Vila Cã tem árvore centenária de interesse público

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O freixo da espécie Fraxinus angustifolia Vahl, exemplar com cerca de 500 anos plantado em pleno Largo do Freixo, no centro de Vila Cã foi considerado, pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, como “Árvore de Interesse Público”, na categoria de “exemplar isolado”. Esta classificação, já publicada em Diário da República, é o resultado de uma proposta apresentada pela Junta de Freguesia, para a sua preservação e consequente classificação.


O imponente exemplar da espécie Fraxinus angustifolia Vahl, vulgarmente conhecido por Freixo, plantado há mais de 500 anos no centro de Vila Cã, foi considerado pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) “Árvore de Interesse Público”, na categoria de “exemplar isolado”. A classificação, apesar de publicada em Diário da República a 28 de Janeiro deste ano, já tinha o aval positivo à candidatura apresentada pela Junta de Freguesia, em conjunto com a Câmara Municipal de Pombal, desde 10 de Janeiro do ano passado, explica Ana Tenente, presidente do executivo vilacanense.
Segundo a autarca, “a proposta de classificação do Freixo foi remetida ao ICNF em 2018, que após a sua recepção enviou técnicos ao local para fazer as duas vistorias”, e de onde “foram retirados os valores dendrométricos do exemplar e feita uma análise” de acordo com os critérios vigentes, “tendo-se admitido que o exemplar reúne os atributos necessários à sua classificação pelo critério “Porte” e “Idade”, lê-se no despacho enviado pelo ICNF a 10 de Janeiro de 2019.
O exemplar arbóreo, “apesar de apresentar um tronco totalmente cariado e oco, possui amarrações no seu interior, o que demonstra um enorme zelo e cuidado por parte do seu proprietário, garantindo-lhe um maior vigor vegetativo, não se encontrando comprometido o seu estado vegetativo, sanitário ou resistência estrutural, nem representa risco sério para a segurança de pessoas e bens, nem se encontra sujeito ao cumprimento de medidas fitossanitárias que recomendem a sua eliminação ou destruição obrigatórias”, no entanto, depois da classificação deste exemplar de Fraxinus angustifolia Vahl, foi “estabelecida uma zona geral de protecção (ZGP) ao exemplar arbóreo classificado, excepcionalmente com um raio de 15 metros medido a contar do centro da base da árvore, atendendo à localização do exemplar no largo ladeado por habitações, devidamente consolidadas e pela igreja paroquial da freguesia”, sendo que “estão proibidas quaisquer intervenções que possam destruir ou danificar o exemplar arbóreo a classificar”, como o corte de ramos ou raízes, escavações no local ou o depósito de materiais.

“A nossa zona ribeirinha é muito propícia ao crescimento desta espécie”

Ana Tenente explica que “na freguesia sempre existiram muitos exemplares desta árvore”, uma vez que “a nossa zona ribeirinha é muito propícia ao crescimento desta espécie”, revela. A responsável conta ainda que “já na altura em que foram feitos os estudos para a criação do brasão da freguesia, em 2002, um dos elementos centrais foi sempre o Freixo, que representa a zona natural da freguesia, na qual abundam os Freixos”, por isso, “desde que cheguei ao executivo que trabalhei no sentido de apresentar uma candidatura ao ICNF para classificação desta árvore, que está directamente ligada à história e ao povo de Vila Cã”.
Assim, “com o contributo fundamental da arquitecta Mónica Mota, que desempenhou funções na Câmara Municipal de Pombal, e do ex-vereador Renato Guardado, o processo foi submetido com sucesso” e “temos agora um resultado muito positivo para a freguesia”.
A autarca explica que “será colocada uma placa junto ao Freixo, onde figurará a classificação de Interesse Público”, e admite “que há muita gente que passa no centro de Vila Cã para o ver”, em especial “os adeptos da modalidade de geocaching, e dos desportos de natureza”, uma vez que “há uma ‘cache’ situada bem perto deste exemplar”, acaba por revelar.
Para além da classificação pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, como “Árvore de Interesse Público”, Ana Tenente admite a possibilidade da freguesia aproveitar esta experiência para “apresentar uma candidatura às ‘7 Maravilhas de Portugal’, na categoria Natureza”.