População do Carriço denuncia alegado crime ambiental

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Moradores alertam para crime ambiental. Em causa estão descargas de resíduos na zona da Mata do Urso. A população está preocupada com a contaminação dos solos e dos leitos de água. Num raio de 700 metros existem dois furos de captação de água, um da responsabilidade da Câmara Municipal de Pombal e outro que abastece uma empresa de grandes dimensões. A Guarda Nacional Republicana já entregou o caso ao Departamento de Instrução e Acção Penal (DIAP) de Pombal, onde estão a decorrer diligências de investigação.

Moradores da freguesia do Carriço estão preocupados e denunciam uma alegada situação de crime ambiental na Mata do Urso, junto aos furos de captação de água da autarquia pombalense e de outro que abastece um complexo industrial próximo. O perigo de contaminação dos solos e dos lençóis de água subterrâneos é um dos grandes problemas que apontam os habitantes, que afirmam sentir-se inseguros ao consumir água da rede pública.
Um dos populares adianta tratarem-se de veículos afectos a uma “grande empresa da região”, que já era detentora de terrenos na zona da Mata do Urso, e que “depois dos incêndios que destruíram esta região, em 2017, acabaram por comprar outros espaços pegados aos que já tinham”, e que transportam detritos “para o meio do pinhal, numa zona descampada e longe de olhares”.
O mesmo habitante acrescenta que “depois da situação ter sido reportada, e das entidades camarárias terem estado no local, há cerca de três ou quatro meses, as movimentações de camiões acalmaram”. No entanto, acrescenta que “há umas semanas atrás reiniciaram as descargas” e “durante uns dias voltaram a passar dezenas de camiões carregados de detritos”, que “deixavam um cheiro nauseabundo no ar”.
“Já percebemos que alguns dos resíduos ali largados são pedras”, mas admite que “há veículos que transportam outro tipo de detritos”, os que “deixam o ar irrespirável, de tão mal que cheira”. Segundo a mesma fonte, os detritos “devem ser oriundos de uma Estação de Tratamento de Resíduos”, uma vez que no local se conseguem ver “tomateiros a nascer e a dar fruto”, o que demonstra que “não se tratam apenas de detritos sólidos, de cimento e pedra”, como “querem que achemos que é”, e avança que “este tipo de vegetação, que nasceu depois dos resíduos terem sido enterrados, é uma prova flagrante de que o que vemos naquele local é um crime ambiental gravíssimo”, que “querem camuflar”, relata.
A situação foi reportada à Junta de Freguesia do Carriço, que “encaminhou prontamente as denuncias às entidades competentes”, revela Pedro Silva, presidente da Junta de Freguesia, que garante estar “muito atento e alerta” para à situação. Também o município confirma que “tomou conhecimento do sucedido e reuniu uma equipa constituída por técnicos da autarquia, Guarda Nacional Republicana e Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro, que se deslocaram de imediato ao local”. No entanto, assegura que “não se registou qualquer situação de risco para a Saúde Pública, situação confirmada pela APA – Agência Portuguesa do Ambiente, e que não se alterou desde então”.
A Câmara Municipal de Pombal adianta que “desde que foi dado o alerta, o Município mantém-se atento e a acompanhar a situação com a realização de análises regulares à água” e esclarece que, “na sequência desta situação, a GNR, através do SEPNA, elaborou um auto de notícia de crime de poluição ambiental, que foi encaminhado para Tribunal”.
Contactada pelo Pombal Jornal, a Guarda Nacional Republicana, “através do Comandante, confirma indícios susceptíveis de eventual prática de um crime de poluição ambiental na freguesia do Carriço, concelho de Pombal” e esclarece que “os indícios foram verificados pelo Núcleo de Protecção Ambiental de Pombal, do destacamento de Pombal e entregues no Departamento de Instrução e Acção Penal (DIAP) de Pombal, onde estão a decorrer diligências de investigação”, finaliza.