DA ILUSTRE TERRA DO MARQUÊS | Mas, então… e o centro?

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Somos bombardeados, diariamente, na comunicação social, com discursos em que prevalece a dicotomia esquerda – direita, parecendo que o centro não existe. Especialmente esta esquerda que nos governa, quer transmitir a mensagem de que todo o mal reside na direita e é culpa dessa direita, tentando esquecer que a grave crise que o País atravessou foi, especialmente, provocada pelo governo de Sócrates (2008-2011) que, sendo do PS, terá que ser classificado como de esquerda.
É sabido que as expressões “esquerda” e “direita” são utilizadas, desde a Revolução Francesa, para expressar, em termos ideológicos, a posição das forças políticas. E, a ideia que prevalece em relação à esquerda é a de que defende e protege os fracos e os oprimidos, enquanto que a direita está do lado dos capitalistas. E também que a corrupção está do lado da direita, embora tudo indique que se democratizou e a esquerda também aproveita. Estas leituras têm-se consolidado em Portugal, nos dois últimos anos, graças à propaganda do atual governo das esquerdas e seus apoiantes. Ou seja, dum lado estaria a classe operária, os pobres, as pessoas com menos rendimentos, os explorados e, do outro lado, estariam os capitalistas, os patrões, os ricos. Então não existiria mais nada entre estes dois extremos, apesar de se saber que, no centro, existe uma classe média, que não se enquadra nos opostos atrás apontados.
Ora sabemos que é esta classe média que, ao centro, faz ganhar eleições, porque é numerosa e tem uma maior consciência política sobre os problemas e o modo de os resolver. Tudo parece indicar que, no nosso espetro político atual, o CDS é de direita, o PSD é de centro direita, o PS já foi de centro esquerda, agora é de esquerda e o PCP e o BE são da extrema-esquerda. Sabemos as ideias de cada partido e o modo como as põem em prática, embora fortemente condicionados pela conjuntura económica internacional, que tem sido extremamente favorável nos últimos anos, nomeadamente, com taxas de juro historicamente baixas, preço do petróleo baixo, crescimento do turismo, aumento das exportações e compra de dívida pelo BCE. Ora estas situações não são controláveis pelos governos, muito menos de um país pequeno como o nosso e, quando deixarem de se verificar, virão ao de cima as debilidades do sistema.
O Governo tem aproveitado a conjuntura favorável para distribuir benesses, favorecendo os que dependem do Estado, não cuidando do futuro, poupando nos investimentos, o que provocará uma degradação da qualidade dos serviços, que já se está a verificar num setor fundamental como é a saúde. A esquerda preocupa-se com o Estado, privilegiando tudo o que dele depende. É evidente a sua oposição à iniciativa privada – vejam-se os casos das reversões da privatização da TAP e da concessão das empresas de transportes de Lisboa e Porto – apesar de saber que é o setor privado que cria riqueza e paga os impostos que mantém o Estado a funcionar, exporta para equilibrar a balança comercial e cria emprego.
Se olharmos para os países mais desenvolvidos da Europa, onde o Estado é menos intervencionista e a economia privada funciona, os governos situam-se mais ao centro do espetro político. A dispersão eleitoral tem dificultado a formação de maiorias, dada a preocupação de ter governos estáveis, que se preocupam com o presente, mas também com o futuro. O que está a suceder na Alemanha é paradigmático: a tentativa de formar governo com partidos pequenos não resultou, porque as suas exigências são impraticáveis. Resta a governação ao centro dos dois maiores partidos, CDU e SPD, correspondentes ao PSD e ao PS cá do sítio, tal como já tinha sucedido no governo anterior. Porque, são o País e o Futuro que estão em causa.
Façamos um exercício académico simples. Se nas eleições de 2015 o PSD e o PS tivessem chegado a um acordo para formar governo, presidido pelo PSD porque tinha ganho as eleições, teria sido melhor para o País, pois este governo ao centro encontraria soluções globais, mais de acordo com o interesse nacional e da maioria dos Portugueses. Esta solução já tinha sido posta em prática no passado (1983) para resolver os graves problemas do País. Como muitos desse problemas continuam por resolver – caso contrário a dívida pública não tinha atingido os valores astronómicos atuais – parece-me que, no futuro, será esta solução que permitirá resolver esses problemas de modo estável, sustentado e duradouro.

manuel.duarte.domingues@gmail.com

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Natural de Viuveiro, Vila Cã, Pombal (1948), residente em Pombal. Licenciado em Controlo de Gestão pelo Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra. Contabilista e Consultor de empresas desde 1977, Revisor Oficial de Contas desde 1993. Fiscal Único no âmbito do Ministério da Saúde de diversos Hospitais EPE, desde 2002. Professor do Ensino Secundário (EICP) e Superior (ISCAC e ISLA). Serviço público: Oficial Miliciano de Administração Militar, Membro da Assembleia Municipal de Pombal e Presidente da Assembleia de Freguesia de Vila Cã. Cargos exercidos em associações: Vice-Presidente da Direcção da AHBVPombal; Presidente Conselho Fiscal da AICP–Associação dos Industriais do Concelho de Pombal, da AHBVP, da Santa Casa da Misericórdia de Pombal e do Sporting Clube de Pombal; Membro da Comissão Revisora Contas da Fundação Rotária Portuguesa. Livros publicados: “DA ILUSTRE TERRA DO MARQUÊS…” – 1º Volume (2011, 2ª edição 2013); 2º Volume (2016), reunindo crónicas publicadas em jornais e revistas e outros escritos, destinando-se, integralmente, o produto da venda a Instituições de Solidariedade Social.