GARECUS quer transformar antiga escola de Santiais num centro interpretativo da resina

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O objectivo do GARECUS é promover a resinagem, uma actividade que sustentava muitas famílias da região e foi desenvolvida por muitos dos alunos que outrora frequentaram a escola em Santiais.

É na antiga escola de Santiais, actualmente bastante degradada, que deverá nascer o projecto

A antiga escola primária de Santiais pode vir a ser transformada num centro interpretativo da resina, com vista a dar a conhecer às gerações mais novas a actividade da resinagem, a qual sustentava muitas famílias da região de Alitém nas décadas de 60 e 70. O GARECUS (Grupo de Acção Recreativa e Cultural de Santiais) é o promotor desta ideia, que foi bem aceite pelos executivos da Câmara Municipal de Pombal e da União de Freguesias de Santiago e São Simão de Litém e Albergaria dos Doze.
A falta de alunos ditou o encerramento da antiga escola primária de Santiais há largos anos. Desde então, o edifício está ao “abandono”, apresentando “vários sinais de degradação”, que se vão agudizando a cada dia que passa.
Assim, “para que não se perca todo o património material que neste momento ainda é possível recuperar”, o GARECUS propôs à autarquia “a renovação deste edificado histórico”, com vista a instalar ali um Centro Interpretativo da Resina, contou ao Pombal Jornal Ricardo Duarte.
Mais do que um mero museu, onde os visitantes apenas podem ver “o espólio de utensílios e equipamentos que se usavam antigamente na exploração da resina”, o Centro Interpretativo pretende ser um espaço onde se pode “restaurar, conservar, analisar, estudar e consultar todo este património”, adiantou aquele dirigente do GARECUS. Para isso, os promotores da ideia pretendem envolver na dinamização deste projecto o município, a Junta de Freguesia, empresas ligadas à actividade da resinagem e a população local.
Afinal, “a resinagem foi uma actividade económica com grande expressão nas décadas de 60, 70 e 80 um pouco por todo o concelho, em especial na aldeia Santiais e lugares limítrofes, onde centenas de famílias dependiam do rendimento proporcionado pelo trabalho dos resineiros e, em muitos casos, apresentava-se como uma forma de juntar um dinheiro extra”, salientou Ricardo Duarte.
“Esta actividade dura para homens e mulheres, que trabalhavam de sol a sol, será homenageada no Centro Interpretativo que nascerá na aldeia de Santiais, resultado da reabilitação da antiga escola primária”. Esta é pelo menos a ambição dos dirigentes do GARECUS, que pretendem converter o antigo edifício escolar num “espaço museológico que aglutinará a interpretação do valor da resina e da fileira do pinheiro-bravo”, valorizando e promovendo uma actividade que há algumas décadas ocupava os tempos livres de muitos dos alunos que frequentavam aquela escola.
O projecto, que já foi apresentado à Câmara Municipal e à União de Freguesias, prevê ainda reservar uma sala para espaço museológico, onde se poderá expor “diversos materiais e equipamentos ligados às actividades agrícolas e outras que existiram na nossa aldeia e foram desaparecendo ao longo dos tempos”.
Assim, o Centro Interpretativo poderá “preencher um vazio cultural da nossa região”, sendo mais um “ponto de interesse turístico de visita e de enriquecimento cultural”, entendem os dirigentes do GARECUS, convictos de que “importa conservar esse espólio e colocá-lo ao dispor de toda a comunidade”.

Carina Gonçalves | Jornalista

*Notícia publicada na edição impressa de 15 de Junho