Artur Gonçalves: “Uma empresa que não inova estagna e nunca fica muito bem no futuro”

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Numa altura em que os mercados se tornam cada vez mais promissores no que toca a questões que tragam inovação e desenvolvimento, é necessário pensar ‘fora da caixa’ e arriscar em alternativas sólidas e sustentáveis. Estar na linha da frente é um dos requisitos para o sucesso, e as empresas estão a apostar, e a investir, cada vez mais em I&D (Inovação e Desenvolvimento), que lhes permitem entrar em circuitos, ainda, maiores.
Em 2007, Artur e António Gonçalves, irmãos, perceberam que existia uma lacuna no mercado da assemblagem de componentes ópticos, utilizado por operadores de telecomunicações, ambos ligados à área da engenharia electrónica, os jovens perceberam que esta poderia ser a oportunidade certa para arriscar num projecto que não existia a nível nacional: a Optilink.
“Na altura, as empresas nacionais viam-se forçadas a recorrer à importação de cabos ópticos, o que causava sempre transtornos por custos ou por tempo de espera”, conta Artur Gonçalves, o “devido à falta de material que estava a sentir, em projectos que estava a desenvolver”, acabou por se dar o “impulso”, e a empresa arrancou inicialmente com a “Assemblagem de Componentes Ópticos”. Seis anos mais tarde a empresa “decidiu expandir-se”, e passou a “desenvolver uma actividade secundária na Construção e Manutenção de Redes de Telecomunicações e Projecto”, e desde então não parou de crescer.
Se inicialmente a Optilink arrancou com apenas três colaboradores, hoje conta com mais de 50, e dos 60m2 das instalações alugadas, iniciais, actualmente a empresa expandiu-se para mais de 2000 m2, na Zona Industrial da Formiga, e “esperamos até ao final do ano aumentar em mais 1000m2”, no entanto o Engenheiro prefere ainda não levantar o véu dos próximos investimentos.
“Uma empresa que não inova, estagna e nunca fica muito bem no futuro”, garante o empresário, enquanto revela que “temos um dos melhores laboratórios de investigação da Europa, dentro desta área”. Para quem está de fora, parecem apenas metros e metros de fios coloridos, num cenário industrial peculiar e um tanto descontraído, mas para quem ali trabalha há todo um investimento em formação e especialização.
“É muito difícil encontrar pessoas qualificadas para trabalhar nesta área, que tem tanto de exigente como de especificidade”, por isso a Optilink, faz “uma grande aposta na formação dos colaboradores”.
“Se uma empresa não tem o seu núcleo de I&D interno, limita-se a contratar alguém para fazer o trabalho. No fim tem um resultado, mas se depois não tem capacidade de dar sequência ao processo, fica pouco”, afirma Artur Gonçalves. Com a possibilidade de criar o seu próprio núcleo de inovação, a empresa pode continuar a trabalhar com o sistema científico-tecnológico, mas consegue dialogar de uma forma muito mais eficaz com os parceiros académicos. “Aquilo que nós temos verificado é que as empresas que têm mais sucesso são aquelas que vão criando e apostando no crescimento da sua própria unidade de investigação.”
Inicialmente, e durante o primeiro ano, a Optilink trabalhou em exclusivo para o fornecimento de pigtails e patchcords para a Telcabo. Após este período, a capacidade de resposta demonstrada, associada à qualidade dos produtos produzidos, potenciou o estabelecimento de novas parceiras. À data de hoje, destacam-se como principais clientes a Telcabo, Arestel, Novabase IMS, PT Inovação, PT Comunicações, PDT – Projectos de Telecomunicações, a TEKA, ou a Vodafone, entre outros nomes de peso na área das comunicações.