Orquestra Marquês de Pombal dá-se a conhecer em concerto

0
5602
O maestro Alberto Roque coordena a recém-formada Orquestra Marquês de Pombal

O segredo está desvendado. Afinal aquele “I” que servia de assento a um ‘homem’ pensativo não era o símbolo de nenhuma loja nova, não se tratava de uma seita religiosa e também não se trata de novo órgão de comunicação social. O logótipo preto que correu ruas e vielas da cidade é nada mais, nada menos que a imagem da mais recente associação criada no concelho: a Ideias Ousadas.

Ousada foi a forma como atraíram a curiosidade dos pombalenses e ousada é a própria Associação, que se vai focar nas Artes, e que pretende ser “uma lufada de criatividade alegre e encorajadora”. Nasceu do sonho um “grupo que faz jus ao muito talento que nasce e vive por estas terras”, que olha para as “Artes e para a Cultura com a sabedoria de quem contempla um Universo” e que quer “proporcionar aos criativos um espaço que lhes permita não só a apresentação dos seus projectos à população, como um espaço de aprendizagem e fruição, que pode acontecer das mais variadas formas, quanto mais Ousados, melhor.”
Se falamos em ousadia, então devemos começar por explicar que esta Associação tem várias valências. Para começar duas delas estão desvendadas: a Sketch, que vai ser oficialmente apresentada à comunidade a 6 de Maio, na sede da Associação Desportiva e de Acção Cultural da Charneca (ADAC), e que promete ser uma “(Re)União de Artes”, com direito a exposições, mostras e performances de vários artistas. O evento tem início às 21h00. Outra das valências é a Orquestra Marquês de Pombal (OMP), constituída por “jovens do distrito de Leiria formados em Música”, explica Bruno Figueira, um dos mentores da Ideias Ousadas. A OMP pretende ser a “primeira a Orquestra de Sopros profissional em Portugal, um país muito rico na formação musical de sopros amadoras”, e porque neste momento “não existe nenhum projecto que represente a realidade profissionalizada de orquestra”. Na maioria “dos casos, depois de vários anos de formação, os músicos vêem-se forçados a recorrer a carreiras como professores de música, só porque não têm opções profissionais como músicos propriamente ditos”, lamenta o mentor do projecto.
No “distrito de Leiria temos músicos com capacidades excepcionais, dos melhores do nosso país e do mundo”, por isso a constituição desta orquestra vai “permitir absorver e rodar, criteriosa e ponderadamente, o talento dos jovens formados nos conservatórios e das escolas profissionais”.
Dito e feito: a OMP pegou em quase meia centena de músicos do distrito de Leiria e juntou-os para a formação desta orquestra. Como o projecto é recente e ainda não consegue ter um espaço físico os ensaios fazem-se na sala naquela que é uma das maiores incubadoras de arte musical na cidade: mais uma vez a ADAC tem um papel importante.
O primeiro concerto vai realizar-se no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, mas dois dias depois, a 7 de Maio, já se vai apresentar no Teatro-Cine de Pombal, onde se espera “uma casa cheia”. E a trabalhar para isso andam os músicos, que “por amor à Arte” se juntaram e trabalharam afincadamente para que tudo corra com o máximo encanto. Assim, durante o fim-de-semana passado, com a vantagem de ser prolongado, a sala de espectáculos da ADAC transformou-se numa enorme sala de ensaios, onde o entusiasmo de quem por lá andava era difícil de esconder. Foram “três dias duros”, de uma residência artística de 45 músicos, que vão culminar com as apresentações públicas em Leiria e em Pombal. Depois de tanto suspense e tanta ousadia alguém ousará faltar à chamada?

Partilhar
Artigo anteriorPombal promove-se em feira ibérica de turismo
Próximo artigoFaleceu Américo Ferreira, o “pai” das Meirinhas
Nasceu em 1985, estudou Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra e participou num curso de formação em Jornalismo e Crítica Musical. Passa os dias a ouvir música, adora assistir a concertos e sonha viajar pelo mundo com uma mochila às costas.