As pessoas

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Jorge Cordeiro

Não há reunião, acção de motivação, convenção, festa de aniversário ou jantar de Natal de uma empresa, onde não se diga que as pessoas são o maior e mais valioso activo da organização.
A transmissão do conceito fica a cargo de um quadro intermédio ou superior (consoante o tipo e dimensão do evento) e se for no jantar de aniversário ou de Natal da empresa, ocorre por alturas da sobremesa.
Apesar de soar a cliché, a ideia está correcta. De facto, sem pessoas, não há empresas nem qualquer outro tipo de organizações, por mais avançados e abundantes que sejam os seus recursos materiais e tecnológicos.
Apesar dessa importância fundamental das pessoas nas empresas, é curioso que quando uma empresa entra em dificuldades ou se adapta a alterações envolventes e precisa de se restruturar, normalmente a primeira coisa que faz é “cortar” no pessoal, ou seja… nas pessoas. Despedimentos de pessoal, portanto!
Os exemplos são inúmeros, independentemente da dimensão da organização, independentemente do sector ou tipo. Certamente, até muitos de nós já passámos por restruturações que implicaram a dispensa de pessoas, fosse sob a forma de um despedimento “puro e duro”, uma saída negociada ou uma pré-reforma.
Ora, se as pessoas são o activo mais importante e valioso, seria lógico pensar, que numa situação de dificuldades conjunturais, todos os mais valiosos activos, fossem poucos para ajudar a empresa ou a organização a contornar as ameaças, a aproveitar as oportunidades, a eliminar os pontos fracos e maximizar os pontos fortes, ultrapassando assim as dificuldades, tornando-a assim até mais forte e competitiva no(s) seu(s) mercado(s).
Não sendo isso que acontece – num aparente paradoxo – podemos então pensar que, as pessoas são ao activo mais importante de uma empresa, mas numa situação de restruturação é “preciso fazer alguma coisa rapidamente” e a dispensa de pessoas á ainda o mais fácil em vez de outras medidas estruturais, podemos pensar que apesar das pessoas serem o mais valioso activo, isso não se aplica a todas as pessoas, podemos pensar que o cliché fica muito bem no jantar de Natal, mas a empresa nada fez para tornar o “activo” efectivamente valioso entre muitas outras coisas que poderemos pensar sobre o assunto.
O que permanece contudo é que de facto, sem pessoas não há empresas nem organizações e sem pessoas, também não há “mercado” para os seus produtos ou serviços.