Maravilhas da Cultura Popular validadas por conselho consultivo

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O conselho consultivo das 7 Maravilhas da Cultura Popular validou as três candidaturas apresentadas pelo Município de Pombal, designadamente a Arte em Bracejo, da Ilha, a Lenda do Mouro Al-Pal-Omar e o Capacho, em bracejo, nas categorias de Artesanato, Lendas e Mitos e Artefactos, respectivamente.
O concurso visa promover o património cultural imaterial de Portugal, elevando a cultural popular a um patamar de causa pública. Está dividido em sete categorias: Artesanato; Lendas e Mitos; Festas e Feiras; Músicas e Danças; Rituais e Costumes; Procissões e Romarias; e Artefactos.
Ao apresentar três candidaturas, a Câmara Municipal de Pombal pretende potenciar aqueles “elementos distintivos do seu património cultural como factores de promoção territorial”. “Com esta candidatura, que contou com o apoio da Cooperativa Cestinhos da Ilha e da União das Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca, pretende-se também valorizar aqueles que mantêm vivas as tradições e as lendas e as transmitem de geração em geração”, considera.

Arte em Bracejo
O artesanato em bracejo é um ex-libris da localidade da Ilha, pertencente à União de Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca, do concelho de Pombal. Uma arte genuína que ao longo do tempo tem preservado a sua originalidade e identidade, testemunhando a arte de (sobre)viver em pleno contacto com a Natureza, aproveitando o que ela espontaneamente oferece.
Um saber fazer artesanal que tem subsistido pelo amor à arte do bracejo das artesãs, que criaram e trabalham na Cooperativa Cestinhos da Ilha.
O bracejo é a principal matéria-prima usada e é a base de uma produção que abrange uma diversidade de objectos, construídos mediante as técnicas do entrançado e entrelaçado, a que se associam as espirais cosidas nas largas tranças, de bom efeito decorativo, através de um cordão de junça. Objectos executados segundo antigas tecnologias, apoiadas numa utensilagem rudimentar e fruste.
Hoje, as capacheiras executam diversos modelos e vários tamanhos: capachos, suportes para guardanapos, para assadeiras e tachos, tapetes, cestos, cestas, chapéus, jarros, queijeiras, alcofas, cofos, ceiras, fruteiras e carpetes, são alguns dos produtos mais procurados de uma indústria artesanal onde tudo é feito à mão, apenas com bracejo, junça e linhol, e com instrumentos rudimentares, como dantes faziam os antigos. Um saber-fazer, original e admirável, repleto de história e tradição, que leva o nome de Pombal e da Ilha pelo mundo fora.

Mouro Al-Pal-Omar
Conta a lenda que, nos afastados tempos da conquista do território, vivia nas margens do rio Cabrunca um belo mouro, chamado Al-Pal-Omar, que tinha um palácio subterrâneo no alto de uma colina e seguia a indicação do Corão à sua maneira, querendo conquistar todas as donzelas. Um mouro belo, alto, espadaúdo, muito bem-parecido, com grandes olhos verdes, de cor da esmeralda traiçoeira e sorriso de pérola, que enobreciam a sua tonalidade bronzeada, cuja fama se estendia desde as margens do Mondego até aos campos do Tejo.
Todas as famílias procuravam esconder as donzelas casadouras da sua vista, pois as suas artes de sedução eram por todas conhecidas. Ele, que nunca tinha completo o seu harém, escolhia as mais belas e as mais prendadas, encantando-as no seu palácio com meigas artes de amor. Os homens da terra sentiam-se traídos. A honra das suas mulheres era manchada e o número de raparigas casadoiras diminuía.
Certo dia, os cavaleiros do Templo, atendendo ao pedido dos aldeões, decidiram, em nome de Cristo, pôr fim àquele encantamento. Ninguém sabia onde ficava a entrada secreta do palácio, mas felizmente, os Templários, guiados pelo arcanjo S. Miguel, deram-lhe um combate feroz, que durou até à noite sob o luar de Agosto, vendo-o desaparecer para sempre numa gruta encantada do seu palácio no alto do monte.
Para evitar que este escapasse, construíram sobre a gruta um castelo de pedra. O mouro desapareceu e nunca mais ninguém encontrou o palácio subterrâneo, mas a memória da sua existência ficou. Diz-se que o mouro continua a encantar as donzelas que ousarem ir ao castelo sozinhas após o pôr-do-sol. Hoje, ainda se avisa as raparigas para terem cautela. As mães aconselham as filhas a não se chegarem perto do castelo depois do pôr-do-sol, pois, diz-se que toda a menina desobediente que for sozinha ao castelo, ouvirá ao longe uma música suave e harmoniosa, que se virá aproximando sem dar por isso.

Capacho
O capacho é o artefacto mais antigo e característico produzido na Cooperativa Cestinhos da Ilha. Trata-se de uma base em bracejo, construída mediante as técnicas do entrançado e entrelaçado cosido. O capacho, de formato rectangular, é uma base de cor amarela, criada com cerca de 55 cm de comprimento e 32 cm de largura, apresentando uma altura de 2 cm. De cariz utilitário, é actualmente utilizado como tapete que se coloca à entrada da porta, para limpar os pés, embora tenha a sua origem numa base, utilizada para colocar os pés, depois de lavados junto ao lume numa gamela (recipiente de madeira de fundo redondo ou rectangular, usado pelos habitantes da Ilha para lavar os pés junto ao lume).

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Ingressou no jornalismo, em 1989, como colaborador no extinto “Pombal Oeste” que foi pioneiro na modernização tecnológica. Em 1992 foi convidado a integrar a redacção de “O Correio de Pombal”, onde permaneceu até 2001, quando suspendeu a profissão para ser Director de Comunicação e Marketing de um grupo empresarial de dimensão ibérica. Em 2005 regressou ao jornalismo, onde continua, até aos dias de hoje, a aprender. Ao longo destes (largos) anos de actividade, atestados pelo Carteira Profissional obtida em 1996, passou por vários jornais, uns de âmbito regional e outros nacional, onde se inclui o “Jornal de Notícias” e “Público”. Foi convidado a colaborar, de forma regular, com o “Pombal Jornal” onde se produz conteúdos das pessoas para as pessoas.