Um grupo de populares, depois de tomar conhecimento das dificuldades económicas vivenciadas pelo Lar de S. José do Centro Social e Paroquial da Ilha, decidiu arregaçar as mangas e criar uma ‘horta comunitária’ de onde esperam colher cerca de 200 sacos de batatas que irão ser oferecidos à instituição.

Depois de saber que o Lar de S. José do Centro Social e Paroquial da Ilha vive momentos de dificuldade económica, Maria da Piedade Pinto, ou Maria Pinta, como é mais conhecida, lembrou-se de comprar um saco de batatas para oferecer à instituição. A ideia tomou contornos de maiores dimensões e converteu-se numa horta comunitária de onde podem, se o ano for favorável, sair mais de cinco toneladas de batatas, que revertem, na totalidade, a favor da instituição.
“Para dizer a verdade, estava deitada no sofá, a descansar um bocadinho, quando me lembrei que podia comprar um saco de batatas para oferecer ao Lar”, revela, “uns dias depois, falei com as funcionárias”, que lhe responderam: “isso é como se perguntasse a um cego se quer ver”. No entanto, e depois de conversar com a amiga Saudade Domingues, “achámos podia ser uma ideia melhor se comprássemos batatas de sementeira, fazíamos o cultivo” e doavam o resultado da plantação a favor do Lar de S. José. Cada uma comprou um saco de 25 quilogramas.
A iniciativa chegou aos ouvidos dos vizinhos e amigos, que prontamente se associaram à causa, “quando começámos a falar com outras pessoas sobre o assunto, todos nos disseram que contribuíam com alguma coisa”, desde mão-de-obra, adubos, batatas, ou até mesmo o terreno, ao todo são mais de duas dezenas de moradores, da Ilha, na União das Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca, envolvidos no projecto.
“O terreno foi cedido pelo senhor Amaro Moderno, mais conhecido por Ti Mário, o senhor Plácido estrumou e fresou a terra, o Joaquim Chá abriu os regos”, conta Maria Pinta, enquanto revela que houve quem comprasse mais batata de sementeira, e até quem oferecesse algum dinheiro para adquirir “adubo e outros produtos”, como é o caso do “Cláudio Carvalho, que não tinha disponibilidade para vir ajudar a fazer a plantação, mas que queria contribuir”.
No total, na tarde do último sábado, 9 de Março, plantaram-se seis sacos de batatas, o que “se tudo correr bem, esperamos que saiam daqui cerca de 200 sacos de batatas que vão ser entregues ao Lar”. No terreno contavam-se cerca de duas dezenas de agricultores de todas as idades, cheios de boa disposição e com uma vontade comum: “ajudar quem mais precisa”.
“Na Ilha somos todos muito unidos, as pessoas são muito amigas e ficam contentes por saber que estão a ajudar o próximo”, conta. “Ao olhar para este terreno só consigo sentir felicidade: felicidade por saber que tantos se interessam pela causa”. Para as mentoras da iniciativa a “ajuda apesar de ser pequena, e sabemos bem que é pequena, é muito sentida e todos se empenharam muito”, e asseguram que a notícia foi muito bem recebida pela instituição que “está muito feliz por receber este apoio, e o Senhor Padre António Nogueira, presidente do Centro Social, também ficou muito sensibilizado com este gesto”.
O São Pedro ajudou, e a plantação foi feita sob um sol brilhante e um dia com cheiro de Primavera. Agora é aguardar pacientemente, durante “cerca de três meses”, até que se possam arrancar e colher as deliciosas batatas que foram plantadas com “tanto amor”. Pelo meio, ainda há muito trabalho a fazer, e “voltamos a reunir-nos para sachar”, e há também quem esteja responsável pelo sulfato. A tarde finalizou-se com um lanche convívio, onde nem o cansaço da labuta agrícola roubou os sorrisos.