Há quem tenha adiado “cerca de 70 casamentos”

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São muitos os casais que passaram meses, alguns até anos, a sonhar com o dia do seu casamento. Pouparam, planearam, investiram e agora veem-se obrigados a adiar o grande sonho, devido à pandemia de Covid-19. As quintas e espaços reservados à realização deste tipo de eventos enfrenta uma crise económica séria e “é necessário encontrar alternativas que minimizem os prejuízos”.

O tempo quente traz consigo a época alta dos festejos matrimoniais e muitos são os noivos que escolhem os meses entre Maio e Outubro para assinalar o grande dia. Após meses de preparação, com a escolha do vestido, das flores ou do espaço onde se realiza a boda, são muitos os casais que vêm agora o sonho adiado, e sem nova data prevista.
Na Quinta da Concha, em Remessa, União das Freguesias de Santiago e São Simão de Litém e Albergaria dos Doze, a azáfama dos preparativos para a realização de uma festa de casamento deu lugar a um silêncio vazio. Os únicos sons que se ouvem, por esta altura, são os da natureza e do vento a tocar nas vegetações.
Por ali o silêncio já só domina os dias da semana, porque durante o fim-de-semana, “resolvemos experimentar abrir a nossa esplanada, que é enorme”, para quem quiser aparecer, revela Sérgio da Ponte, responsável. O espaço vai trabalhar, “aos sábados e domingos, das 14h00 às 20h00, com música ao vivo, DJ’s, petiscos e bebidas frescas”. A entrada é gratuita. No primeiro fim-de-semana de actividade, que se realizou a 23 e 24 de Maio, com a presença e actuação de António Rua e no domingo de Vando Barros, sendo que em ambos os dias o DJ EME também fez parte da programação, e que serviu de “experiência”, o balanço “é positivo”, isto porque “recebemos um número simpático de visitantes”, no entanto Sérgio da Ponte admite que “muitas pessoas já têm locais habituais de frequência e agora necessitamos de atrair mais público para que a iniciativa se possa continuar a realizar durante os próximos tempos”.
O responsável antecipa que para o próximo sábado, 30 de Maio, já “está agendada a actuação de Eduardo”, conhecido DJ pombalense, e que para domingo, 31 de Maio, estão a preparar a recepção de outro artista local, ainda por confirmar. “A ideia é criar uma sinergia com artistas locais”, que desta forma “também começam a voltar a desenvolver as suas actividades”, uma vez que “até agora estavam com todos os trabalhos adiados ou cancelados”, e que “podem, desta forma, obter algum rendimento financeiro”, esclarece o responsável pela Quinta da Concha.
Desta forma, a organização está a preparar mais dois dias de festa, onde todas “as normas da Direcção Geral de Saúde serão cumpridas com rigor, para que todos se sintam seguros”, garante.
No que toca à realização de casamentos, Sérgio da Ponte não nega a “esperança” em voltar a organizar eventos ainda no mês de Agosto ou Setembro, mas “tudo depende das normas a que estaremos sujeitos e à própria vontade dos casais, que também terão de aceitar as condições impostas”, esclarece. O proprietário avança que “tivemos o adiamento de cerca de 70 casamentos”, o que só por si “causa um dano catastrófico” nas finanças do empreendimento, mas “agrava se pensarmos que este ano fizemos o maior investimento desde que abrimos portas, em 2010”. Afinal “fizemos a remodelação de alguns espaços interiores e exteriores, investimos em novas decorações” e “tínhamos tudo preparado para uma época de casamentos muito preenchida”, no entanto “a pandemia apanhou-nos totalmente de surpresa”. Por agora “é preciso ajustar muita coisa”, realça.
“Sinto que os noivos de 2020 estão a viver com grande tristeza e ansiedade a decisão de adiar o enlace”, e isso “tem danos gravíssimos”, não só a nível económico, mas também nas próprias pessoas, admite o responsável.
Sérgio da Ponte assegura que “este papel de mediador é muito ingrato”, e por isso “não posso incentivar os casais a adiar a data, mas também não os posso iludir e dizer para manterem”, porque “é impossível prever como estarão as coisas nessa altura”
Também Pedro Martins, empregado na área do catering para casamentos, assegura que “o sector precisa de reorganizar-se, de preparar toda a sua estrutura para receber noivos em segurança e celebrar casamentos e de recuperar a confiança dos noivos que viram os seus sonhos desmoronar perante uma pandemia mundial. E precisa de medidas concretas e objectivas para corresponder às novas exigências”, segundo o promotor, “o impacto da covid-19 na indústria do casamento pode ser devastador para as empresas, caso não sejam tomadas medidas concretas e urgentes que permitam recuperar a confiança dos noivos e que viabilizem os casamentos, mantendo as tradições a que os portugueses estão habituados”, remata.

NOTA: Por lapso, onde se lê, na edição impressa número 182 do Pombal Jornal, que Pedro Martins é proprietário da Quinta do Ti Lucas, o correcto seria ler-se “Pedro Martins, empregado na área do catering para casamentos”, uma vez que não tem qualquer ligação ao espaço acima mencionado, tratando-se de um empresário em nome individual que desenvolve actividade no sector.