Centro de Apoio à Vida “A Cegonha” já amparou 221 utentes

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Criada em 2006, pela Associação Pais e Educadores Para Infância (APEPI), com a finalidade acolher, temporariamente, mulheres grávidas ou puérperas com filhos recém-nascidos, sem enquadramento familiar, o Centro de Apoio à Vida ‘A Cegonha’ já acolheu, até Novembro de 2019, 221 utentes.

Deste que foi criado, até à actualidade, o Centro de Apoio à Vida (CAV) “A Cegonha”, já acolheu 221 utentes. Actualmente estão acolhidas cinco mães, com cinco crianças e uma utente grávida, releva Sofia Seabra, Técnica de Serviço Social, e directora de serviços da APEPI.
Questionada sobre o balanço faz do trabalho desenvolvido, a responsável admite que “é muito positivo”, uma vez que “trabalhamos diariamente com situações limite, onde a gravidez e maternidade surgem muitas vezes, de forma não planeada e em mulheres sem suporte ou integradas em famílias disfuncionais”. Desta forma, Sofia Seabra fala num “desafio permanente”, onde “procuramos proporcionar um espaço de oportunidade para estas jovens reorganizarem a sua vida alicerçada em afectos, compreensão e crescimento emocional, para que possam abraçar um novo projecto de vida mais capacitadas para a maternidade”. Para a directora de serviços da instituição “felizmente são muitos os casos de sucesso”.
Tendo presente o tipo de trabalho desenvolvido, a responsável adianta que “os principais desafios com os quais a equipa se depara prendem-se com ausência de envolvimento da família nuclear e/ou alargada no projecto de vida das utentes, a Integração das utentes no mercado de trabalho, dificultada quer por falta de formação e experiência das jovens quer pelas limitações de horários uma vez que têm filhos muito pequenos”. Acrescem ainda desafios “relacionados com a personalidade de cada utente que acolhemos”, afinal “deparamo-nos muitas vezes com a resistência à mudança ancorada em comportamentos rígidos que impactam na relação mãe-filho e na relação com as outras jovens acolhidas e com a própria equipa”, esclarece.

“Felizmente são muitos os casos de sucesso”

Desta forma, Sofia Seabra relembra que “as principais problemáticas com que nos deparamos diariamente são inerentes às diversas personalidades e características das jovens que acolhemos”, e que se traduzem “na gestão de conflitos, que tem de ser resolvidos de forma imediata, no sentido de proporcionar um ambiente o mais harmonioso possível”.
Relembrando que o processo de admissão de utentes é iniciado após a sinalização “à APEPI por várias vias, desde CPCJ, Segurança Social, Tribunais ou outras instituições que identifiquem a situação de risco”. Posteriormente o pedido de acolhimento “é analisado pela equipa técnica tendo por base critérios preestabelecidos”, onde podem “beneficiar do apoio prestado pelo CAV mulheres grávidas ou puérperas com filhos recém-nascidos que se encontrem em risco emocional ou social, evidenciando ausência de enquadramento familiar ou de condições afectivas que lhes permitam assegurar uma maternidade responsável e segura”. Neste seguimento, “é ainda tido em consideração o bem-estar e estabilidade do grupo de utilizadoras pré-existente no CAV”, uma vez que “o acolhimento é agendado e articulado com a entidade sinalizadora havendo igualmente um trabalho de preparação com o grupo já integrado” no Centro.
As utentes acolhidas no CAV beneficiam de um acompanhamento próximo, regular e sistemático por parte da equipa do Centro e sempre em articulação com a entidade encaminhadora, e “abrange a promoção de competências maternais e sociais que permitam a autonomização da mãe com a criança”. Assim, “a intervenção é pautada por um apoio dirigido às necessidades de cada utente”, mas também pelo “apoio na procura e integração profissional ou formativa, encaminhamento e acompanhamento a consultas médicas ou outros serviços que se afigurem necessários”. O apoio na “obtenção de prestações sociais, integração escolar, quando se trata de jovens menores de idade e articulação com a família alargada e os Serviços/Instituições da Comunidade”, são também trabalhados no seio da instituição, relembra a responsável.