Bloco de Esquerda não poupa críticas ao funcionamento da Assembleia Municipal

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O Bloco de Esquerda reuniu, na passada segunda-feira, 28 de Janeiro, no Café Concerto, no Teatro-Cine de Pombal, para prestar contas do trabalho que tem desenvolvido desde que Célia Cavalheiro tomou posse enquanto deputada da Assembleia Municipal de Pombal.

Célia Cavalheiro acusa a presidente da Assembleia Municipal de ter “cor partidária” e “não se coíbe em mostrá-lo”

“O último ano e meio foi uma aventura”, recorda a deputada bloquista. “Há dois anos atrás era difícil para mim imaginar que ia ocupar este cargo”, depois de um “convite que me foi impossível recusar”, uma vez que o “Bloco de Esquerda é o único partido que aceitaria representar”. No entanto, e “apesar de ser nova nestas andanças”, a deputada não poupa críticas ao funcionamento da Assembleia Municipal de Pombal. “É muita parra e pouca uva”, e admite sentir “que perdemos muito tempo e não falamos do que é realmente importante para o concelho”. Para Célia Cavalheiro, “depois de quatro horas de reunião, já ninguém consegue raciocinar em consciência absoluta”, e adianta que a solução passaria por “impor limite no tempo da Assembleia”, o que faria com que “aprendessem a tratar dos assuntos com celeridade” e a “dar importância ao que realmente importa”.
Célia Cavalheiro acusa a presidente da Assembleia Municipal de ter “cor partidária” e “não se coíbe em mostrá-lo”, e releva que “depois de, numa Assembleia, apresentarmos quatro propostas, foi-nos dito que não havia tempo para que fossem votadas e que nesse sentido passariam para a próxima reunião, em Abril”, mas posteriormente “recebi um telefonema da presidente da Assembleia a dizer que as propostas não tinham fundamentação e que não deviam entrar na próxima Assembleia”, situação que “só foi contornada depois de enviar um email a todos os lideres de bancada a revelar a situação”, e “só assim conseguimos que fossem a votação, ainda que tenham sido chumbadas”.
A deputada bloquista também mostra a sua “tristeza” quando relembra que “o Bloco pediu para que a autarquia tomasse uma posição contra a prospecção e pesquisas de gás”, tendo apresentado uma moção em Abril de 2018, “que foi chumbada”, e pela qual “ainda fui criticada e gozada”. E agora, “meses mais tarde, é com espanto que vejo que outro partido a apresentar uma moção no mesmo sentido, depois de ter votado contra em Abril”, e que a Assembleia decidiu juntar as moções dos dois partidos numa só e que “foi votada favoravelmente pela maioria, apenas com um voto contra”, uma “incongruência” que para Célia Cavalheiro “revela que os outros partidos só ficaram sensíveis quando começaram a perceber os votos que iam perder nessas zonas”.
A deputada garante que é um dos objectivos fazer “crescer o Bloco de Esquerda em Pombal, e nas freguesias”, e assume que “há lutas que vão continuar em cima da mesa”, como é o caso “do melhoramento das condições do bairros sociais”, a execução de um Parque Radical – afinal “todas as localidades em redor disponibilizam um parque de desportos radicais” -, ou a situação da Casa Varela, que “vamos ver se vai mesmo ser um pólo dinamizador de cultura”.
O evento contou ainda com a presença de Heitor de Sousa, deputado na Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda.