Foi escuteiro e menino do coro, frequentou a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos da América e passou por cargos de liderança em sectores estratégicos de empresas como a Moçambique Telecom, a Sonae, a Philips, ou a GFK – Growth from Knowledge, Luís Couto, regressou recentemente às origens, onde divide o tempo entre a família e a vida profissional. Acaba de escrever um ensaio, intitulado “Manifesto Eleitoral”.

Luís Couto é uma personagem singular: iniciou o percurso académico na Escola Primária da Ilha de Cima, rumou à capital para se formar em Economia, pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa, aos 21 anos já tinha visitado 21 países e aos 37 foi admitido numa das mais prestigiadas escolas do mundo: Harvard University, situada na cidade de Cambridge, nos Estados Unidos da América. Questões familiares fizeram com que trocasse o buliço das grandes metrópoles pela “qualidade de vida” da Ilha, na União das Freguesias da Guia, Ilha e mata Mourisca. Actualmente divide o tempo entre os projectos da Guisoft, empresa sediada em Leiria, “mas com fortes raízes na Guia”, e que tem como “missão criar soluções tecnologicamente evoluídas que permitam aos seus clientes melhorar a eficiência e produtividade através da administração “inteligente“, personalizada e eficiente de dados, baseados num conjunto de ferramentas e indicadores relacionados principalmente com a gestão do seu negócio”, e com a Startup “Friends to Talk”, que se encontra em fase de concepção e desenvolvimento.
Pelo meio ainda há espaço para o voluntariado, ou até para pensar questões de índole política e social, afinal, está a terminar de redigir um ensaio, ou melhor um “Manifesto Eleitoral”, onde procura respostas para a elevada taxa de abstenção, verificada ao longo dos anos, nos últimos actos eleitorais. Para o empreendedor, “é muito fácil criticar, mas é preciso pensar estas questões e encontrar soluções, ou sugestões, para que alguma coisa mude na sociedade”, por isso “se conseguir dar um contributo, por mais pequeno que seja, já sinto que estou a fazer uma parte”.

“É muito fácil criticar, mas é preciso pensar e encontrar soluções”

Para além de uma vida profissional cheia de vida, há duas vidas que se impõem no dia-a-dia deste empreendedor: as duas filhas, uma de 2 e outra de 4 anos. No processo de divórcio, Luís Couto sugeriu a residência partilhada, e nos meses que se seguiram a mãe das crianças “começou a levantar entraves”, foi nessa altura, no final de 2017, que chegou à Associação para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos, onde faz, actualmente, voluntariado, de 15 em 15 dias, e presta apoio a outros pais que vão chegando, em situação idêntica. Até essa altura nunca tinha ouvido falar de alienação parental.
Luís começou à procura de respostas para lidar com a situação, com as recusas de visita que começaram a acontecer, com o afastamento que começava a sentir e com a falta de abertura ao diálogo. “Foi quando descobri que estava a tornar-me num pai alienado, que isto era mais comum do que poderia supor. Porque a alienação vai acontecendo, aos poucos”, diz. Na altura viajava “duas ou três vezes por semana, a partir do Porto, para ver as meninas apenas algumas horas” depois percebeu que o seu percurso ‘exigia’ um regresso à terra que o viu nascer. Os olhos brilham quando fala neste retorno, e no tempo ganho com as ‘duas princesas’.
Da altura em que frequentou a Escola Primária da Ilha de Cima, Luís recorda um facto caricato: “até ao 4.º ano, apenas dois alunos não chumbaram”, um deles foi o próprio, o que demonstra a máxima que gosta de apoiar: “as origens não determinam onde podemos chegar”, e apesar de se assumir como um “privilegiado, não só ao nível familiar”, seria “pouco provável pensar, há 30 anos atrás, que um miúdo daquela turma viria a frequentar uma das mais reconhecidas universidades de mundo”, iria partilhar momentos com “astronautas, que estiveram 300 dias no espaço”, ou ter como professores “alguns dos conselheiros de Barack Obama”.
Prestes a celebrar 40 anos de idade, o pombalense já perdeu a conta ao número de países que visitou, e é detentor de um currículo invejável, de onde constam cargos de liderança sectores estratégicos de empresas como a Moçambique Telecom, a Sonae, a Philips, ou a GFK – Growth from Knowledge, onde trabalhou com “uma carteira de clientes de 50 milhões de dólares”. Em tenra idade ajudou a fundar a JSD do Oeste, e ainda teve assento, como deputado, na Assembleia Municipal de Pombal, experiência que “não gostou” e que o “deixou decepcionado”, mas que lhe permitiu “dar mais valor a quem ocupa estes cargos políticos”, afinal “percebi que as exigências são muito grandes e é preciso ter uma disponibilidade ainda maior para a causa pública”.
A quantidade de experiências que vai acumulando é directamente proporcional à humildade que irradia, e que diz ter adquirido no seio familiar, com “uma edução muito próxima”, e relembra o avô, o primeiro presidente de junta, pós 25 de Abril, da freguesia de Carnide, que “era um homem de uma humildade extrema” e que nos passou princípios importantes e um sentido de missão social que guarda até aos dias de hoje.

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Nasceu em 1985, estudou Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra e participou num curso de formação em Jornalismo e Crítica Musical. Passa os dias a ouvir música, adora assistir a concertos e sonha viajar pelo mundo com uma mochila às costas.