Casa Abrigo Teresa Morais já acolheu 1055 vítimas de violência doméstica

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Criada em 2001, pela Associação Pais e Educadores Para Infância (APEPI), com o intuito de acolher mulheres vítimas de violência, a Casa Abrigo Teresa Morais já acolheu, até Novembro deste ano, 626 mulheres e 429 crianças. Actualmente estão acolhidos 15 utentes.

Implementada pela Associação Pais e Educadores Para Infância (APEPI), desde 2001, como a “única resposta de acolhimento prolongado para vítimas de violência doméstica, no distrito de Leiria”, a Casa Abrigo Teresa Morais, já recebeu desde essa data, até Novembro de 2019, “1055 utentes, das quais 626 mulheres e 429 crianças”, releva Sofia Seabra, Técnica de Serviço Social, e directora de serviços da APEPI.
Segundo a responsável, “a Casa de Abrigo proporciona às vítimas de violência que recebe, acolhimento e protecção num ambiente o mais familiar possível, garantindo a todas protecção e segurança, em condições de dignidade”, o que permite “às utentes e seus filhos, usufruírem de privacidade e autonomia na condução da sua vida pessoal adequados à sua idade e situação”.

“As vítimas estão mais conscientes e informadas relativamente aos seus direitos”
Numa altura em que cada vez se fala mais em crimes de violência doméstica, a responsável admite que na instituição “consideramos que a população está mais atenta à problemática, os serviços têm apostado na qualificação e especialização dos profissionais que intervêm nesta área e é notório um maior investimento em políticas de prevenção e combate à violência doméstica”, e revela que “as vítimas estão mais conscientes e informadas relativamente aos seus direitos, o que facilita a denúncia e por esse motivo existe uma maior procura das respostas que existem para este tipo de problemas”. Desta forma, “ao nível da Casa de Abrigo Teresa Morais, desde 2001, data da sua implementação, tem estado sempre lotada, pelo que consideramos não ser evidente o acréscimo de pedidos de ajuda, que lamentavelmente foi sempre elevado ao longo dos anos”.
De acordo com a instituição, “actualmente estão acolhidos na Casa de Abrigo Teresa Morais 15 utentes, sendo oito mulheres e sete crianças”, explica. Sofia Seabra esclarece que “esta resposta social presta apoio com base numa intervenção sistemática e integrada nas áreas do apoio social, psicológico, educacional, profissional e jurídico, garantindo segurança e confidencialidade”, onde “a vítima encontra um apoio muito grande que lhe permite abraçar o futuro”.

“Actualmente estão acolhidos na Casa de Abrigo Teresa Morais 15 utentes”
Na Casa de Abrigo “são desenvolvidas actividades que visam promover e reforçar competências, capacitando as vítimas de instrumentos pessoais, com vista ao empoderamento, e consequentemente a sua plena reintegração na sociedade”, explica, sendo que “a participação das utentes acolhidas nas actividades e acções de sensibilização dos diversos projectos promovidos pela APEPI, permite a aquisição de competências ao nível da formação e empregabilidade e sensibilizar para as questões da igualdade de género e combate à violência doméstica”.
A responsável revela ainda que “durante o processo de apoio e acompanhamento às vítimas é elaborado um plano individual de intervenção e diagnóstico individual e familiar para definição do projecto de vida de cada utente, com vista à reinserção social com autonomia fortalecida”. A directora realça ainda que “todo o trabalho efectuado pela Casa de Abrigo é reforçado pelo trabalho em rede com outros serviços, instituições e demais entidades envolvidos na problemática”.
Questionada acerca dos maiores desafios encontrados no seio da Casa Abrigo, a responsável adianta que “a grande percentagem das mulheres acolhidas com idade superior a 50 anos e grande parte sem rede familiar de apoio, torna-se um desafio para a equipa, na medida em que compromete a efectivação de um projecto de vida autónomo”, assim como “a dificuldade na integração no mercado de trabalho para algumas utentes, nomeadamente as utentes com baixa qualificação escolar e profissional, encontrando, a maior parte das vezes, trabalhos precários que comprometem o processo de autonomização”, remata.