Seminário revela falta de legislação na violência contra idosos

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A programação do Seminário contou com palestras que abordaram diversos olhares sobre a temática, da área médica à legal. Responsáveis acreditam que “não é só uma questão de denunciar” os agressores, “é importante estar preparado para dar respostas”, e revelam falta de legislação.

O seminário abordou a problemática da violência contra os idosos nas suas diversas formas

Negligência, abandono e violência física foram alguns dos temas em debate no Seminário Violência contra Idosos/as: “Quem se importa?”, promovido pela Associação de Pais e Educadores para a Infância (APEPI), através do projecto BASTA, que teve lugar no Teatro-Cine de Pombal, a 9 de Outubro.
O evento tinha como objectivo abordar a problemática da violência contra os idosos nas suas mais diversas formas: violência física e psicológica, negligência, abandono, e isolamento, e convidava a reflectir sobre as necessidades de intervenção e a capacitação para o envelhecimento activo e saudável.
A programação do Seminário contou com a apresentação da Tuna da Universidade Sénior de Pombal (APRAP), além de palestras que abordaram diversos olhares sobre a temática, da área médica à legal, e contou com a presença de vários especialistas, como José Pinto da Costa, especialista em medicina legal, Elisabete Brasil, advogada, ou João Apóstolo, membro do concelho técnico-científico e do concelho geral da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, e representante do consórcio Ageing@Coimbra.
As repercussões jurídicas e sociais da violência contra os idosos foram abordadas pela advogada Elisabete Brasil, directora executiva para a Violência de Género da UMAR – União das Mulheres Alternativa. “A Legislação deixa muito a desejar quando temos juízes a dizer que uma pessoa com 85 anos, só porque é socialmente activa, não apresenta fragilidades”, o que para a advogada “não faz sentido”, e só demonstra que ainda existe “um caminho longo a percorrer”, no entanto admite que “estamos a atravessar um momento decisivo”, para a sensibilização da população em geral em relação à violência contra idosos. Segundo a responsável pela UMAR, “não é só uma questão de denunciar” os agressores, é também altura de reflectir se as organização estão preparadas para “dar respostas” às necessidades de uma sociedade em constante mutação e que por vezes esquece os seniores, crítica.
Também Diogo Mateus, autarca, se mostrou preocupado com a falta de legislação que proteja os mais velhos, e criticou uma “sociedade particularmente hipócrita”, onde “as pessoas parecem valer menos que coisas”, relembrando a recém-aprovada lei que proíbe o abate de animais nos canis municipais. Para o edil, “se esta unanimidade foi conseguida neste tema, acredito que no que diz respeito aos idosos, também vai acontecer”, sendo que a legislação “precisa de ser encarada como uma prioridade”.
O autarca relembrou os presentes que esta é uma temática que “não tem a visibilidade que gostaríamos que tivesse”, no entanto revela que o município tem travado uma “luta positiva, que agrega instituições e junta pessoas”. Para o edil, trata-se de uma “batalha muito silenciosa”, uma vez que “quem o faz não quer que se saiba, e quem sofre tem vergonha” de revelar a situação que vive, no entanto deixa a certeza de que o município não tem medo de “arregaçar as mangas” e de “mostrar que Pombal continua a preocupar-se” com os mais idosos, sendo que “haverá, sempre, muito a fazer”.
Face aos temas debatidos no seminário e à forte adesão, Teresa Silva, presidente da direcção da APEPI, mostrou-se confiante em relação à temática, e apelou para que os “mais jovens” tenham uma visão mais “carinhosa” pelos “direitos dos idosos”.

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Nasceu em 1985, estudou Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra e participou num curso de formação em Jornalismo e Crítica Musical. Passa os dias a ouvir música, adora assistir a concertos e sonha viajar pelo mundo com uma mochila às costas.