HIC ET NUNC | A nossa Liberdade

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Quis a humanidade que nos últimos dias se tenham assinalado duas datas com grande importância e significado para o nosso País.
O 1º de Maio, de cariz internacional, simboliza o trabalho com direitos e a luta contra a exploração da pessoa humana assim como a defesa da sua dignidade.
A sua origem remonta ao ano de 1886 e às lutas por melhores condições laborais encetadas em Chicago nos EUA, numa época em que no decorrer da revolução industrial as condições de trabalho eram miseráveis.
Nesse processo de transformação a igreja católica através de uma encíclica do Papa Leão XIII em 1891 propõe algumas soluções para resolver os problemas provocados pelo capitalismo liberal e pela falta de princípios éticos nas relações socioeconómicas.
O 1º sindicato cristão surge na Alemanha em 1895 e o 1º partido democrata-cristão foi fundado em Itália por um padre católico em 1919, o partido popular italiano, que seria ilegalizado pelo regime de Mussolini em 1925.
A luta da democracia-cristã contra regimes totalitários destacou-se durante a segunda guerra mundial onde foi a principal voz interna de oposição na Alemanha de Hitler.
No 25 de Abril celebramos a queda da ditadura fascista em Portugal e a implementação da democracia no nosso País. Apesar das 1ªs eleições livres se terem realizado em Abril de 1975, só a 25 de Novembro desse ano se pode falar de alguma estabilidade democrática em Portugal após ser afastada do poder uma corrente ideológica pró-soviética que durante alguns meses estatizou grande parte da débil economia portuguesa e afastou para o exílio a maioria dos grandes empresários do nosso País.
O significado destas duas datas deve ser explicado e perpetuado no tempo, para que erros passados não se repitam.
Em ano de eleições autárquicas impõe-se uma reflexão sobre o processo de construção da nossa democracia principalmente sobre a sua base, o poder autárquico. Este é o mais próximo das pessoas e arrisco-me a dizer o mais importante para elas. No entanto a liberdade de opinião, participação política e mesmo a de voto são muitas vezes condicionadas principalmente em zonas de menor densidade urbana. O poder instituído com a sua máquina de fiéis colaboradores procura controlar a ação política adversária com o estabelecimento de uma rede de favores e benefícios que condiciona a liberdade democrática do Povo. Quase todos os cidadãos com funções laborais ou com empresas ligadas ao poder autárquico inibem-se de fazer oposição ou de contestarem as suas decisões com medo de represálias.
A nossa liberdade individual só é alcançada quando cada um de nós respeitar a opinião do outro por mais absurda ou estapafúrdia que esta pareça. Em caso algum liberdade pode significar insulto. Liberdade significa respeito, discussão de ideias e procura de consensos, Liberdade significa lutar por um bem comum, pelo bem de Todos! Não pode significar o bem de alguns só porque têm o cartão de militante de um determinado partido.
Viva a Liberdade!

Telmo Lopes
Responsável Comercial
Militante CDS-PP

*Artigo de opinião publicado na edição impressa de 06 de Maio