Clarissas do Louriçal trabalham no processo de beatificação de Madre Maria do Lado

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As Clarissas do Desagravo, do Louriçal, trabalham, desde 2009, no processo de beatificação da Madre Maria do Lado, fundadora do Convento do Louriçal. Com este processo, as religiosas pretendem “dar a conhecer com uma maior profundidade”, a vida e obra da instituidora, revela a Irmã Fátima. Este é o segundo processo submetido ao Vaticano para a beatificação da religiosa, sendo que o primeiro data do século XVIII, que “ficou esquecido e perdido nos arquivos durante muitos, muitos, anos”. Espera-se agora que o processo dê seguimento ao desejo das religiosas.

A Fundadora do Mosteiro do Louriçal, e iniciadora do ramo das Clarissas do Desagravo em Portugal, “nasceu no Louriçal a 24 de Junho de 1605”. Aos 16 anos, “ ficou órfã de mãe”, e pouco depois ingressou na Ordem Franciscana, numa “entrega definitiva à vida religiosa”. Em 1630 decide, por aconselhamento do Franciscano Bernardino das Chagas, formar, com mais cinco mulheres, um Lausperene (adoração perpétua) ao Santíssimo Sacramento.
Segundo conta a Irmã Fátima, a mensagem fulcral de Madre Maria do Lado resume-se “em três palavras: adorar, venerar e exaltar”. Desta forma, “a sua vida de oração estava centrada na reparação pelos pecados do mundo”. O convento tem também um museu aberto ao público com algumas relíquias de Madre Maria do Lado, no sentido de “dar a conhecer algo da vida da fundadora”, realça a religiosa. E acrescenta que “depois da sua morte, por doença, em 1632, conhecido o seu desejo da construção de um mosteiro, lança-se a primeira pedra em 1640, no local do seu nascimento. 50 anos depois, D. Pedro II ordena a construção de um novo convento, concluído em 1708”. Antes, em 1692, já o Papa Inocêncio XII tinha dado ordem para transformar o Recolhimento em Convento de Clarissas, onde ainda hoje as irmãs da Ordem de Santa Clara vivem em clausura.
Actualmente, estas religiosas trabalham no processo “de beatificação” de Madre Maria do Lado. A comissão de trabalho foi nomeada em 2014, pelo bispo de Coimbra, D. Virgílio do Nascimento Antunes. Depois do primeiro trabalho, de “transcrição para português corrente dos documentos do processo”, a causa “tem pernas para andar”. Em Novembro de 2004, a Assembleia Plenária da CEP pronunciou-se a favor da reabertura do processo de canonização desta religiosa. A decisão veio ao encontro da intenção das irmãs do Convento do Louriçal, que têm prosseguido a causa da beatificação da fundadora da primeira comunidade religiosa daquela vila, cujo primeiro pedido de beatificação foi entregue ao Vaticano no século XVIII. “As irmãs querem que o processo decorra em ligação profunda com o bispo diocesano e com a Conferência Episcopal Portuguesa”, afirma.
Para a Irmã Fátima, “todo o processo antigo tem sido muito útil, porque há depoimentos que já têm 200 anos e que são muito mais autênticos do que os de hoje, relativamente à devoção, amizade, amor e veneração que já havia”, revelando que “o processo actual está a decorrer dentro da normalidade” e, apesar de ser “moroso”, já se encontra encaminhado. Actualmente, as Clarissas do Desagravo contam com o apoio de “cinco peritos que estão a trabalhar na Comissão Histórica”, na recolha e catalogação de toda a informação que existe em arquivos, bibliotecas e no próprio convento, para que depois possa ser integrada no processo, a fim de ser analisada na Causa dos Santos, no Vaticano, em ordem à beatificação da Madre Maria do Lado.