Junta de Abiul continua a gerir Praça de Touros

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A gestão da Praça de Touros de Abiul continuará a ser da responsabilidade da Junta de Freguesia local, incluindo a gestão do próprio espaço, gestão financeira, elaboração de cartéis e a organização de actividades e eventos.

No que respeita à organização dos espectáculos tauromáquicos, também continuam a ser da responsabilidade da Junta, mas foi estabelecido um protocolo de colaboração com o empresário Paulo Pessoa de Carvalho, que irá dar apoio técnico e agilizar contactos, prestando serviços de consultoria.

Paulo Pessoa de Carvalho, ex-forcado e Presidente da Associação de Empresários Taurinos, tem uma vasta experiência na organização de eventos. Em 1989 começou a organizar algumas corridas, mas só a partir de 1991 começou a trabalhar ininterruptamente como empresário taurino. Em 1990 ficou responsável pela gestão da Praça das Caldas da Rainha e actualmente gere as Praças da Azambuja, de Arronches e de Vinhais (Bragança).

PJ – Tem um significado especial tratar-se da praça de toiros mais antiga do país?

PPC – Tem, com toda a certeza! Por ser uma praça de toiros com uma história única, por estar onde está, num local com uma afición tão grande e, aparentemente, já no limite da chamada região taurina, longe do Alentejo e do Ribatejo. É uma responsabilidade terem depositado em mim confiança para ajudar a que Abiul se eleve ainda mais no panorama taurino nacional. Na verdade, se fosse uma praça de toiros recém-estreada, o trabalho a fazer seria igualmente de seriedade mas, neste caso, temos a HISTÓRIA por trás, uma grande HISTÓRIA, à qual não podemos ficar indiferentes e que me deixa uma carga acrescida de responsabilidade. Não há margem para erro.

PJ – Tendo em conta que há cada vez mais pessoas a lutar contra o espectáculo taurino, invocando especialmente a questão dos animais, considera que este tem sido afectado? Ou antes pelo contrário, tem ganho força na preservação da tradição?

PPC – Bem, vou tentar responder a esta questão de uma forma clara e objectiva. Com toda a sinceridade, não sei se há mais pessoas a lutar contra o espectáculo taurino. Aliás, penso que não. O que sei é que há enormes lóbis e interesses financeiros por trás dos teoricamente protectores dos animais, o que lhes dá um eco desproporcionado da realidade, além de que é politicamente correcto ser contra as touradas. Se efectivamente faz mossa? Acho que, acima de tudo, incomoda e deixa claramente ver que há uma grande desigualdade de oportunidade e de tempo de antena nos órgãos de comunicação social.

De todo o modo, em termos de apoios e patrocínios das grandes marcas, tem havido uma retracção, pois os “latidos” e “uivos” assustam, e as pessoas tomam muitas vezes posições de neutralidade, em vez de assumirem as suas convicções, com medo de verem a sua marca penalizada comercialmente.

No entanto, em termos de público, tem funcionado um pouco não contrário. As pessoas têm ido mais aos toiros, naturalmente, dentro das suas possibilidades económicas, mas o número de espectadores tem aumentado.

Em resumo, entre prós e contras, a coisa deve andar ela por ela. Por um lado, menos patrocínios, mas que na verdade, também e muito, têm a ver com a actual conjuntura económica nacional e internacional que vivemos. Por outro lado, mais público, com muita gente nova a querer ir aos toiros e numa clara renovação de público aficionado. Estou certo que esta, além de ser uma tradição forte na identidade do povo português, o espectáculo taurino é, e será, pelos valores que alberga, uma tradição que irá perdurar no tempo e trazer memórias da nossa lusitanidade e identidade nacional!

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