Vinícola: Comer aqui é como comer em casa

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Começou como armazém de vinhos, há mais cerca de 70 anos, mas foi em 1983, quando Esmeraldo Freire regressou a Portugal depois de um período de emigração, que pegou no negócio e o transformou numa tasca tradicional. Agora, passados 37 anos, a Vinícola dispensa apresentações, e nem precisamos de perguntar onde se come a melhor sandes de vitela estufada, para saber onde ir…

Longe vão os tempos em que a casa “estava cheia de manhã à noite”, conta Marco Freire, filho do proprietário e gerente do espaço, mas é com um brilho no olhar que relembra esses tempos, expressão completamente contrária à que faz quando lhe é questionado o actual cenário: “as coisas já não eram tão fáceis como antigamente, mas com a pandemia por Covid-19 o cenário tornou-se ainda pior”, conta. Para além “da redução, para metade, do número de lugares sentados, não podemos esquecer o tempo em que estivemos de portas fechadas, sem facturar, mas com despesas fixas a pagar, como a renda do espaço, os serviços de água, luz, gás e despesas a fornecedores”.
Se antes dessa altura “já se faziam contas à vida”, quando “nos deparámos com esta situação é que percebemos a real dimensão dos prejuízos económicos, não só localmente, como a nível nacional e mundial”. Apesar da retoma “vagarosa” do negócio, Marco Freire assume que “muitos clientes ainda têm um certo receio”, e por isso o negócio “continua em baixo”. Não fossem os “emigrantes, que durantes os meses de Julho e Agosto trouxeram alguma dinâmica à cidade e ao comércio local”, e o figurino poderia ser “bastante pior”. No entanto, o empresário teme que no “próximo mês de Setembro, o cenário desértico volte a repetir-se, com o regresso dos emigrantes aos países que os acolhem”, e com os “locais ainda a optar por não frequentar este tipo de estabelecimentos, por medo de contágios”, ainda que “todas as normas de segurança e higiene, exigidas pelas entidades governamentais, estejam a ser seguidas à risca na Vinícola”.

“Quem nos conhece procura este toque tradicional que fazemos questão de manter”
O espaço “dispensa decorações modernas ou grandes alterações”, afinal, “quem nos conhece e visita, procura exactamente este toque tradicional que fazemos questão de manter”, ou como se diz na gíria futebolística, “em equipa vencedora não se mexe”. Para além da imagem tradicional, também o sabor dos pratos é “o mais tradicional possível”, ou não fossem “as mãos de fada” de Deolinda Freire a confeccionar as iguarias servidas por ali, desde que abriu portas ao público pela primeira vez.
Marco Freire revela que “temos clientes a quem já nem precisamos de mostrar a ementa, ou perguntar o que vão querer, porque já sabemos de antemão as suas preferências”, e a isto chama-se “serviço de proximidade”. Há também quem procure a Vinícola especificamente em determinados dias da semana, “porque já sabem que vamos confeccionar o tradicional Cozido à Portuguesa”, um dos ex-libris do estabelecimento, assim como a vitela estufada, “que parece ter sempre o mesmo sabor: suculento e inigualável.
Para além destes pratos, o gerente do espaço fala ainda da Alheira de Mirandela, como uma das iguarias igualmente procurada pelos clientes, assim como o arroz de cabidela, o rancho à portuguesa ou a feijoada à transmontana. Segundo o proprietário, “o ambiente familiar, tradicional e de proximidade, o sabor único das refeições servidas e a atenção ao cliente continuam a ser a imagem de marca de uma casa que dispensa floreados. Afinal, “quem experimenta volta sempre a visitar-nos”, garante Marco Freire.