SENTIDOS | Deep Purple: será amor?

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Na terça (passada) estive de folga. Daquelas folgas boas, que servem para fazer o que nos faz feliz. Acordei tarde – demasiado tarde. Bati com o carro. A Mariana e a Filipa despediam-se do estágio no Pombal Jornal – e criam-se ligações tão giras! O comboio atrasou quase uma hora. O Telmo saiu na estação errada – ba-na-na. Esperámos mais de meia hora por um fino – imperial. O Ricardo perdeu o dinheiro. Mais meia hora por outro fino – e nós estávamos com tanta sede. O dinheiro aparece pelas mãos de um turista. Os mimos da Carla – a minha soulmate. Jantámos rápido. Corremos para as portas do Meo Arena. Deep Purple vai começar.

Quando comecei a pensar em arranjar bilhete para o concerto, já sabia que os meus pais também por lá iam andar – felizmente tenho a sorte de poder dizer que cresci a ouvir música incrível. É giro ter ido com eles. Mas é muito mais giro saber que eles continuam a ir pela música. A média de idades devia andar na casa dos 50. Ao meu lado estava um casal: ela com 55 anos, provavelmente, e ele, talvez, a rondar os 60. As pessoas mais simpáticas que conheci nos últimos tempos. Apenas simpáticos, não demasiado simpáticos. Consoante o concerto ia avançando eles estavam cada vez mais apaixonados – acho que voltaram a ser adolescentes por uns momentos.

Continuo a achar o Meo Areno um espaço feio. Gosto de locais mais dramáticos e menos industrializados. E acho que se o mesmo concerto fosse no Campo Pequeno ou no Coliseu dos Recreios tinha sido ainda melhor. Ian Gillan mostrou que a idade não tem absolutamente nada a ver com a energia, e em palco exibiu uma voz que continua intocável. Ninguém pode dizer que as expectativas foram defraudadas. Aliás, é caso para dizer que “velhos são os trapos”. Entre as músicas do último álbum iam surgindo os velhos clássicos que deixavam a multidão ao rubro – acredito que o day after deve ter sido bem complicado para alguns. “Perfect Strangers”, “Lazy”, “Smoke on the Water”, “Hush” ou “Black Night” fizeram magia. Perante uma Meo Arena quase esgotada, Don Airey (teclas), no seu habitual solo, ainda brindou os fãs portugueses com o tema “Cheira bem, cheira a Lisboa”. Boa disposição.

O casal continua a dançar. A abraçar-se. A segredar palavras ao ouvido, com direito a sorrisos – adolescências. Mas para quem esperava por “Chid in Time” – como eu – ou “Speed King”, soube a pouco. Os momentos como o solo de baixo do Roger Glover, já no encore, compensaram.

Quando o concerto terminou o casal beijou-se – e  parecia o primeiro beijo. Pensei para mim: Será isto o amor?

 

Alinhamento do concerto de Deep Purple – The Long Goodbye Tour:

Time For Bedlam
Fireball
Bloodsucker
Strange Kind Of Woman
Johnny’s Band
Uncommon Man
The Surprising
Lazy
Birds Of Prey
Hell To Pay
Don Airey Keyboard Solo
Perfect Strangers
Space Truckin’
Smoke On The Water

Encore:

Hush
Roger Glover bass solo
Black Night

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Nasceu em 1985, estudou Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra e participou num curso de formação em Jornalismo e Crítica Musical. Passa os dias a ouvir música, adora assistir a concertos e sonha viajar pelo mundo com uma mochila às costas.