Amândio Santos: “Sozinhos podemos ir mais rápido, mas juntos chegamos mais longe”

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Há uns anos, quando lhe perguntaram se era possível fazer omeletas sem ovos, Amândio Santos respondeu, confiante: “não”. Actualmente está envolvido num projecto em que se fazem omeletas sem ovos, lá iremos. Natural da Machada, freguesia da Pelariga, o presidente da PortugalFoods é muito mais que o ‘Homem dos Ovos’: foi fiel de armazém, estudou em horário pós-laboral, passou pela área da decoração, vendeu janelas, dirigiu os destinos de uma das empresas mais conhecidas da região, a Derovo, esteve envolvido em várias instituições de valor concelhio, é pai, catequista, e ainda arranja um tempinho para fazer voluntariado. Ao Pombal Jornal falou das mudanças que se avizinham no campo da alimentação, revelou preocupações no que respeita ao desenvolvimento económico do concelho e ainda explicou como se fazem, afinal, omeletas sem ovos.


Quando Amândio Santos chegou à Derovo, onde assumiu o cargo de director geral, entre 1997 e 2007, o negócio avícola não lhe era, de todo, desconhecido: cresceu no meio de galinhas. Os pais tinham um aviário, uma exploração familiar, que acabou por não resistir à vaga de industrialização do sector, mas que lhe permitiu desenvolver o gosto pelo negócio.
“Aos cinco ou seis anos vinha com a minha mãe para o mercado, muito cedo, ao sábado, para guardarmos a banca: era importante manter sempre o mesmo local para que as pessoas nos reconhecessem”, quatro décadas depois, Amândio não dispensa uma visita regular ao Mercado Municipal de Pombal, onde costuma adquirir parte dos alimentos que consome em sua casa.
Até chegar ao negócio dos ovos, o percurso profissional começou numa “Oficina Auto, na Zona Industrial da Formiga, como fiel de armazém e empregado administrativo”, tarefa que conciliava com os estudos, na Escola Secundária, tinha 17 anos. Ainda como trabalhador estudante, Amândio mudou-se para Aveiro, onde frequentou o curso de Contabilidade e Administração, no Instituto Superior de Contabilidade e Administração. Simultaneamente “trabalhava numa empresa de decoração de interiores, que fazia a decoração das Pousadas de Portugal, até 1995”, ano em que regressou a Pombal.
Pelo caminho vendeu “janelas e escadas para sótãos”, até que os produtores de ovos o foram desafiar. A partir daí, contribuiu para a construção do líder ibérico do sector: na Derovo, para além do percurso como director-geral, desempenhou ainda funções enquanto “administrador das empresas do grupo em Portugal e Espanha, entre 2007 e 2014”.
Foi gerente da Docereina até 2015, empresa que se dedica à elaboração e comercialização de sobremesas lácteas, e que é “um dos grandes investimentos de capital estrangeiro realizados em Pombal na última década”. Depois de 18 anos dedicados ao Grupo Derovo, chegou o momento de fechar um ciclo.

“A Derovo fez-me um profissional e também moldou a minha forma de ver o mundo”

“A vida é incrível quando sabemos olhar para as dificuldades como uma oportunidade: podemos tomar decisões que marcam o nosso futuro, e por isso decidi que antes de iniciar novo ciclo profissional deveria fazer um ano sabático: felizmente podia fazê-lo”. Amândio não pestaneja enquanto afirma: a “Derovo fez-me um profissional e também moldou a minha forma de ver o mundo, indiscutivelmente”. No entanto “merecia fazer este ano sabático, porque vinha de um percurso que tinha exigido muito de mim e sentia a necessidade de perceber o que era viver de uma forma diferente, para conseguir ver o mundo, e o futuro, de outra maneira”.
Durante esse tempo, “levar as filhas à escola, ou à catequese, ir à piscina com elas, almoçar com os meus pais, sem ser ao Domingo”, coisas que “nunca conseguia fazer” mostrou-lhe uma “qualidade de vida diferente”, e ainda o “ajudou” a perceber “que podemos fazer as mesmas coisas, com a mesma responsabilidade, com a mesma motivação e com o mesmo empenho, mas de forma diferente”, valores a que passou a “dar mais importância”.
Para além disso, Amândio Santos dedicou-se também em “trabalhar o futuro”, investiu “na reciclagem de conhecimentos”, sem nunca se afastar da direcção da PortugalFoods – Cluster Agroalimentar, com sede no parque tecnológico Tecmaia, na Maia. O pombalense é presidente do Conselho de Administração desta associação desde 2012. Cumpre, actualmente, o terceiro mandato, com término previsto a 30 de Dezembro de 2020, e espera “que seja o último: porque acho que já é suficiente, e porque acredito que deve haver tempo para a renovação, e para a mudança”. Do ano sabático retira “uma experiência incrível e muito frutífera”.
Para os mais distraídos, regressemos a 2008, ano em que a PortugalFoods foi fundada enquanto associação “por empresas, entidades do sistema científico e tecnológico nacional e entidades regionais e nacionais que representam os vários subsectores que compõem o sector agro-alimentar português”, e onde o ‘Homem dos Ovos’ representou “a Derovo nesta entidade, até 2014”.
A necessidade de criar este organismo prende-se com o facto de, “enquanto empresa nacional, sentirmos que Portugal não tinha uma marca-país reconhecida no exterior que nos dignificasse”. Então, “juntamente com outras empresas, e no seio da Universidade Católica, começou-se a pensar num movimento que se focasse na marca Portugal, na Inovação e Investigação”, de onde surge a PortugalFoods, que celebrou em 2018 o 10.º aniversário.

“A marca Portugal, hoje, vive um momento muito feliz”

Amândio Santos não tem dúvidas de que “a marca Portugal, hoje, vive um momento muito feliz: temos o turismo a dar cartas e a ser reconhecido internacionalmente como destino de excelência, e depois também temos a felicidade de termos homens e mulheres que são enormes embaixadores da cultura, da ciência, da indústria, e do talento português”. Na verdade, “se olharmos para os produtos nacionais: o calçado (Luís Onofre já calçou personalidades como a Rainha Letizia Ortiz, a herdeira do trono sueco, Michelle Obama), os têxteis, os moldes, o vinho, o azeite, as frutas, as conservas de peixe, que hoje têm uma dinâmica fortíssima, e que nos alavancam a marca Portugal”, fez com que a PortugalFoods, se tornasse também “uma marca forte”, reconhecida e com notoriedade internacional. No entanto, “há tudo para fazer, porque nada está acabado: há sempre potencial para evoluir e ser melhorado. Não podemos adormecer e ficar na zona de conforto e devemos sempre estar atentos à mudança e às ameaças”, admite, “há um projecto muito forte e importante para continuar, mas hoje Portugal já é uma marca séria e as empresas beneficiam com uma marca umbrella forte”.
“Somos o grande elo de ligação entre as empresas e as universidades”, admite o presidente da PortugalFoods, “sempre houve um distanciamento muito grande na linguagem: não se percebia bem os investigadores, os professores e os académicos”, os tempos de acção e execução entre as universidades e as empresas “eram diferentes”, enquanto uns ”queriam produzir pappers, as empresas precisavam de resultados, inovação e progresso”, e foi isso que a “PortugalFoods veio mudar”.

“Levámos as universidades a pensar num novo paradigma”

“Levámos a universidades a pensar num novo paradigma”, a investigação pré-competitiva, onde “não vale a pena estar a fazer investigação que depois não se aplica à realidade”. Esta adaptação, que tem vindo a ser implementada no contacto entre académicos e industriais, assenta no lema de vida que este pombalense adoptou: “Sozinhos podemos ir mais rápido, mas juntos chegamos mais longe – como diz o ditado africano”, ou ainda “sozinhos fazemos coisas pequenas, juntos fazemos grandes coisas”, assim “não vale a pena pensarmos em estar sozinhos, temos de partilhar e dar aos outros aquilo que somos, e as experiências que temos, só assim algo se cria que possa ser inovador, diferenciador e gerador de valor”, mas se pelo contrário “pensamos que o segredo é a alma do negócio”, então… “esqueçam”.
Paralelamente, e desde Julho de 2015, Amândio Santos é “Advisor Board da multinacional italiana Eurovo, que é o maior grupo europeu do sector de ovos e derivados de ovos, com indústrias e aviários em Itália, Espanha, França, Roménia e Polónia”. Faz, também, “parte do comité de gestão das empresas do grupo em Espanha e França”.

“Não trocava Pombal por nada”

Aos 48 anos, e apesar de ser “um homem do mundo”, Amândio não nega: “não trocava Pombal por nada”, afinal, “Pombal representa aquilo que faz de mim a pessoa que sou – as minhas origens”. E lamenta “não conseguir dar mais há minha região”, no entanto “estou muito próximo da minha origem, das minhas pessoas, dos meus amigos da minha terra, da minha identidade”, assegura.
Pelo caminho, esteve “na Associação dos Industriais de Pombal”, fez parte “da fase de instalação do Centro Social da Pelariga”, e olha “de forma especial para o trabalho desenvolvido pela Cercipom”. O gestor assume que “as associações locais de solidariedade social têm um papel incrível”, mas alerta para a necessidade de “sermos capazes de olhar para as instituições não como um fim, mas como algo de que podemos vir a precisar”.
Mais recentemente, o responsável pela PortugalFoods foi convidado a iniciar-se enquanto catequista, missão que “está a abraçar, e que ainda estou a aprender”. No final do ano passado teve, ainda, “uma experiência de voluntariado, com o Banco Alimentar, que foi absolutamente inesquecível e que nunca imaginei que fosse tão gratificante”. Assegura repetir, assim que a agenda o permitir.

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Apostar no empreendedorismo

“Aquilo que vejo é que Pombal não sabe fixar talento”

“Apaixonado pela região”, e acima de tudo “por Pombal”, Amândio Santos olha para o “futuro do concelho com preocupação”. Esteve fora, entre os anos 90 e 95, tem desenvolvido a sua “actividade profissional nos últimos 20 anos com muita presença fora do país. Hoje trabalho numa multinacional italiana e passo dois, três dias por semana fora do país, mas só quero estar em Pombal”, por muito que “fique feliz por ver grandes portugueses, com muito talento a emigrar e a ocupar grandes cargos, sei que eles gostam de Portugal, e querem regressar”, no entanto é necessário que sejam “criadas oportunidades”. Para Amândio Santos, em “Pombal não há desenvolvimento económico estruturado”, e “isto preocupa-me”.

Em “Pombal não há desenvolvimento económico estruturado”

“Temos de pensar uma estratégia no mínimo a 10 anos para Pombal: o que é que o Município tem feito ao nível do desenvolvimento económico?”, questiona. “Não se está a saber vender a região nem o nosso potencial industrial e logístico que resulta da nossa posição geo-estratégica no eixo Norte-Sul e ligação a Espanha”, e neste sentido admite “a Associação dos Industriais não está a fazer o papel certo (apesar de reconhecer a boa vontade de todos), porque não tem as empresas ao seu lado, não é mobilizadora”, e uma “Associação Industrial, comercial ou de outra qualquer índole tem que criar valor para os seus sócios, tem de dinamizar o território em interligação perfeita com outras forças vivas”. Vê a “necessidade de que em Pombal se lidere uma agregação do ecossistema empresarial local que tenha associações empresariais, Câmara Municipal, ETAP e outras entidades de ensino, empresas e empresários a rumar no mesmo sentido, na captação de investimento e no desenvolvimento do concelho”.
“É importante criar um fórum de empresários e elementos da sociedade civil que olhe para o norte do distrito como uma mancha”. A Sicó “tem de ser um elemento agregador”, e a “Associação Terras de Sicó tem de mexer com isto, os produtos endógenos têm que ser promovidos de forma integrada”. Tendo em conta que “somos o Norte do distrito”, para o presidente da PortugalFoods ou “nos juntamos mais a Leiria e Marinha Grande, como polo industrial, ou criamos reais e novas sinergias, com a região com quem partilhamos uma grande identidade – a SICÓ”, e que permita “criar uma mancha de identidade colectiva” e assim, “podemos olhar para o mercado, seja o “da saudade”, aproveitando o papel da diáspora, seja para os mercados externos, no sentido de promover os produtos”, através da “dinamização de iniciativas locais”. Pombal tem de funcionar como HUB para o turismo de terras de Sicó e aproveitar o eixo do turismo religioso. Afinal, “temos num raio de 50km, Fátima, Figueira-da-Foz e Coimbra”.

“Não faz sentido criar mais universidades”

Para Amândio Santos “não faz sentido criar mais universidades” como tanto se fala “na ambição de Pombal há tantos anos”, mas existe a necessidade de criar “centros de competências: temos de incentivar o talento, criar competências, valorizar a criatividade”, e “Pombal tem que ser mobilizador disto: Pombal tem uma força que tem que colocar ao serviço de uma região e não pode perder sucessivamente talento para outras regiões. Uma região que não cria, potencia e fixa talento fica condenada ao fracasso”.
Modernização é outra das palavras de ordem: “temos que olhar para as zonas industriais e modernizar e tornar os parques atractivos e organizados: contribuindo para que o concelho passe uma imagem de modernidade”. Assim, “não vale a pena estar a pensar em comprar mais terrenos, se existe um conjunto de edifícios de empresas outrora importantes na região, devolutos, que podiam ser muito bem aproveitados. A Zona Industrial da Formiga não pode continuar deitada ao abandono. Não sendo conhecedor dos dossiers da antiga Azupal, Tecopal e armazéns circundantes, recentemente a Empobor e tantos outros, sinceramente acho que é imperativo olhar para a ZI da Formiga”.
“Em Pombal não temos a capacidade de acolher quem quer criar as suas próprias iniciativas”, lamenta. “Devia existir um gabinete de apoio ao empreendedorismo no seio da Câmara Municipal”, porque “quando um jovem tem uma ideia, essa ideia tem que ser partilhada, e acima de tudo, ele tem que receber orientações, mentoring, coaching”, para que a ideia possa crescer. “Aquilo que vejo é que Pombal não sabe fixar talento”. Afinal, vou “encontrando pombalenses, jovens, altamente bem preparados, com formação superior de topo, dinâmicos, que têm lugar em Pombal e procuram oportunidades e o futuro fora”.
“Quantas empresas de Pombal têm altos quadros que tiveram de recrutar fora? Muitas”, isto porque “não conhecemos a nossa base e o talento: não conhecemos as pessoas”, lamenta. E explica a importância da aproximação da “associação de jovens universitários às empresas do concelho”, para que se “conheça quem se está a formar e para que se criem condições para que haja um ‘match’ entre esses jovens e as empresas”.
Olhar para o empreendedorismo, “é fundamental”, na visão de Amândio, “os mercados evoluem, as empresas transformam-se, os jovens e as pessoas são quem faz a diferença, e se não criarmos condições para que fiquem em Pombal, então Pombal arrisca uma travessia de anos e anos sem desenvolvimento económico”. Como pai, lamenta “preparar as minhas filhas para terem que sair de Pombal: isso deixa-me triste e preocupado, até porque sei que não sou o único pai com estas preocupações”.

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“Uma em cada quatro jovens, com menos de 25 anos, dentro de 10 anos será vegan ou flexivegetarianos”

Omeletes sem ovos? Afinal é possível!

Confirma-se: a forma como olhamos para a nossa alimentação está a mudar. Nunca a alimentação humana mudou tanto e em tão pouco tempo como na última década. Se os alimentos processados e a fast-food vieram alterar a forma como a humanidade se alimenta de há umas décadas a esta parte, podemos dizer que assistimos agora a uma outra revolução, inversa.
“Estamos perante um consumidor diferente, mais exigente, com acesso a muita informação, sempre ligado às redes sociais e preocupado com a sua alimentação”, revela Amândio. ”A PortugalFoods faz isto: não observa só os mercados e as oportunidades, não pensa só em comercialização e em exportação, mas é acima de tudo uma entidade agregadora de muito conhecimento”. Assim como “a alimentação está a mudar a um ritmo alucinante”, é necessário” acompanhar esta evolução” e “disponibilizar ferramentas de business inteligence para apoiar as empresas”.
“Há um estudo que diz que uma em cada quatro jovens com menos de 25 anos, dentro de 10 anos será vegan ou flexivegetarinos”, opinião que Amândio acata: “não duvido muito deste estudo, porque a oferta é cada vez maior”, e o consumidor “tem outras preocupações com o bem-estar animal, com a sustentabilidade”: se “o consumidor muda, a oferta também tem que mudar”.
Se há uns anos atrás, quando o questionaram sobre a hipótese de algum dia vir a ser possível fazer omeletas sem ovos, Amândio respondeu “não”, no entanto, “hoje estou envolvido num projecto em que se fazem omeletas, ou ovos mexidos, sem ovos”, onde proteínas de origem vegetal, “depois de submetidas a um processo de transformação altamente tecnológico, resultam num preparado que, numa prova cega, é difícil fazer a distinção entre um ovo de galinha e um “ovo” vegetal”, assegura. O produto “vai chegar aos mercados europeus no primeiro semestre de 2019”.

Se “o consumidor muda, a oferta também tem que mudar”

Falar em consumo de insectos, também pode “parecer-nos estranho, e raro, mas é impressionante tudo o que se está a passar nesta área”. A ONU estima “um crescimento mundial, em que os números apontam para que a população mundial seja, em 2050, próxima de 10 mil milhões de pessoas”, e isto implica que “o consumo de proteína vê cada vez mais a carne como uma ameaça, e procuram-se alternativas”. As preocupações com o desperdício alimentar leva a que novos conceitos de economia circular ganhem espaço e marquem a agenda das empresas.
“Vamos querer continuar a querer comer muito bem, mas também vamos estar disponíveis para pagar mais por melhores produtos”, revela, no entanto “queremos conhecer tudo: queremos saber a origem do produto, o rosto de quem produz, quando e aonde se produz”, a chamada 4.ª revolução industrial – “a Industria 4.0 já nos permite fazer este acompanhamento e assim termos no nosso smartphone a rastreabilidade em tempo real com a simples leitura do QR Code existente no rótulo dos alimentos”.

“Confiança, em primeiro lugar”

Quando questionado sobre o que procura hoje em dia o consumidor, Amândio Santos não tem dúvidas: “confiança, em primeiro lugar, já não é a segurança alimentar, pois essa é condição elementar, é a confiança alimentar, saber o que estão a ingerir”. E prevê uma evolução em que “vamos voltar aos mercados locais, onde sabemos quem é o produtor de determinado produto, dos legumes, dos ovos, ou da fruta”. Os produtos BIO e de produção local continuarão a ganhar espaço no momento da escolha do consumidor.
Ainda que agricultura tenha sido “um refúgio nos anos de crise”, o sector “modernizou-se”, continua a ser “uma actividade difícil e de muito risco”, mas que “voltará a ser cada vez mais valorizado”. Com “gente cada vez mais bem formada, não só nas áreas da agricultura, mas também do marketing e das engenharias e da gestão”, é importante que se “aproveite o território, e as propriedades dos pais e dos avós” para fazer “iniciativas mais intimistas, de maior proximidade aos consumidores locais”.