Daniela Matinho: à descoberta da América do Sul

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Embarcar rumo a um destino ainda desconhecido, sem um rosto ‘amigo’ por perto ou sem a tranquilidade de um pacote de viagens onde tudo é planeado por antecipação pode parecer num primeiro momento bastante assustador. Mas, para muitos, após planearem as suas próprias ‘aventuras’ e superarem desafios, é uma paixão que nasce e, até mesmo, uma forma de descobrir algo mais sobre si mesmo. Daniela Matinho é um desses casos “estranhos”.

De Pombal seguiu para Lisboa, na mira estava o curso de Comunicação e Marketing Digital, teve oportunidade de integrar o programa Erasmus e rumou a Paris, em França. Por lá conheceu uma nova cultura, abriu horizontes e descobriu a necessidade de viver numa “capital europeia maior do que Lisboa”. Foi na ‘cidade do amor’ que iniciou uma carreira profissional estimulante e que lhe deu a oportunidade de alargar conhecimentos.

Os primeiros tempos em França não foram fáceis, e assume que teve “problemas de integração”, especialmente porque “não falava a língua, nem conhecia a cultura”, memórias que hoje em dia lhe valem alguém gargalhadas: “tenho boas anedotas para contar dos meus primeiros tempos em Paris”.

Daniela Matinho garante que “sair da nossa zona de conforto nunca é fácil, no entanto isso traz muitas vantagens: crescimento, aprendizagem, ou abertura de espírito”. No entanto, e apesar das dificuldades iniciais, a jovem de 25 anos apercebeu-se que é a viajar, a conhecer novas culturas e a contactar com diferentes povos que se sente verdadeiramente realizada e por isso começou a explorar tudo o que a rodeava.

Depois de vários anos a viver e a trabalhar em Paris, decidiu que era a altura ideal para fazer uma pausa e partir à aventura. “Há cerca de cinco anos que falava no assunto, mas havia sempre alguma coisa que impedia a viagem”, até que no ano passado “decidi que era a altura certa”.

Decidiu explorar a América do Sul sozinha, durante seis meses. A ‘coisa’ correu tão bem que teve a necessidade de estender esse prazo por mais dois meses. Por cá tivemos oportunidade de lhe seguir as passadas com a rubrica que assinava no Pombal Jornal. De mochila às costas, “não tinha um objectivo definido”, nem um trajecto estudado, tinha apenas uma vontade gigante de conhecer o que há para lá do Oceano Atlântico. Depois de vários anos a estudar e a trabalhar “foi uma viagem de colheita, e de introspecção”, onde testou os “limites emocionais e físicos”, é que viajar sozinha “nem sempre é fácil”, garante, “ainda para mais num continente perigoso como a América”.

“Foi uma viagem de colheita e de introspecção”

Durante os oito meses que ‘andou na estrada’, todos os percursos foram decididos no ‘imediato’, e tanto podia ficar vários dias, ou semanas, na mesma zona, como “podia acordar e decidir que queria seguir viagem para outra cidade, ou país”. Ando de avião, de autocarro, de comboio, e de boleia. Foi assaltada no Equador, dias antes de regressar à Europa. Temeu pela vida em alguns momentos, mas aprendeu que quando se está por conta própria é necessário “saber tomar decisões e manter a calma em situações de stress”. O resto acontece.

Não vai esquecer “o falar de Uyuni na Bolívia, o nascer do sol numa canoa na Ilha Grande, Brasil, ou os glaciares da Patagónia”. Regressou com vontade de continuar a experiência. Afirma que este ‘bichinho’ das viagens ainda ficou mais vivo, e já pensa nas próximas aventuras, mas “existem viagens que pedem mais programação do que outras; existem viagens que são mais perigosas do que outras; existem viagens que são mais caras do que outras”, por isso agora é tempo de descansar e pensar no futuro.

Regressar imediatamente a Portugal “não me parece uma opção assim como, voltar a viver em França”, e por isso a jovem pombalense está a ultimar os detalhes para mais uma mudança na sua vida, desta vez “para o outro lado do Mundo”. A Austrália vai ser a sua próxima paragem, desta vez para abraçar novos desafios profissionais, mas sempre com o Mundo na mira, que isto de viajar à aventura é coisa que lhe está no sangue.

“Às vezes sinto falta dos pastéis de nata, ou do bacalhau, mas hoje em dia é tão fácil encontrar comida portuguesa em qualquer canto do mundo”, que dá para enganar a saudade. Para os menos aventureiros, ou para quem está à procura de um estímulo para ‘se fazer à estrada’, Daniela Matinho vai documentando as viagens que faz através de um blog: www.danielamatinho.com, ou no Instagram.