Alunos desenvolvem projecto onde matemática é divertida e solidária

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Ah, a matemática… Talvez a disciplina que gera mais sentimentos de amor e ódio entre os estudantes. No entanto, e ao que parece, é possível gostar da disciplina. O desafio foi lançado por Sabine Ferreira aos alunos do 8.º B da Escola Básica Gualdim Pais. Os jovens responderam positivamente ao apelo e estão a desenvolver um projecto, que para além de incentivar ao gosto pelos números tem ainda uma componente solidária e social.

Os alunos do 8.º B da Escola Básica Gualdim Pais desenvolvem um projecto onde a disciplina de matemática se transforma em jogos divertidos

Quando entramos na sala de aula onde os alunos da turma B do oitavo ano da Escola Básica Gualdim Pais desenvolvem o projecto “Jogar: Matematicar e Acreditar” é difícil não reparar na descontracção com que falam de matemática, e se lhes perguntarem se gostam da disciplina, respondem em uníssono: siimmm! A professora Sabine Ferreira sorri: também é difícil não reparar no orgulho com que fala do projecto.
A professora explica que “a Matemática é uma disciplina bastante útil no dia-a-dia de qualquer pessoa, mesmo que por vezes, a sua presença não seja sentida, mas ela está presente”, por isso, e depois da escola ter escolhido a disciplina como Área de Projecto de oferta educativa, resolveu implementar uma iniciativa bem divertida numa das turmas que lecciona: o projecto “Jogar: Matematicar e Acreditar”, que consiste na criação de jogos de tabuleiro, com o intuito de incentivar os mais jovens ao gosto pela matemática.
Xadrez, batalha naval ou jogo da memória, são apenas alguns jogos que exigem noções de matemática. Além deles, há muitos outros, uns já criados, outros por inventar. Então não há dúvidas: além de ser uma das disciplinas mais importantes, é “essencial no nosso quotidiano”, com a vantagem de que ainda pode tornar as coisas mais divertidas.
“Decidi desenvolver com a plataforma eTwinning, o projecto ‘Campeonato Europeu de Jogos Matemáticos’”, conta Sabine Ferreira, “a Matemática é uma disciplina cuja moda é ‘não gostar’, pelo que tenho de arranjar estratégias para motivar os meus alunos”, desta forma, a turma foi convidada a desenvolver os seus próprios jogos de tabuleiro, que criam de raiz, desde o conceito, às regras, até que possa ser jogado por “qualquer pessoa”.
“Com este projecto conseguimos mostrar o lado lúdico da matemática”, no entanto, “começamos a pensar que podíamos levar este projecto para ‘fora da Escola’”. Assim, “começamos a planificar o nosso projecto de outra maneira”. E, para além da plataforma eTwinning, onde desenvolvemos campeonatos de jogos matemáticos com os nossos parceiros europeus”, em Novembro, e em horário pós-laboral, “convidámos os Encarregados de Educação da escola a juntarem-se ao projecto e a jogar os nossos jogos”, a iniciativa foi tão bem aceite que os “Encarregados de Educação adoraram e pediram para repetirmos”. A professora garante que foi “incrível ver os alunos a explicar os jogos aos pais, e ver os pais super entusiasmados em perceber os jogos que os filhos criaram”.

“Com este projecto conseguimos mostrar o lado lúdico da matemática”

Os alunos “sentem-se integrados e percebem que têm um papel importante na escola: ensinar algo aos pais e aos professores é motivo de orgulho e de motivação”, revela. Depois de uma primeira experiência bem-sucedida, a turma decidiu elevar ainda mais a fasquia e transformar o projecto numa causa solidária. Como? Em Dezembro, do ano passado, “levámos os nossos jogos à casa Acreditar e jogámos com os meninos doentes e os seus familiares”. Durante umas horas, e com a matemática, estes meninos esqueceram a doença”. O feedback foi tão “gratificante” que “já estamos a pensar voltar lá, num dia de sol, em que possamos jogar no jardim, ou fazer um picnic” didáctico e divertido. E a professora revela que “os meninos mais velhos mantém contacto com os meus alunos e não vão esquecer o que os meus meninos fizeram”.
As ideias multiplicam-se e agora é tempo de pensar na construção de “kit’s” de jogos que posteriormente serão comercializados e onde “as receitar irão reverter a favor da Acreditar”. O projecto já foi apresentado a várias entidades locais, que “se mostraram muito receptivas à ideia”. Sabine Ferreira revela que a “Câmara Municipal parabenizou a nossa ideia e apoia-nos”, sendo que “já pondera integrar o nosso projecto noutros estabelecimentos de ensino concelhios”.
O projecto finaliza “em 2020”, e se tudo correr bem, “encerra com um encontro entre os parceiros europeus com quem desenvolvemos ideias e projectos, através da plataforma eTwinning”, neste caso alunos “espanhóis, italianos e franceses”, numa cidade “ainda a decidir”. Os jogos vão estar à venda dentro de pouco tempo. Vamos jogar e ajudar?

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Nasceu em 1985, estudou Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra e participou num curso de formação em Jornalismo e Crítica Musical. Passa os dias a ouvir música, adora assistir a concertos e sonha viajar pelo mundo com uma mochila às costas.