ambiciosos. “A associação foi a baixo, mas estamos a preparar-nos para um novo alto”, resume Bernardo Santos. A palavra-chave, acrescenta, será equilíbrio.

Uma das prioridades passa por reaproximar a colectividade das Meirinhas. “Voltar a encontrar o bairrismo que havia na nossa terra”, aponta a presidente, reconhecendo que essa ligação se foi perdendo e que recuperá-la não acontecerá de um dia para o outro.

Essa aproximação começa precisamente pelos mais novos. A associação conta actualmente com cerca de 60 atletas, mas uma parte significativa vem de fora da freguesia. Para a nova direcção, aumentar a presença de crianças e jovens das Meirinhas é um dos desafios. “Voltar a trazer os atletas das Meirinhas para as Meirinhas” é uma das metas assumidas, a par da vontade de recuperar progressivamente o peso da associação na formação.

Formação para crescer,
mas sem saltar etapas

A formação surge, aliás, como um dos eixos centrais do projecto. A intenção é voltar a construir uma estrutura capaz de acompanhar os atletas ao longo das diferentes idades e recuperar, a prazo, o estatuto de referência que o clube já teve nesta área. A direcção evita, contudo, estabelecer metas irrealistas para uma única época. O objectivo é “acrescentar escalões e condições à medida que a estrutura se consolida”, assume a dirigente.

O futebol continuará naturalmente no centro da actividade, mas a nova ARM não quer ficar limitada ao que acontece dentro das quatro linhas. A organização de eventos e iniciativas abertas à população é outra das apostas para trazer movimento ao complexo, criar hábitos de participação e “aproximar novamente sócios, famílias, atletas e moradores”.

A expectativa é que os próprios jogos e torneios ajudem a devolver vida aos fins-de-semana nas instalações. A associação tem já iniciativas desportivas em preparação, procurando que o espaço seja utilizado com maior regularidade e que a população volte a encará-lo como um ponto de encontro.

O trabalho passa igualmente pelas condições físicas. Há intervenções que ainda não estão concluídas e algumas decisões dependem de procedimentos que ultrapassam a própria associação. A direcção reconhece que os processos administrativos e a actual situação financeira podem atrasar aquilo que gostaria de concretizar, mas prefere concentrar-se no que está ao seu alcance.

Uma direcção pensada
para diferentes áreas

A constituição da própria equipa directiva procurou responder a essa necessidade de organização. Foram “reunidas pessoas de diferentes áreas profissionais”, numa tentativa de trazer competências distintas para a gestão de uma associação que hoje exige muito mais do que assegurar a vertente desportiva.

“Há burocracia, procura de apoios, relação com empresas e entidades, organização de eventos, gestão das instalações e toda uma estrutura que precisa de funcionar para permitir que a componente desportiva cresça”. A nova direcção assume, por isso, que “esta primeira fase será também de arrumação interna” e definição de procedimentos.

A aproximação ao tecido empresarial é outra frente de trabalho. Os dirigentes começaram já a apresentar o novo projecto e a procurar parceiros que possam acompanhar o crescimento da colectividade. “A intenção é alargar gradualmente a rede de apoio, num modelo que permita criar maior estabilidade para os projectos que forem sendo lançados”.

Sofia António e Bernardo Santos não escondem que o caminho será longo. A ambição existe, mas a prioridade é construir uma estrutura sólida, capaz de crescer sem comprometer aquilo que vai sendo alcançado.

No fundo, o projecto da nova direcção pode resumir-se a três movimentos: organizar por dentro, voltar a chamar as Meirinhas para a associação e criar condições para que os mais novos encontrem no clube um lugar para praticar desporto e crescer. Sem promessas de resultados imediatos, mas com a convicção expressa de que a Associação Recreativa das Meirinhas “tem tudo para correr bem”.

 

Associação promove Jantar com Fado

A nova dinâmica da Associação Desportiva das Meirinhas estende-se também à realização de iniciativas para envolver a comunidade. No próximo 3 de Outubro, a colectividade promove um Jantar com Fado, no restaurante Dom Baco, a partir das 19h30.

A noite contará com a fadista Tânia Pataco, acompanhada por Ricardo Silva, na guitarra portuguesa, e João Silva, na viola de fado. Depois do jantar, a animação prossegue com DJ e bar aberto até às 02h00.

A participação tem um custo de 40 euros por pessoa e as reservas podem ser efectuadas através do contacto 911 728 956. Para além de reforçar a ligação da associação à comunidade, a iniciativa pretende também angariar receitas que ajudem a estabilizar a situação financeira do clube, numa fase em que a nova direcção assume estar, na prática, a “começar do zero” e a reorganizar toda a estrutura.

Ana Laura Duarte
[Notícia publicada na edição 334 do POMBAL JORNAL]

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