Marco Marques recebe scooter adaptada de benemérita anónima

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Depois de sofrer uma queda de um pinheiro, enquanto trabalhava na apanha da pinha, a 6 de Fevereiro de 2005, que lhe provocou uma lesão grave na coluna, Marco Marques, natural de Almagreira, foi atirado para uma cadeira de rodas. Recebeu, recentemente, uma scooter adaptada, pelas mãos de uma benemérita que prefere o anonimato.

Corria o ano de 2005 e o calendário anunciava o dia 6 de Fevereiro. O dia estava fresco e calmo, como qualquer outra manhã de invernia. Para esse dia, Marco Marques, natural de Almagreira, tinha um objectivo: trabalhar na apanha da pinha. O trabalhador estava em cima de um pinheiro quando uma braça se partiu. Caiu de uma altura de mais de dez metros, acabando por sofrer uma lesão grave na coluna. Ficou paraplégico.
Passou os meses seguintes nos hospitais dos Covões e Pombal e no Centro de Reabilitação da Tocha, em Cantanhede. Ali, aprendeu a executar as tarefas do dia-a-dia. Mas o regresso a uma casa na qual não podia sequer movimentar-se era uma preocupação constante. “Só imaginava que ia precisar de ajuda para fazer tudo. E pensava onde iria arranjar dinheiro para conseguir transformar a casa de forma a poder viver nela”, conta, sublinhando que mais de metade da pensão que agora recebe da Segurança Social se destina aos medicamentos.
Desde esse dia, Marco Marques, de 45 anos, foi obrigado a reaprender a viver. Oriundo de uma família numerosa e com grandes carências económicas, o homem não tinha sequer condições para entrar em casa. A situação sensibilizou os autarcas do concelho. Câmara e Junta uniram esforços e adaptaram a pequena habitação, corria o ano de 2006.

“Tenho que pensar que existem outros que precisam tanto quanto eu”

Impossibilitado de andar, Marco Marques foi obrigado a alterar toda a sua vida, e depois de vários esforços conseguiu adquirir uma scooter adaptada, que lhe permitia uma maior mobilidade, no entanto, “a scooter avariou e deixei de ter essa facilidade nas deslocações”. Após vários contactos, “percebi que o valor do motor, ainda sem mão-de-obra, ficava num valor superior a 1100 euros”, e “verifiquei que uma scooter nova poderia custar por volta dos 1500 euros, pelo que optei por adquirir uma nova”. Para suprimir os custos, “a Associação de Almagreira estava a organizar um baile solidário, vendemos rifas e fizemos mais algumas acções”, que “acabaram por não ser necessárias porque tive a ajuda de uma pessoa muito boa, que anonimamente decidiu pagar a totalidade da cadeira adaptada”.
Marco Marques revela “tratar-se de uma senhora que vive no estrangeiro e que ficou muito sensibilizada com a minha situação, após alguns familiares dela lhe terem contado a minha história”. Ainda que “tenha pedido sigilo absoluto”, Marco confessa “que já lhe agradeceu telefonicamente”. Afinal, “foi uma bênção”.
Em relação ao baile solidário, o mesmo acabou por ser cancelado e “o dinheiro angariado com a venda de rifas foi doado, a meu pedido, ao Centro Social de Almagreira”, explica, ainda que admita que “as dificuldades e as prioridades são sempre muitas”. Também “tenho que pensar que existem outros que precisam tanto quanto eu” remata.