ADAC celebra 44.º aniversário com ‘bandas em ascensão’

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Fundada em Janeiro de 1975, a ADAC tem até aos dias de hoje vindo a servir várias gerações de jovens com actividades culturais. Para celebrar o 44.º aniversário a associação decidiu fazer o que melhor sabe e está a organizar, mais uma vez, uma noite onde se alia a música aos reencontros e junta muitos amigos.

Carlos Gonçalves e João Pedro Gonçalves admitem que a ADAD é uma segunda casa para os que a frequentam e uma “incubadora” para o experimentalismo dos mais aventureiros

A Associação Desportiva de Acção Cultural da Charneca (ADAC) comemora, em 2019, o 44.º aniversário com uma festa que promete ser memorável. No sábado, 9 de Fevereiro, todos os caminhos vão dar à ADAC, para mais uma noite onde se alia a cultura à amizade. Pelo palco passam bandas em ascensão, e outras com um percurso consolidado, em dias de aniversário a colectividade convidou o Rapaz Improvisado, mARCIANO, Mata-Ratos e Baleia Baleia Baleia para soprar as velas.
A 18 de Janeiro de 1975 foi formalmente constituída a ADAC, que teve as suas raízes no grupo de Acção Cultural, surgido ainda antes do 25 de Abril. O grande objectivo da associação passava por implantar a Cultura na Charneca, tendo como primeira actividade o teatro e envolvendo também a vertente desportiva. 44 anos depois, os fins continuam presentes, mas indo muito além do núcleo territorial. “A Charneca é grande, mas a ADAC é maior”, diz João Pedro Gonçalves, JP para os amigos, membro da direcção da Associação, em tom de brincadeira.
Apesar da componente teatral ter andado ‘adormecida’, na última década, a colectividade voltou a arregaçar as mangas e está a dinamizar, através do ACTUM-Grupo de Teatro da ADAC, a apresentação de um trabalho original “ O Respigador da Morte”, cujo poema motriz, inspirador deste monólogo, é o “Diário de K. Maurício” de Raul Brandão, do qual se recortou uma parte e ao qual se foram colando outras. Dois poemas de Jean-Arthur Rimbaud, um pequeno excerto d’ ”A hora do diabo” de Fernando Pessoa, alguma prosa e outros poemas de Carlos Gonçalves completam o corpo literário desta peça, que foi idealizada, produzida, encenada e representada por Carlos Gonçalves, que integra a direcção da Associação.

A revitalização do teatro

Este projecto, o EXPERIMENT:ACTUM, tem como principal objectivo “a revitalização do teatro na ADAC, numa vertente experimental e livre, dentro do espírito e da capacidade dos amantes de teatro que não são nem podem ou pretendem ser profissionais”, revela o responsável, que desta forma convida “todos os que tenham interesses semelhantes em aparecer nos ensaios, que se realizam às quartas-feiras, a partir das 21h00 e aos sábados, às 10h00”.
A peça de teatro já contou com três apresentações, e tem nova data agendada para este domingo, 3 de Fevereiro, com início às 19h00, sendo que “devido à natureza do espectáculo”, é limitada a 25 espectadores, por isso é necessário fazer a reserva com antecedência, através dos contactos 934 761 178 ou adacactum@gmail.com. O grupo está a preparar novos trabalhos, que apesar de continuarem nos segredos dos deuses, Carlos Gonçalves adianta que terá estreia “lá mais para o final deste ano”, no entanto “necessitamos de mais pessoas, especialmente de crianças que gostem de teatro e queiram experimentar performances diferentes e mais experimentalistas”.
Não fosse a ADAC conhecida pelo apoio que dá às bandas de Pombal e arredores, emprestando as instalações para ensaios e concertos, para festas particulares e para que os jovens músicos possam mostrar o que andam a cozinhar. “Ajudamos sempre que podemos e deixamos que o pessoal se sinta à vontade para mostrar sem medos o que anda a fazer ou a ouvir”, trocam-se ideias, dão-se sugestões e por vezes até nascem projectos novos. Mas nem só de música magicada e criada em Pombal se faz a história desta associação. A sala de espectáculos “tem condições únicas, e podemos dizer que é certamente uma das melhores da região centro”. Claro que falta muita coisa, mas as coisas lá se vão arranjando. Os apoios que recebem são “muito poucos” e quase não chegam para os gastos, no entanto com a quantidade de amigos e ‘familiares’ a associação vai crescendo.

“Fazer muito, como muito pouco”

O segredo para o sucesso afinal é bastante simples: além do “amor à camisola”, a ADAC tenta “fazer muito, como muito pouco” e vai trazendo “grandes bandas enquanto ainda são baratas”, como o caso de Capitão Fausto, os dinamarqueses MNEMIC ou os suecos Adept, que passaram por Pombal quando ainda ninguém ouvia falar deles.
Neste aniversário, dá-se destaque à banda portuense Baleia Baleia Baleia, considerada por muitos especialistas em música “uma promessa da nova vaga de punk em Portugal” e que promete aquecer a sala da ADAC.
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mARCIANO

O artista tornou-se mais conhecido quando se tornou no vocalista dos míticos Cyber Christ a que se seguiram Canker Bit Jesus. Em 2010, a banda terminou o seu percurso ao fim de 13 anos e o jovem músico de Leiria criou, nesse mesmo ano, um novo projecto, baptizado Homem de Marte & Os Invasores, que continua activo, embora em hiato. Paralelamente, em 2012, iniciou a banda de tributo a Zeca Afonso, os Índios da Meia Praia, com quem se costuma apresentar.
Em 2015, mudou-se para Lisboa e tonou-se mais “electrónico”, ao dar vida a mARCIANO, uma espécie de alter-ego de Marciano Silva.

Rapaz improvisado

Leonel Mendix é o Rapaz Improvisado – uma espécie de alter-ego cujo nome nos remete automaticamente para o caminho estético que trilha – surgiu no acaso dos improvisos e no redescobrir das guitarras, após uma viajem à Irlanda. O pombalense cumpre o sonho de um dia figurar na prateleira da world music ou do free jazz, ao lado de nomes como Keith Jarret, Carlos Zíngaro, Hector Zazou, Tom Waits, John Zorn, Bill Frisell ou Marc Ribot, artistas que habitualmente escuta.

Baleia Baleia Baleia

Dupla formada por Manuel Molarinho (baixo e voz) e Ricardo Cabral (bateria). A meio caminho entre o pop rock sem vergonha e um punk mais vibrante e soalheiro, os Baleia Baleia Baleia pegam nos elementos mais alegres e coloridos que o rock alguma vez engendrou, agitam-nos numa garrafa com gasosa e tiram a tampa para molhar toda gente. Os mais curiosos podem ouvir aqui.

Mata-Ratos

A banda dispensa apresentações, oriunda de Oeiras, nos subúrbios de Oeiras, surgiu em 1982, claramente influenciados pelo punk-rock britânico e americano de finais dos anos 70 e início dos anos 80. Prometem uma descarga de energia, como é hábito, sempre que sobem a um palco.