Morador denuncia corte de água e pede ajuda à porta do Tribunal de Pombal

“Ninguém me pode ajudar?” A pergunta estava no cartaz que Lindomar de Oliveira Júnior levou esta quarta-feira, 30 de Setembro, até à porta do Tribunal de Pombal. O morador afirma estar há cerca de uma semana sem água no alojamento onde reside, no centro da cidade, e atribui a interrupção do abastecimento ao proprietário. Contactado pelo Pombal Jornal, este nega existir uma relação de arrendamento e diz ter apresentado queixa contra o morador na PSP.

Ao Pombal Jornal, Lindomar de Oliveira explicou que decidiu protestar por não ter conseguido resolver a situação, apesar dos pedidos de ajuda dirigidos a várias entidades. “Eu preciso de água”, afirmou. No cartaz, mencionava a PSP, Finanças, Segurança Social, Câmara Municipal e o tribunal, terminando com a palavra “Socorro”.

Lindomar de Oliveira afirma residir no espaço, que descreve como um sótão adaptado para habitação, pelo menos desde 2021, ano a partir do qual afirma conservar mensagens trocadas com o proprietário. Segundo o seu relato, a ocupação começou antes, mas a mudança de telemóvel deixou-o sem os registos mais antigos.

Segundo o morador, houve uma primeira interrupção do abastecimento, seguida de uma reposição e, posteriormente, de novo corte, desta vez com a retirada do contador. Conta que tem ido buscar água à fonte publica na zona do Jardim das Laranjeiras para fazer face às necessidades diárias e que os vizinhos do prédio lhe ofereceram ajuda e água.

Lindomar de Oliveira associa o agravamento do conflito ao pedido de um contrato de arrendamento escrito. Afirma que paga em dinheiro, sem receber recibos, e que não tem valores em dívida ao proprietário. “Não devo nada para ele”, assegura.

Diz ainda ter apresentado uma participação à PSP e uma denúncia às Finanças, além de ter enviado uma carta registada a solicitar o restabelecimento da água, por indicação de um advogado.

Contactado pelo Pombal Jornal, o proprietário apresentou uma versão diferente. Negou a existência de uma relação de arrendamento e, questionado sobre eventuais pagamentos de renda, negou igualmente que estes ocorressem.

Segundo o proprietário, Lindomar de Oliveira ficou inicialmente num quarto cedido por outra ocupante da casa, tendo depois pedido para permanecer temporariamente. “Pediu-me na altura para ficar lá dois meses até arranjar um apartamento e foi protelando mês após mês até agora”, afirmou.

Questionado sobre há quanto tempo se arrastava a situação que descrevia, respondeu “um ano e tal, dois”, sem precisar a data de entrada do morador no imóvel. Acrescentou que colocou a propriedade à venda numa imobiliária em Fevereiro deste ano, com conhecimento de Lindomar de Oliveira.

Sobre a falta de água, confirmou ter conhecimento da situação, mas não esclareceu expressamente se solicitou a interrupção do abastecimento ou a retirada do contador. “Ele nunca me pagou nenhuma factura de água”, afirmou. Negou também ter recebido a carta registada referida pelo morador e rejeitou a versão relativa ao pedido de contrato: “Ele nunca quis contrato algum”.

O proprietário afirma ter apresentado queixa na PSP por alegadas ameaças e pelo alegado aluguer de quartos sem a sua autorização.

Lindomar de Oliveira contesta esta última acusação, sustentando que partilhava o alojamento com conhecimento do proprietário. “Ele sempre soube disso”, afirmou, acrescentando que dispõe de mensagens em que o próprio proprietário propunha levar outras pessoas para ver os quartos.

Ana Laura Duarte

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