HIC ET NUNC | Descuido ou desleixo

Nesta manhã de Sábado visitei o mercado municipal de Pombal como é habito fazer nos últimos 19 anos, onde compro fruta, legumes, carne e peixe na quantidade e qualidade que pretendo em cada semana do ano. A criação desta rotina, baseada nas memórias de criança em que acompanhava a minha Avó às compras quando cá vinha de férias, ajudou à minha integração na sociedade Pombalense. Por norma, seja em épocas festivas ou no dia-a-dia, procuro fazer as minhas compras no comércio local, mais ou menos tradicional.

No início deste ano, a cobertura do mercado foi danificada pelas tempestades ocorridas. Existem infiltrações em alguns locais e por essa razão alguma da iluminação não funciona. Este é um exemplo de uma pequena reparação, para a qual não é preciso projecto e cujo limite actual de 30.000€ para ajustes directos não deverá ser atingido. Aliás, pergunto mesmo se o Município não terá os meios necessários para avançar com a reparação sem ser necessário contratação externa?

Quem circule pelo nosso Município, consegue detectar com facilidade muitas situações de equipamentos danificados, passeios, estradas,  sinais de trânsito,  abrigos de passageiros, recintos desportivos, entre outros. Na maioria dos casos são necessárias pequenas reparações que efectuadas rapidamente permitirão evitar que a situação se agrave e o valor a ser gasto aumente. Em algumas situações até aceito que a falta de conhecimento da situação, de meios ou de tempo, possa influenciar a eficácia dos serviços municipais,  mas neste caso só posso concluir que existe descuido ou então será mesmo desleixo.

O nosso presidente do Município Pombalense decidiu aceitar a presidência da Associação Nacional de Municípios no início deste mandato. Neste momento a sua agenda reparte-se entre festas, convites, conferências, reuniões,  entrevistas,  apresentações,  redes sociais, colóquios, sessões oficias e não sei o que mais.

O presidente do Município não governa sozinho, tem a sua equipa de vereação, todos têm os seus assessores, cada vez mais, mas também coordenam todos os funcionários que devem zelar pelo bem comum.

Será que ninguém se preocupa?

Será que o vereador responsável pelo espaço não sabe desta situação?

Será que ninguém alerta o seu superior para os problemas existentes?

Será que ninguém sugere alterações nesta forma desleixada de governar na qual somente os projectos de milhões, os relatórios e os prémios é que têm importância?

Estou convicto que muitos dos funcionários municipais são competentes, que se preocupam e que se esforçam para fazer o melhor possível, no entanto também estou convencido que não têm as condições necessárias para fazer melhor o seu trabalho, nomeadamente autonomia e reconhecimento.

Não existe uma cultura de meritocracia em que se premeiem o esforço, a dedicação ou o desempenho, antes pelo contrário.

A manutenção desta forma de governar, com muito descuido e até desleixo, depende de quem preside ao Município, de todos os funcionários desta instituição mas acima de tudo, só se manterá enquanto os Pombalenses quiserem, somos nós que determinamos a qualidade da gestão autárquica, seja pelo voto ou pela passividade com que observamos aquilo que se passa. Essa exigência deve ser manifestada nos locais próprios,  nas assembleias municipais ou de freguesia, nos jornais, nas rádios, nos serviços competentes ou dizendo directamente o que pensamos a quem nos governa.

Espero que a reparação da cobertura do mercado municipal seja efectuada antes do Inverno chegar, garantindo a segurança de comerciantes e clientes.

Telmo Lopes
Presidente da concelhia do CDS-PP de Pombal

 

Deixe um comentário

Pombal Jornal

Apoie o jornalismo regional

Edição Online

15€/Ano

ou

Edição Papel

25€/Ano