Pombalenses prometem fazer história no Basquetebol de Leiria

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Inverno cerrado, mas um dia de sol para Pedro Brilhante. Estávamos no final de 2020 quando a vida do pombalense prometia ficar escrita nas linhas da Associação de Basquetebol de Leiria (ABL), por quatro anos.
No dia 21 de Dezembro de 2020, a direcção da Associação ganhou um novo presidente. Pedro Brilhante é o primeiro pombalense a assumir a liderança “e esse é um facto que me deixa muito orgulhoso e, ao mesmo tempo, me dá uma grande responsabilidade”, declara.
Para além do presidente, mais quatro pombalenses ingressam nos órgãos sociais e vêm para fazer história: era a primeira vez que os órgãos da ABL tinham tantos filhos da terra. “Pombal tem muita gente capaz e competente para liderar os destinos de Associações Desportivas com a dimensão que estas assumem e ajudar a reforçar esse caminho é algo que me deixa muito satisfeito”, afirma o dirigente.

Tierri Canelas e Catarina Costa já faziam parte da direcção anterior, Pedro Brilhante assumiu a presidência e Celso Casinha é o Director Técnico Regional

A acompanhar Pedro Brilhante na direcção estão mais dois pombalenses: Tierri Canelas e Catarina Costa, que já faziam parte da direcção anterior. Para além destes, também o cargo de presidente do Conselho de Disciplina está entregue a outro pombalense, João Carreira, bem como o de Director Técnico Regional, coordenado por Celso Casinha, “uma figura muito respeitada no panorama nacional e uma das que mais trabalho desenvolve na prossecução do desenvolvimento da modalidade”. São ambos “pessoas de grande competência e profissionalismo que temos a sorte de manter ligados à modalidade”, acrescenta Pedro Brilhante, assumindo que “Pombal está muito bem representado em número e em qualidade no nosso basquetebol”.

Trajecto iniciado aos 10 anos
Pedro Brilhante começou a sua jornada tinha apenas 10 anos, quando se tornou atleta de minibasquete no Núcleo Desporto Amador de Pombal (NDAP). Aqui, cultivou a paixão pelo desporto durante seis anos, tendo passado “pelo (já extinto) Basquete Clube de Pombal”. Quando se mudou para o NDAP, “estava há um ano no Sporting de Pombal, tinha já dedicado quatro anos ao ténis e um par de anos ao Karaté. Sempre estive ligado ao desporto por influência do meu pai, que foi jogador internacional na modalidade de voleibol, mas que sempre nos incentivou a experimentar vários desportos”. Apesar destas incursões, acabaria por se render ao basquetebol, modalidade que jogou até aos 22 anos e lhe deu a possibilidade “de correr o país a jogar e de viver algumas das melhores experiências da minha vida”, recorda.
Entre aulas e viagens de comboio, foi já como júnior, na Académica de Coimbra, que teve oportunidade de disputar um “campeonato mais competitivo”. Nos primeiros anos, o jovem atleta fazia quatro viagens de comboio por semana até à cidade dos estudantes, depois das aulas, “para poder treinar durante a semana e jogar ao fim-de-semana”. Nos anos seguintes, e já como aluno da Universidade, “passei a poder estar mais próximo do pavilhão. Joguei nos escalões de Juniores B e Juniores A e ainda passei pela equipa Sénior B da Académica”.
Decidiu deixar de jogar aos 22 anos, “já depois de uma operação ao ombro que me obrigou a parar um ano inteiro. Ainda regressei mais uma época mas não podendo competir no mesmo nível, decidi encerrar aquele capítulo da minha vida”. Desse longo período de ligação ao basquetebol, ficam memórias de “anos absolutamente fantásticos e que me proporcionaram algumas das experiências mais marcantes que tive a sorte de viver”, salienta Pedro Brilhante.

De jogador a presidente
Ao currículo do ex-atleta soma-se agora uma nova missão: presidir à direcção da ABL. Um desafio que Pedro Brilhante diz ter surgido “com muita naturalidade, fruto da história que viveu na modalidade, enquanto praticante, mas também o percurso que cultivou depois disso, “sempre com alguma ligação ao basquetebol”, fosse através das amizades que perduraram, fosse através de “cargos de responsabilidade, incorporando equipas nuns casos e liderando noutros, o que me colocou numa posição natural para poder ocupar um cargo como este numa dada altura da minha vida”.
“Depois de deixar a vereação do Desporto no Município de Pombal – deixando de existir essa incompatibilidade – e tendo surgido a oportunidade de liderar um projeco com esta dimensão e de ter a oportunidade de ajudar ao desenvolvimento sustentado da modalidade desportiva que tanto gosto, não hesitei em abraçar este projecto e reuni uma equipa extraordinária e representativa do nosso distrito de Leiria”, conta. Nessa medida, “é com grande espírito de missão que encaramos este projeto e temos a forte convicção de que temos a capacidade de ajudar os nossos clubes a desenvolver o basquetebol no nosso distrito e torná-lo numa referência no panorama nacional”, afirma.

Objectivos para o mandato
Entre a estratégia definida para o imediato, Pedro Brilhante aponta aquilo que é, para já, prioritário: “preparar a modalidade para poder voltar ao activo ainda durante esta época desportiva, caso nos seja permitido”, considerando “fundamental que estejamos prontos para voltar aos pavilhões e que consigamos manter a modalidade activa e fortalecida no espírito desportivo que nos move.
Quanto aos objectivos para o mandato, assentes em três pilares, o primeiro passa pela “aposta nos escalões de base, sobretudo no minibasquete, assegurando o aumento sustentado do número de praticantes no futuro”, com o intuito de “fazer crescer o basquetebol no distrito”. Para isso, refere o dirigente, é preciso “fortalecer a base da pirâmide que sustenta toda a restante cadeia desportiva para os escalões seguintes”. O segundo pilar é o formativo, com uma aposta na formação dos quadros técnicos e reforço dos momentos de formação conjunta entre toda a comunidade do basquetebol. O terceiro pilar está direccionado para o “desenvolvimento da prática informal da modalidade, apostando em tornar o nosso distrito no território com mais campos de Basket Art 3×3 do país”. Para isso, a direcção quer “desenvolver este projecto de dimensão regional em conjunto com as nossas autarquias e com a participação activa dos nossos clubes e o envolvimento fundamental da nossa federação”. Pedro Brilhante assume tratar-se de “um projecto ambicioso que vai permitir a afirmação da região como um território de grande desenvolvimento do fenómeno desportivo” e que “abrirá a possibilidade de podermos manter a actividade desportiva do basquetebol durante todo o ano, aproveitando estes campos para realizar provas abertas a toda a população, convidando-a a participar connosco”. O presidente da ABL diz que a intenção é “desenvolver o basquetebol” no distrito, mas gostaria que “essa aposta” fosse “alinhada com o movimento de crescimento desportivo em toda a região, envolvendo todas as modalidades”.

O trabalho inicial fora de campo
Os primeiros três meses da nova direcção “foram de trabalho intenso e de grande dedicação aos clubes e ao planeamento do desejado regresso. Começámos, desde logo, a reunir com cada um dos 13 clubes em reuniões individuais para percebermos o ‘estado da arte’, as dificuldades e as expectativas futuras de cada um deles”, descreve Pedro Brilhante. Este ciclo dará origem a dois documentos “um de cariz analítico para entregarmos à federação, com um conjunto de propostas que acreditamos serem fundamentais para o futuro da modalidade, e um outro mais estratégico, onde vamos definir o nosso contracto de compromisso com os clubes do nosso distrito para os quatro anos de mandato.”
Para além destas reuniões, e de forma a que os atletas continuem ligados “à modalidade nesta altura pandémica e de restrições”, a equipa assenta esforços noutras iniciativas, estando a desenvolver “duas acções de competição on-line” com os clubes associados e juntando também um patamar competitivo, supra-distrital. “Por fim, temos mantido um ritmo de reuniões muito significativo com a Federação Portuguesa de Basquetebol, quer no âmbito técnico, quer no âmbito directivo, para alinharmos as nossas estratégias e os elementos futuros para a modalidade”, termina.