GUILHERME FERREIRA: “Ganha o PSD, perde a democracia em Pombal”

0
156

A taxa de abstenção em Pombal é surpreendente. Apenas 46,7% dos eleitores votaram no nosso concelho, numa das taxas de participação mais baixas do distrito e seguramente a nível nacional. Votaram, por cá, menos 7% das pessoas do que a média nacional e distrital. Por isso, quando Pedro Pimpão agradece à forma massiva como todos os pombalenses se mobilizaram para o eleger talvez esteja a exagerar na figura de estilo: apenas um em cada quatro pombalenses com essa possibilidade votaram nele.
A grande surpresa da noite não foi quem ganhou nem quem perdeu, mas quem apareceu de novo. A oeste do concelho consolida-se um movimento que teimou em manter-se independente e ganhou. Já sem o fundador, alargou fielmente a sua base de apoio, genuinamente popular, e consegue segurar a Junta de Freguesia da Guia, Ilha e Mata Mourisca num contexto onde o PSD tudo deu para a reconquistar. Ele foi camiões laranja, caixas do correio atulhadas com cartas de amor, um sem número de bugigangas e o querido líder concelhio dia sim dia não pela freguesia. Pedro Pimpão deu tudo por esta reconquista. Quer dizer, tudo, menos ter o bom senso de apostar em algum dos melhores jovens que este concelho já criou para cargos de decisão em Pombal, adubando ainda mais o terreno onde vai nascer a grande surpresa da noite: a eleição de um deputado municipal pela lista dos Oeste Independentes, liderada pelo Luís Couto.
Quanto ao restante, de registar a recuperação de eleitorado conseguida pelo PS para os vários órgãos, traduzida em votos e em mandatos, e com maior evidência nos resultados para a Assembleia Municipal. Ainda assim, resultados aquém dos níveis de 2013 e 2009.
Por fim, e não menos importante, BE e PCP, apesar de manterem, grosso modo, os seus votos, continuam a afirmar-se pela ausência do debate político em Pombal, agora fora da Assembleia Municipal. Também eles contribuem para a derrota da democracia em Pombal.

Guilherme Ferreira | Economista

*Artigo de opinião publicado na edição impressa de 30 de Setembro