Nuno Lopes é um jovem pombalense que acaba de participar na primeira fase da competição que elege o melhor bartender do Mundo, um concurso promovido pela Diageo Reserve, que representa algumas das mais importantes marcas de bebidas de luxo, o World Class Italia.

Com 27 anos, e preste a ser pai, Nuno Lopes, acaba de saber que não passou à primeira fase da competição do World Class Italia, um evento que reúne alguns dos melhores mestres na arte dos cocktails. O jovem pombalense explica que “não é a primeira vez” que participa na competição, uma vez que no ano anterior consegui “chegar às meias finais” do concurso, a nível nacional, e de onde saem os concorrentes para o evento final. “Na altura correu bastante bem”, conta, “e como estava a competir só com outros concorrentes nacionais, foi mais acessível”.
Este ano, após ter mudado de malas e bagagens para Itália, por motivos pessoais, o jovem decidiu competir no país que o acolhe, “o que elevou bastante a fasquia”, afinal “aqui existe uma cultura muito mais voltada para os cocktails e os profissionais atingem outros níveis de excelência na execução das bebidas”, ainda assim Nuno Lopes não perde a motivação e afirma que esta “exigência ainda me motiva mais para alcançar novos patamares”.
O jovem pombalense apresentou, na competição, dois cocktails com inspirações distintas, um deles, o Cato The Elder, “que pretende contar aos italianos uma coisa sobre eles que quase ninguém conhece: o cheesecake. Este coquetel é uma honra para Cato, um senador romano, que escreveu a primeira receita desta iguaria “em torno do século V”, o outro, o Scathach, criado para “contar uma pequena história sobre a Escócia, aquele país maravilhoso que produz e cria um produto tão bonito como Talisker”, o whisky utilizado na base daquele cocktail.
Nuno Lopes revela que “a maior parte das pessoas não tem a noção do trabalho e da pesquisa que é feito para criar uma bebida desta natureza”, e lamenta que “muitas vezes não seja dado o devido valor”, no entanto ressalva que o “importante é que a pessoa fique satisfeita com o que acabou de provar”. O jovem admite que “em Portugal ainda não existe uma sensibilidade muito grande para o consumo destes produtos”, ainda que afirme que “as mentalidades estão a mudar e há cada vez mais interesse e procura”.
O bartender iniciou o seu percurso escolar em Pombal, até ingressar no ensino superior, onde frequentou o curso de Engenharia Mecânica, que acabou por não concluir por não se sentir “feliz e idealizado”, na altura “trabalhava em bares” e decidiu apostar “naquilo que gostava de fazer”, procurou cursos e formações e a cada etapa que concluía “percebia cada vez melhor que tinha feito a opção certa”, afinal “descobri todo um mundo novo, cheio de interesses e com a qual me identifico totalmente”, no entanto, ressalva que “ainda tenho muito para aprofundar, também”, garante. Actualmente serve cocktails de sabores indiscritíveis no Baxter, um bar em Milão, Itália.
De resto, é tudo “uma questão de saber levar o cliente onde se quer”. Não acredita na arte mágica de adivinhar que bebida alguém precisa, escassos segundos depois de se aproximar do balcão. Mas, mais conversa menos conversa, acaba por acertar nos gostos dos clientes.