RENDALÍSSIMA | o último mês do ano

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Sim, já estamos a chegar ao décimo segundo mês do ano. Não, o Natal não foi ontem e é verdade, o tempo passa a correr. Estamos no final de Novembro e preparamo-nos para entrar na quadra mais marcante: é agora que nos vai indignar a vontade de brincar às caridadezinhas dos hipócritas que nada fazem para o bem comum durante os restantes 365 dias; é a partir deste fim-de-semana que o consumismo exacerbado nos torna a incomodar; é nesta recta final que a nostalgia se apodera dos corações mais sensíveis, deixando-os saudosos e envoltos numa melancolia tão intensa quanto o stress que as reuniões familiares provocam a alguns. É a pressão dos presentes, é a preocupação com os gastos excessivos, é a inquietação que os preparativos para a consoada e para a passagem de ano trazem e sempre, sempre a falta de tempo para conseguir estar com todos aqueles com quem gostaríamos de passar alguns minutos nesta época. E depois vem o inevitável balanço que fazemos: tudo o que não foi feito, dito, alcançado. Tudo o que perdemos. Tudo o que não ganhámos.
Confesso que gostaria que vivesse este Dezembro de outra forma. Foi esse o mote para que desenvolvesse um questionário para si. O objectivo é antecipar-se a toda essa agitação negativa e preparar-se para uma nova fase da sua vida. Vá buscar algumas folhas de papel e uma caneta, eu espero. Prepare-se para um momento de introspecção. Coloque uma boa selecção musical, serena e que não se torne num factor de distracção. Quando voltar, começaremos este exercício e prometo que vai ajudá-lo a viver este último mês do ano com mais leveza e paz. No entanto, se não se entregar com toda a sinceridade, não servirá para nada. Nesse caso, o meu conselho é que feche esta janela e volte aos seus afazeres.
Ainda bem que escolheu ficar comigo. Sente-se confortavelmente e garanta que ninguém interrompe este instante a sós consigo. Vamos começar?

1. Enumere o que de positivo retira deste ano que está na recta final.
Escolha cinco acontecimentos que considere terem sido uma verdadeira bênção – pode ser algo simples como um dia comprido na praia em que testemunhou um pôr-do-sol magnífico ou um jantar num restaurante requintado. Também pode ser algo de suma importância como um problema de saúde que tenha sido resolvido. Atenção, se quiser registar algo fútil ninguém poderá recriminar a sua opção. O que importa é que mantenha a honestidade. Dedique algum tempo a recordar a emoção que sentiu quando viveu o que decidiu escrever e foque-se no que provocou essa sensação. Se for difícil lembrar-se de coisas boas, cabe-me sublinhar os mais básicos motivos para sentir gratidão: estar vivo, ter o que vestir, contar com um tecto. Se tiver o que comer e uma cama quentinha, já tem mais que tanta gente, não é?
Ao completar esta primeira fase do exercício, sentir-se-á grato e recordará que 2018 lhe trouxe coisas boas, ainda que não se lembre delas constantemente.

2. Qual o momento mais bonito que viveu?
Acima seleccionou cinco acontecimentos maravilhosos. Agora importa que recorde o mais belo de todos os momentos do ano e que entenda porque o considera tão especial. Faça por voltar lá, sinta-se presente nessa memória e saiba que há mais disso no futuro. A vida não tem um depósito finito de felicidade e ninguém fica estagnado para todo o sempre.
Agora que nos colocámos numa vibração agradável, vamos alargá-la aos que nos rodeiam.

3. Recorde-se de pelo menos uma atitude sua que tenha melhorado o dia de alguém.
Algo que tenha feito de coração e que tenha gerado um sorriso. Pode ser um elogio sincero, um mimo que tenha animado outra pessoa, um abraço na altura certa ou uma atitude bonita para com um desconhecido. Como se sente ao reviver esse gesto? Aponte essa sensação e tente reproduzi-la mais vezes a partir de agora.
Continuemos com o foco nos outros:

4. Aponte os cinco nomes das pessoas que mais especiais foram para si nos últimos 365 dias.
Em frente a cada um dos nomes, escreva uma palavra que defina como o fizeram sentir – animado, confiante, alegre, tranquilo… Ao longo da próxima semana, demonstre-lhes a sua gratidão – telefone, marque um encontro, envie flores ou escreva uma mensagem que diga quão importantes foram no seu caminho. O que interessa é que explique que gesto ou comportamento lhe tocou. Além de sinal de boa educação, retribuir é positivo para nós e para os outros, porque é uma forma tão simples como eficaz de gerar sorrisos.
E já que falamos de sorrisos, espero que a próxima etapa o faça sorrir.

5. Que metas alcançou até agora?
Todos os anos tendemos a propor-nos a atingir determinados objectivos. Alguns são surreais, outros bem práticos. Lembra-se das conquistas com que sonhou em Janeiro? Quais foram? O que lhe faltava fazer para terminar este ano com a tão reconfortante sensação de dever cumprido? Não chegou a começar aquela dieta? Prometa dar início a essa mudança em Janeiro. Não se inscreveu no ginásio? Ainda vai a tempo! Não conseguiu abrir aquele negócio? A vida não termina no dia 31 de Dezembro! Aponte tudo o que tenciona concretizar e não se pressione demasiado porque o final de um período de trezentos e tal dias não é sinónimo de final de existência. Faça uma lista de tudo o que pretende materializar e passe à acção. Motive-se e vá a www.futureme.org escrever uma carta para o seu futuro eu ler daqui a um ano. O procedimento é muito simples e receberá um e-mail escrito por si na data que desejar – garanto que ao lê-lo não se vai arrepender. Irá surpreender-se com a sua própria evolução.
E por falar em evolução…

6. O que aprendeu?
Que lições ficaram gravadas em si? O que é que a vida lhe ensinou? Que conceitos novos apreendeu?
Num sentido mais prático, reservou algum tempo para investir em si e aprender algo novo? Vale tudo – tricotar, tocar um instrumento musical, participar num workshop de escrita criativa, frequentar uma pós-graduação, experimentar uma modalidade desportiva diferente, aprender mais sobre si mesmo recorrendo a uma nova terapia ou a uma Fashion Therapist… (está sempre a tempo de marcar uma consulta comigo!)
Depois de se debruçar sobre todo o conhecimento que adquiriu, escolha algo novo para aprender no próximo ano.

7. Qual o filme mais marcante que viu?
Ou a série que mais mexeu consigo? Tirou tempo para se distrair e esvaziar a mente? Se não o fez, decida começar a fazê-lo já.

8. Que livro o marcou?
Há quanto tempo não se perde nas páginas de um livro cativante? Ler estimula a imaginação e relaxa à medida que instrui, além de proporcionar prazer na sua própria companhia. Se ainda não tiver esse hábito, comece a passar algum tempo consigo. Se não apreciarmos a nossa presença, tornamo-nos pessoas carentes e desinteressantes porque procuramos fora de nós tudo aquilo que nos falta. O resultado? Relações frustrantes, insatisfação constante e criação de cansaço naqueles que nos rodeiam.

9. Acarinhou todas as pessoas que mereciam a sua atenção?
Família, amigos, colegas de trabalho, conhecidos… deu todo o afecto e reconhecimento que poderia ter dado às pessoas que fazem parte da sua vida e a tornam melhor? Sabem todas quão importantes são para si? Disse-lhes? Se a resposta foi negativa, experimente verbalizar um sentimento por dia. Ao marido: «Estás tão bonito hoje!». À namorada: «Que sorte também gostares de mim». Ao amigo: «Obrigada por estares sempre disponível para me ouvir». À senhora que tira a sua bica todas as manhãs: «Todos os dias tem um sorriso para me dar». O carinho não custa nada, é simples de transmitir e o seu efeito pode ser tão grandioso – em quem dá e em quem recebe – que vale a pena tentar. O que lhe parece mais bonito: doar publicamente uma avultada quantia de dinheiro a uma instituição pelo Natal ou trazer mais doçura para os seus dias e de todos os que o rodeiam durante o ano inteiro?
Agora que ponderou sobre o verdadeiro significado do Natal – aquele que sabia ser o único significado da quadra quando era pequeno…

10. Lembre-se de si com 15 anos.
Quem queria ser quando fosse grande? Desiludiu aquele jovem ou superou as suas expectativas? Sente-se realizado com o caminho que tem percorrido? Orgulha-se do adulto em que se tornou? Faça uma lista com os aspectos a melhorar para que não o deixe ficar mal. Proponha-se a trabalhar essas características – procure o apoio de especialistas, se necessário.
Mas não se sinta triste com isso, estamos todos em constante construção. Somos um trabalho inacabado. Nós e os outros.

11. Houve quem se revelasse uma péssima surpresa?
Quem foram as pessoas que o desiludiram no último ano? Escreva os seus nomes e resuma os motivos que o levaram a sentir-se decepcionado.
Passe os olhos pela lista e coloque-se no lugar de cada um dos nomes que nela constam. O que lhe fizeram foi fruto de pura maldade ou aquela pessoa também está em construção e não fez nada com a intenção de o magoar? Pense com altruísmo e distanciamento. É possível resolver os assuntos pendentes com alguma dessas pessoas? Se a resposta for positiva, óptimo: sabe o que tem a fazer. Fale, diga tudo e seja sincero. Quão bem lhe parece terminar o ano com uma quezília terminada e uma relação restaurada? Se a resposta for negativa, concentre-se e escreva uma carta dirigida à pessoa em questão. Descreva tudo o que sente. Insulte a pessoa, despeje a alma toda no papel. Chore, dê murros na mesa. No final, queime a carta e liberte essa energia negativa. Não permita que o ressentimento aumente a sua carga. Esses sentimentos não podem ter morada em si se quer avançar. Termine este ano mais leve e deixe o passado onde deve ficar – lá atrás.
Por fim, vamos voltar ao presente:

12. Vem aí o Natal – sente ansiedade em relação à forma como vai viver a quadra?
Enumere as razões para que se sinta dessa forma. Encontre formas para reduzir os níveis de stress naquela que deve ser uma época marcada por convívios agradáveis. Se tem medo de gastar demais, faça um orçamento e obrigue-se a cumpri-lo. Se tem receio de não conseguir preparar tudo a tempo, planifique o mês. Seja criativo e dedique algum tempo para descobrir formas de se reorganizar do ponto de vista prático de modo a sentir as consequências também no plano emocional. Relaxe e não exija demasiado de si mesmo.
Espero que ao terminar este questionário se sinta mais sereno, motivado e seguro de que ainda há tempo para melhorar tudo!

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Depois de se dedicar ao Jornalismo, decidiu aprofundar os seus conhecimentos numa vertente menos explorada ao longo da sua formação académica, a comunicação não-verbal. Após uma especialização em Lisboa em Consultoria de Imagem, lançou-se a título pessoal na área da Moda e assume-se em 2018 como a primeira Fashion Therapist do país. Já foi contratada pelo grupo Sonae para realizar serviços de Personal Shopping aos seus clientes, marca presença na Vogue Fashion's Night Out, trabalhou no grupo Creative Concept como responsável pela gestão dos cursos leccionados e pelo departamento de Comunicação da Creative Academy e exerce funções enquanto Social Media Manager de eventos de Moda. Trabalha de perto com grandes marcas de luxo internacionais sediadas na Avenida da Liberdade e com designers portugueses vocacionados para noivas. Em Pombal tem uma parceria com a Quinta da Concha porque apesar de se mover na capital, tem especial gosto pelo trabalho com clientes da zona centro. Contactos: anarendalltomaz@gmail.com || https://www.anarendalltomaz.com/