Instituto Vasco da Gama fecha portas em Santiago da Guarda

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Instituto Vasco da Gama

O Instituto Vasco da Gama, que foi criado há 27 anos por um grupo de pombalenses, e que mais tarde passou para a gestão do Grupo GPS, encerrou as suas portas. “Vai suspender a sua actividade de prestação de ensino gratuito devido à não atribuição de turmas de início de ciclo em contrato de associação”, refere o Grupo, liderado pelo louriçalense António Jorge Calvete.
Questionado pelo nosso jornal, sobre o número de alunos afectados com aquele encerramento, o Grupo GPS apenas referiu que “todos os alunos obtiveram colocação em escolas estatais”.
Por sua vez, a directora do Agrupamento de Escolas de Ansião refere que no dia 15 de Setembro foram acolhidos na Escola Básica e Secundária Dr. Pascoal José de Mello, no centro da vila, 14 alunos oriundos do Instituto Vasco da Gama, “os quais passaram a constituir a quinta turma do 9º ano deste agrupamento”. “A autorização de abertura da turma foi anterior ao acolhimento dos alunos, face ao pedido de transferência dos seus encarregados de educação”, refere Ermelinda Mendes, acrescentando que “posteriormente vieram a integrar a referida turma mais alguns alunos que ainda estavam a frequentar aquele estabelecimento de ensino, estando a turma agora com 23 alunos”.
A directora refere, ainda, que os alunos e encarregados de educação “foram acolhidos em reunião com a direcção no dia 15 de Setembro, tendo-lhes sido transmitidas algumas orientações para o ano lectivo, seguindo-se actividades de integração.”
“A integração destes alunos nesta altura do ano provocou alguns constrangimentos iniciais, nomeadamente na distribuição de serviço aos docentes, a qual teve de sofrer ajustes bem como na necessidade de recrutamento de novos professores”, afirma Ermelinda Mendes, frisando que “neste momento a turma já se encontra em pleno funcionamento, não havendo qualquer constrangimento a ultrapassar.”
O Grupo GPS esclareceu, ainda, o nosso jornal de que “está a desenvolver todos os esforços para encontrar alternativas de emprego noutras escolas da região”, geridas pelo mesmo grupo empresaria, “tendo sido possível aplicar esta medida a vários professores”. “Para além disso, fruto das colocações promovidas pelo Ministério da Educação, outros professores foram colocados em escolas estatais”, afirma, acrescentando que “para os casos em que nenhuma das situações anterior foi possível de aplicar, a sociedade está a aplicar a legislação em vigor”, sem, no entanto, especificar como e quantas pessoas, docentes e não docentes, foram afectadas com o encerramento da escola.
Por sua vez, o Instituto Vasco da Gama fez publicar na sua página no Facebook, um texto que dava conta do seu fecho. “Baptizaram-me de Instituto e apelidaram-me com o nome de um grande navegador em homenagem a um homem que, ao leme de um sonho, foi além dos limites do conhecimento do seu tempo. Foi, para mim, o prenúncio de uma viagem à descoberta de lugares de gente boa, de comunidades fiéis às suas origens e à sua cultura”, começa por referir a mensagem, prosseguindo: “orgulho-me das minhas paredes gretadas que assistiram a muitas aulas. Prezo as portas e janelas que me mantiveram aberto ao exterior e que viram muitos alunos a chegar e tantos outros a partir”.
“Sinto-me orgulhoso do que realizei enquanto a vida corria sem reservas nas minhas artérias. Consegui que a nobre missão de ensinar e educar servisse o melhor de todos os propósitos – ajudar muitos filhos da nação a crescer em conhecimento, competência e sensibilidade. Eu acreditei numa escola capaz de acrescentar valor ao que a natureza criou, fazendo dos alunos a matéria prima preciosa com que ia talhando pequenas obras de arte”, pode-se ler.
Em jeito de conclusão, o estabelecimento de ensino dirige-se “a todos os que embarcaram e me acompanharam nessa viagem”, agradecendo “a confiança depositada”, e desejando que “o que de bom fica da obra que encarnei sirva de inspiração aos que, como artífices de corpo e alma, comungam deste grande sonho.”

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Ingressou no jornalismo, em 1989, como colaborador no extinto “Pombal Oeste” que foi pioneiro na modernização tecnológica. Em 1992 foi convidado a integrar a redacção de “O Correio de Pombal”, onde permaneceu até 2001, quando suspendeu a profissão para ser Director de Comunicação e Marketing de um grupo empresarial de dimensão ibérica. Em 2005 regressou ao jornalismo, onde continua, até aos dias de hoje, a aprender. Ao longo destes (largos) anos de actividade, atestados pelo Carteira Profissional obtida em 1996, passou por vários jornais, uns de âmbito regional e outros nacional, onde se inclui o “Jornal de Notícias” e “Público”. Foi convidado a colaborar, de forma regular, com o “Pombal Jornal” onde se produz conteúdos das pessoas para as pessoas.