O reconhecimento

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Jorge Cordeiro

Não é fácil obter uma palavra de reconhecimento, um obrigado, ou os parabéns no seio de um grupo de trabalho, de uma empresa, de uma organização, por uma tarefa bem desempenhada, pela superação de objectivos (se os houver, claro!) ou por uma boa ideia.

Assim, mais difícil se espera que esse eventual reconhecimento, se traduza em aumento de remuneração, regalias ou prémios de produtividade, não raras vezes vistos como um luxo, um desperdício ou uma despesa “incomportável” e “desnecessária”.

Pode esta opinião soar a injustiça para quem reconhece o trabalho e o empenho dos outros, aspecto que se salvaguarda até porque – embora em análise empírica – quem privilegia o reconhecimento, obtém melhores resultados.

Na génese desta situação, está sobretudo uma questão de mentalidade e formação, ainda muito ligadas á mera tarefa e pouco ao desempenho, medindo todos pela mesma “bitola”. Por outro lado há quem pense que reconhecer o mérito alheio, é um sinal de fraqueza, de insegurança e de eventual perda de poder.

Por vezes, não são (salvaguardam-se as excepcções, repito!), os que mais e melhor trabalham, que se empenham na procura de soluções e que enfrentam os problemas, que mais são reconhecidos, mas antes aqueles que “topam o esquema”, mais se insinuam junto da hierarquia ou dos “contactos”, criticam em vez de proporem soluções, falam em vez de agir.

Quem está a trabalhar, tem obviamente menos tempo, para esse tipo de jogo.

Para além da falta de oportunidades de trabalho, de um estado gordo e guloso, de um país assimétrico e desigual, é também por isto que muitos portugueses emigram, procurando noutros países o reconhecimento, monetário e não só, das suas competências e desempenho, numa relação estreita com o mérito e com os resultados ou a produtividade, mesmo que em paragens mais inóspitas, longe do sol e da boa comida portuguesa.

Se isso é particularmente visível nos jovens qualificados, cosmopolitas e poliglotas, também o é em gerações mais velhas, que tentam descobrir (ou redescobrir), aos 50 anos, um reconhecimento que por cá, muitas vezes assumia um “motivador” “toma lá o ordenado mínimo e é para quem quer”.