Número de casos de vespas asiáticas aumentou nos últimos meses

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Os casos de vespas asiáticas reportados às autoridades, no concelho de Pombal, têm aumentado substancialmente nos últimos meses. Há freguesias onde o número de ninhos encontrados e notificados às autoridades “aumentou de 12, no ano passado, para mais de 100 registados este ano”.

Presidente da Pelariga numa acção de destruição de um ninho

Os primeiros avistamentos da espécie exótica invasora foram registados em Portugal em 2011, no distrito de Leiria, os primeiros dados reportam a 2015 e, até Janeiro de 2018, foram identificados seis ninhos de vespa asiática, segundo o Plano de Acção para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal. Passados cerca de quatro anos, o cenário, agora, é bem diferente. No ano de 2018, a plataforma SOS Vespa identificou 169 ninhos. A propagação da espécie pelo território nacional tem aumentado a cada mês. No caso específico de Pombal, a região está a ser engolida por este vespeiro de patas amarelas.
A autarquia tem trabalhado na remoção dos ninhos, sempre que algum caso é identificado, e há freguesias onde há registos diários, ou semanais, de novos casos. Na freguesia da Pelariga, no último mês, foram identificados dez novos casos, revela Nelson Pereira, presidente da Junta, que explica que “as pessoas estão mais atentas e por isso é normal que o número de casos continue a aumentar”. E afirma que normalmente os “ninhos estão ‘escondidos’ em árvores de grande porte”, cada vez mais próximos das populações.
O aumento do número de casos de presença de vespas asiáticas, ou velutinas, como também são conhecidas, está igualmente a preocupar os presidentes de junta de Pombal, Redinha, Vila Cã e Louriçal. As mesmas preocupações são sentidas na União das Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca e na União de Freguesias de Santiago e São Simão de Litém e Albergaria dos Doze.

“A informação que chega às pessoas não é muito assertiva, nem tira o medo às pessoas”

Na região de Alitém é onde se tem verificado um maior registo daquele insecto. Manuel Nogueira Matos, autarca, revela que “o número de casos aumentou de 12, no ano passado, para mais de 100 registados este ano”, e explica que a população “está muito preocupada e muito atenta à situação”, por ali já se identificaram ninhos de vespas velutinas em “telheiros de arrecadações, em barracões” e em locais próximos de habitações, o que deixa os fregueses ainda mais “alerta”. O edil adianta ainda que a preocupação vai além da quantidade de insectos que tem sido registada e reportada, mas também “porque a informação que chega às pessoas não é muito assertiva, nem tira o medo às pessoas”.
A Vespa velutina, como qualquer exótica invasora, tem impactos negativos nos ecossistemas pela competição com espécies locais que ocupam os mesmos nichos. A consequência mais visível, neste caso, são as quebras de produção na apicultura, dado que a abelha do mel (Apis mellifera) é um dos principais recursos usados como alimento para as larvas.
Algumas notícias relacionam a picada deste insecto com fatalidades ocorridas recentemente. No entanto, é necessário esclarecer que apesar de dolorosa, como a de outras espécies, a sua picada só se torna potencialmente perigosa se a vítima for alérgica e desencadear um choque anafiláctico, com consequências fatais. Assim, como no caso das outras vespas, recomenda-se prudência na aproximação de uma colónia destas espécies.

“Nos últimos dois meses temos tido denuncias diárias de ninhos destas vespas”

Ao contrário do que acontece nas freguesias das Meirinhas e de Abiul, onde os responsáveis garantem que não tem havido qualquer registo de ocorrências desta natureza, na freguesia do Louriçal o cenário é completamente oposto e “nos últimos dois meses temos tido denúncias diárias de ninhos destas vespas”. Para José Manuel Marques, presidente da Junta, a “situação é alarmante”, e admite que “está de tal forma descontrolada” e “espalhada por todo lado”.
O edil conta ainda que muitos populares têm optado por colocar armadilhas nos quintais, para tentar “controlar um pouco a propagação desta praga”, e acrescenta que a situação é ainda “mais gravosa em locais onde existe fruta madura, e uvas, porque as vespas asiáticas andam à procura de alimentos”. Já na freguesia de Pombal, a autarquia avança que nos “últimos três meses, em Julho, Agosto e Setembro, foram identificados e reportados 14 casos”.

Vespa-asiática (Vespa velutina)

A Vespa velutina (ou Vespa Asiática) tem uma dimensão que varia entre os 2,5 e os 3cm de comprimento, apresenta tórax preto, face da cabeça alaranjada, abdómen preto com o quarto segmento alaranjado e listas finas alaranjadas nos restantes e patas amarelas. As vespas fundadoras, de maior dimensão, podem atingir entre os 3 e os 3,5cm de comprimento.

Vespa Europeia (Vespa cabro)

A Vespa crabro (ou Vespa Europeia) é ligeiramente maior, com comprimento variando entre os 3 e os 3,5cm, apresentando tórax e cabeça vermelho ferrugem, abdómen predominantemente amarelo, em particular os últimos quatro segmentos e patas castanhas. Também as vespas fundadoras da espécie Vespa crabro são maiores, podendo atingir mais de 4cm de comprimento.