HIC ET NUNC | Desenvolvimento Sustentável

0
660

Pombal mereceu pelo quarto ano, o prémio de 𝗠𝘂𝗻𝗶𝗰𝗶́𝗽𝗶𝗼 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝘀𝘂𝘀𝘁𝗲𝗻𝘁𝗮́𝘃𝗲𝗹 𝗱𝗼 𝗣𝗮𝗶́𝘀, no âmbito do programa Bandeira Verde (ECOXXI), um projeto que identifica e reconhece as boas práticas ambientais e sociais dos municípios portugueses, coordenado pela ABAAE – Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação. Em.2023 foram 66 os municípios que se candidataram, dos 308 existentes, tendo sido atribuídos 59 galardões.
Composto por 21 indicadores de sustentabilidade local, este programa pretende avaliar a prestação dos municípios, reconhecendo como eco-municípios os que demonstram a implementação de boas práticas, políticas e ações em torno de alguns temas considerados chave.
Dos indicadores em que Pombal mereceu destaque, existe um que me deixou particularmente intrigado quanto à forma como é desenvolvida esta avaliação e ao qual já tenho dedicado algumas linhas nestas crónicas:
20 – Agricultura Sustentável e Desenvolvimento Rural

Desde que foi eleito, o presidente do Município de Pombal utiliza frequentemente, diria mesmo por tudo e por nada, a expressão ODS.
Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que foram estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015, compõem uma agenda mundial para a construção e implementação de políticas públicas que visam guiar a humanidade até 2030 e assentam em cinco pilares, Pessoas, Planeta, Prosperidade, Paz e Parcerias.
Segundo as nossas instituições oficiais, os ODS constituem uma oportunidade única e necessária para apoiar um crescimento sustentável, regenerativo e inclusivo, sem o qual será impossível fazer face à emergência climática, à perda galopante de biodiversidade e às desigualdades e assimetrias sociais.

Em Pombal temos um funcionamento um Observatório local dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que, segundo o município, fortalecerá as comunidades e as empresas, tornando-as mais competitivas e melhor preparadas para fazer face aos desafios ambientais, económicos e sociais.

Todos os programas, planos e galardões que levem os governantes a aplicar as medidas necessárias para o desenvolvimento do território são positivos e de enaltecer, no entanto a política não se deve esgotar nesses objetivos mais ou menos genéricos, transversais à nossa sociedade, à UE ou ao País.

Num município:
– que faz parte da Serra de Sicó, a qual tarda em ter a classificação adequada e que continua a ser esventrada numa exploração que não parece ter um fim à vista,
– que tem uma ETAR na sua sede, desatualizada e insuficiente para responder às necessidades dos seus munícipes e do seu parque industrial,
– onde as descargas para o rio Arunca e não só, por efluentes não tratados e não cadastrados, se mantêm,
– onde se continuam a plantar árvores exóticas em obras de requalificação executadas pelo município como foi o caso neste ano do Largo Almirante Silva Ribeiro, junto à estação de camionagem da cidade,
– onde o projeto Ecomatur e a preservação das lagoas húmidas da mata do Urso tarda em se concretizar,
– onde são plantados centenas de pinheiros numa ação de reflorestação que mais parece uma encenação cinéfila, para depois serem abandonados,
– onde a maioria dos campos agrícolas e das florestas estão ao abandono,
– …………….

Onde está o desenvolvimento sustentável?

Aos nossos autarcas pede-se maior atenção ao detalhe e às necessidades dos seus munícipes, para além de proporcionarem a todos, momentos de divertimento e convívio.

Telmo Lopes
Presidente concelhia
CDS-PP Pombal